O estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, foi lembrado por familiares, professores, médicos e colegas como um jovem gentil, educado e carinhoso.
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Após sua morte, ocorrida durante uma discussão de trânsito em Taubaté, homenagens nas redes sociais destacaram a personalidade do estudante e o futuro que ele tinha pela frente.
“Uma covardia com um menino de um coração gigante”, escreveu Erika Alves em uma das mensagens de despedida. Ela também pediu conforto para a mãe e os familiares de Bruno.
O DABM (Diretório Acadêmico Benedicto Montenegro) da Faculdade de Medicina da Unitau (Universidade de Taubaté) também publicou uma homenagem ao estudante. A entidade lamentou a morte de Bruno e prestou condolências aos familiares e amigos.
“Em memória do nosso estudante e colega Bruno Hashimura San Juliano, da turma LXX, que foi vítima de uma tragédia a caminho da faculdade”, afirmou o diretório.
‘Seria um bom médico’
Professores que conviveram com Bruno durante sua trajetória acadêmica também lamentaram a morte. Adria Maia, que foi coordenadora do estudante em Santarém, no Pará, descreveu Bruno como um aluno educado e gentil.
“Fui coordenadora do Bruno em Santarém, um aluno educado e gentil. Sempre disse a ele que ele seria um bom médico, pelo jeito carinhoso e respeitoso que tratava as pessoas”, escreveu.
Débora Almeida também afirmou ter sido professora de Bruno e destacou a forma como ele tratava as pessoas. “Bruno foi meu aluno, sempre tão doce e gentil. Que Deus abençoe e cuide da família”, publicou.
A médica coloproctologista Rafaela Beust, de Taubaté, lamentou a morte do estudante e destacou o futuro profissional que ele tinha pela frente.
“Um menino jovem, um futuro médico que ajudaria muitas pessoas. Meus sentimentos aos familiares”, escreveu.
Luciane Maia também lamentou a interrupção da vida do estudante. “Muito triste. Interromper uma vida que tinha um futuro pela frente”, afirmou.
Família pede justiça
Uma familiar de Bruno também publicou uma mensagem de agradecimento pelas manifestações de solidariedade recebidas após a morte. Na publicação, ela descreveu o estudante como um “menino bom” e afirmou que ele não estaria armado.
“Bruno é meu sobrinho querido e, como todos aqui bem sabem, um menino bom que jamais estaria armado oferecendo perigo a alguém”, escreveu.
A familiar também afirmou que a família espera justiça pelo caso.
“Nos ajudem a não deixar que a vida dele tenha sido ceifada em vão, que o assassino pague pelo que fez”, publicou.
As declarações fazem parte das manifestações de familiares e pessoas que conviveram com Bruno. A investigação da Polícia Civil ainda apura as circunstâncias do disparo e a dinâmica da discussão de trânsito.
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Bombeiro é solto após audiência
O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, foi colocado em liberdade provisória nesta quinta-feira (1º), após audiência de custódia realizada em São José dos Campos. Ele estava preso em flagrante pela morte de Bruno.
A audiência ocorreu por volta das 10h e foi conduzida pela juíza Glaucia Paiva, da Vara Regional das Garantias. A magistrada determinou medidas cautelares para a liberdade do bombeiro.
Entre as medidas estão o comparecimento bimestral à Justiça, o recolhimento domiciliar durante a noite em fins de semana e dias de folga e a proibição de deixar a comarca por mais de 15 dias sem comunicar previamente o Judiciário.
Marcos também está proibido de manter contato ou se aproximar, em um raio inferior a 100 metros, dos familiares de Bruno.
“Manter com seus familiares contato de qualquer espécie, quer direto, quer por telefone, quer por qualquer outro meio de comunicação, e deve se abster de frequentar determinados lugares, a fim de preservar a integridade da vítima, sob pena de decretação da prisão preventiva”, diz trecho da decisão.
A Justiça determinou ainda a suspensão do porte de arma do bombeiro e comunicou a Polícia Militar para que ele seja direcionado a atividades administrativas.
Não foi decretada a prisão preventiva. Segundo a decisão, não havia elementos suficientes, neste momento, para a adoção da medida mais gravosa. O caso continua sob investigação.
O advogado Cláudio Rodrigues confirmou a OVALE que Marcos deixou a prisão em liberdade provisória. Ele estava detido na capital. A defesa sustenta a tese de legítima defesa.
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Estudante foi baleado
Bruno foi baleado na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté. Ele seguia para a Faculdade de Medicina para realizar uma prova de imunologia clínica quando se envolveu em uma discussão de trânsito.
Segundo o boletim de ocorrência, Bruno dirigia um Chevrolet Prisma prata, enquanto Marcos conduzia um Jeep Renegade preto.
A discussão terminou com disparos contra o estudante. Bruno caiu na calçada e foi levado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos. O registro policial aponta inicialmente cinco disparos.
Uma pistola Taurus calibre .380, atribuída ao bombeiro, foi apreendida pela polícia.
Versão do bombeiro
Marcos afirmou à polícia que agiu em legítima defesa. Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, ele disse ter acreditado que Bruno estivesse armado e que teria reagido após uma suposta investida do estudante.
Durante a ocorrência, no entanto, os policiais não encontraram arma de fogo com Bruno nem dentro do Chevrolet Prisma.
Um canivete retrátil com cabo azul, relacionado ao estudante, foi apreendido. O registro policial não indica, porém, que o objeto tenha sido utilizado como arma durante a discussão.
A Polícia Civil deverá analisar imagens, a movimentação dos veículos, os vestígios encontrados nos carros e a sequência dos disparos. Perícias também foram solicitadas para esclarecer a dinâmica do episódio.
O caso é investigado como homicídio. No registro inicial, a autoridade policial apontou, em tese, a possibilidade de qualificadoras relacionadas a motivo fútil e ao uso de recurso que teria dificultado ou impedido a defesa da vítima.
A classificação jurídica poderá ser alterada ao longo da investigação, conforme a análise das provas e dos demais elementos reunidos pela Polícia Civil.
Velório e sepultamento
O corpo de Bruno é velado nesta quinta-feira (1º) no Campo das Oliveiras, na região central de Jacareí. A cerimônia segue até as 14h.
Depois do velório, o estudante será sepultado no Cemitério Memorial do Vale.