A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Carlos Eduardo Barbosa Vieira, de 25 anos, suspeito de matar a ex-namorada, a universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, em Pindamonhangaba. A decisão foi tomada nesta terça-feira (11), durante a audiência de custódia. Uma câmera flagrou o crime (Veja aqui).
O investigado não foi apresentado porque permanece internado após se ferir.
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O feminicídio da universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, em Pindamonhangaba, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (11). A Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante de Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, suspeito de matar a ex-namorada a tiros.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, a audiência de custódia foi realizada nesta terça, mas Carlos Eduardo não foi apresentado por ainda estar hospitalizado. Ele havia sido preso em flagrante pelos crimes de feminicídio e descumprimento de medida protetiva.
O caso é investigado pela Polícia Civil.
Nome de Lívia foi escrito com sangue no espelho
O crime aconteceu por volta das 9h de segunda-feira (10), na Rua São Sebastião, na região do Parque São Domingos, em Pindamonhangaba.
Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados após relatos de disparos de arma de fogo. No local, encontraram Lívia caída na via, com o celular e fones de ouvido próximos aos seus pertences.
A jovem apresentava ferimentos provocados por tiros. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas constatou a morte ainda no local.
A perícia identificou aproximadamente três a quatro lesões provocadas por disparos. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté para exame necroscópico.
Informações obtidas durante as primeiras diligências indicaram que Lívia havia deixado uma academia e teria sido seguida pelo ex-namorado por alguns metros antes dos disparos.
A investigação ganhou um elemento perturbador após os policiais localizarem o suspeito em seu apartamento.
Segundo o boletim de ocorrência, o nome de Lívia estava escrito com sangue no espelho do banheiro. Também havia respingos de sangue no cômodo. O vestígio foi preservado para análise pericial.
A polícia ainda deverá confrontar os materiais encontrados no apartamento com os vestígios recolhidos no local do assassinato.
Lívia tinha medida protetiva contra o ex
Um dos principais elementos da investigação é o histórico de violência doméstica entre a vítima e o suspeito.
Segundo o boletim elaborado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Lívia já tinha uma medida protetiva de urgência contra Carlos Eduardo.
Familiares relataram à polícia que o homem não aceitava o fim do relacionamento e que já teria feito ameaças de morte contra a jovem.
A existência da medida protetiva também levou à prisão em flagrante por eventual descumprimento da ordem judicial.
A Polícia Civil deverá analisar o histórico do casal, possíveis ameaças, mensagens e outros registros para esclarecer as circunstâncias que antecederam o feminicídio.
Ex de Lívia foi encontrado ferido
Após identificar Carlos Eduardo como suspeito, policiais foram até o apartamento dele, em um condomínio no bairro Bela Vista.
Um Chevrolet Prisma prata associado ao investigado estava estacionado em frente ao condomínio. Segundo o boletim, o motor ainda estava quente, indicando que o veículo havia sido utilizado recentemente.
Como havia a informação de que o homem poderia estar armado, os policiais fizeram um cerco ao imóvel e tentaram convencê-lo a abrir a porta.
Os agentes conseguiram visualizá-lo por uma janela e perceberam que ele estava ferido e coberto de sangue. A equipe conseguiu retirá-lo do apartamento sem resistência.
Carlos Eduardo recebeu atendimento do Samu e foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba.
Segundo o registro policial, ele teria se ferido com um disparo após retornar para o apartamento. No momento da elaboração do boletim, estava intubado, sob escolta da Polícia Militar e sem condições clínicas de prestar depoimento.
Mesmo internado, recebeu voz de prisão em flagrante.
Revólver calibre .38 foi apreendido
Questionado sobre onde estava a arma, Carlos Eduardo teria indicado aos policiais que o revólver estava sobre o gabinete da pia do banheiro.
A equipe encontrou um revólver Taurus calibre .38, com quatro munições deflagradas no tambor.
A arma foi apreendida e encaminhada para perícia. A Polícia Civil também solicitou exame residuográfico nas mãos do investigado, que poderá auxiliar na apuração de eventual contato com disparos de arma de fogo.
Os exames deverão ajudar a esclarecer se o revólver apreendido foi utilizado na morte de Lívia.
Carta e celulares também foram apreendidos
Além da arma, os policiais apreenderam celulares, incluindo um aparelho que pertencia a Lívia e outro relacionado ao investigado.
Também foram recolhidos uma camisa, uma carta manuscrita de duas páginas, datada de 12 de abril de 2026, uma cartela vazia de medicamento e pequenas porções de uma substância com aparência de maconha.
O boletim não divulga o conteúdo da carta nem estabelece, neste momento, relação entre os objetos e a motivação do crime.
Os materiais serão submetidos à análise durante o inquérito.
Os celulares também podem ajudar a Polícia Civil a reconstruir a relação entre vítima e investigado e os momentos que antecederam o assassinato, mediante os procedimentos legais aplicáveis.
Justiça mantém suspeito preso preventivamente
A audiência de custódia foi realizada nesta terça-feira (11). De acordo com o Tribunal de Justiça, Carlos Eduardo não foi apresentado porque continua hospitalizado.
A prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, mantendo o suspeito preso enquanto a investigação prossegue.
A decisão também considera a acusação de descumprimento de medida protetiva, já que Lívia possuía uma ordem judicial contra o ex-namorado.
O investigado ainda deverá prestar depoimento quando apresentar condições clínicas para participar dos atos processuais.
Como denunciar violência contra a mulher
Em caso de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.
O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, recebe denúncias e oferece orientação sobre direitos e serviços da rede de proteção.
Familiares, amigos, vizinhos e testemunhas também podem comunicar situações de violência. A denúncia não precisa ser feita necessariamente pela vítima.
Medidas protetivas podem determinar restrições de aproximação e contato, entre outras providências definidas pela Justiça de acordo com a situação.