DESPEDIDA

Multidão acompanha sepultamento de Dheorge Pereira no Ceará

Por Da redação | Alcântaras (CE)
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Chegada do corpo e o sepultamento de Dheorge no Ceará
Chegada do corpo e o sepultamento de Dheorge no Ceará

Uma multidão acompanhou a chegada do corpo e depois o velório e o sepultamento de Dheorge Pereira Bernardino, 28 anos, encontrado morto no mar do Litoral Norte. O corpo foi levado de carro para Alcântaras, no Ceará, de onde ele era natural e onde vive a família dele.

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Familiares, amigos e conhecidos despediram-se de Dheorge, que ficou desaparecido oito dias no mar de Ilhabela até ser encontrado pelas equipes de buscas. Ele morava há aproximadamente dez anos em São José do Rio Preto (SP) e estava no Litoral Norte com amigos.

“A parte mais aterrorizante do luto é reconhecer o que realmente aconteceu, que a pessoa se foi e que a vida agora é essa”, diz postagem nas redes sociais de Lorrane Pereira, irmã de Dheorge.

A despedida de Dheorge ocorreu na sexta-feira (5), após dois dias de translado para o corpo chegar até a cidade cearense.

“A dor da saudade fica, mas me conforta saber que agora você descansa em casa, meu irmão”, disse Lorrane.

Segundo ela, detalhes do caso ainda são desconhecidos e muita coisa deverá ser revelada após as investigações.

Passeio de moto aquática

Dheorge desapareceu na região da Praia da Ponta das Canas, em Ilhabela, no domingo, dia 24 de maio. Ele estava acompanhado da estudante Bruna Damaris Sant'anna da Silva, 26 anos, que foi encontrada com vida no mar cerca de 42 horas depois do acidente.

A moto aquática em que ambos estavam sofreu uma pane mecânica e acabou arrastada por fortes correntes em direção ao mar aberto. A Marinha do Brasil e a Polícia Civil investigam o acidente que culminou na morte de Dheorge.

“Eu acredito na Bruna porque sei que ninguém colocaria a própria vida em risco em uma situação daquelas. É muito fácil julgar de longe, mas só quem passou pelo desespero sabe o peso da realidade”, disse a irmã de Dheorge em publicação nas redes sociais.

“Em vez de apontar o dedo e criar teorias cruéis, as pessoas deveriam ter empatia com quem também sobreviveu a um trauma. A verdadeira vai aparecer cedo ou mais tarde. Que Deus e a espiritualidade te blindem de todo esse julgamento maldoso.”

Identidade foi confirmada pela polícia

A megaoperação de buscas por Bruna e Dheorge mobilizou o GBMar (Grupamento de Bombeiros Marítimo), a Marinha do Brasil, a FAB (Força Aérea Brasileira) e o helicóptero Águia da Polícia Militar.

A Polícia Civil confirmou que o corpo encontrado no mar em Ilhabela, na segunda-feira (1º), era de Dheorge. Na terceira edição do boletim de ocorrência, a polícia informou que familiares de Dheorge reconheceram o corpo dele em funerária de São Sebastião.

O reconhecimento foi feito baseado em sinais característicos, como vestimenta (bermuda) e utilização de lentes de contato nos dentes, e depois por análise das digitais e do DNA. O IML (Instituto Médico Legal) de Caraguatatuba confirmou que a morte de Dheorge se deu por afogamento.

O caso comoveu o país inteiro após o resgate milagroso de Bruna, que estava na garupa do veículo com Dheorge. Ela conseguiu sobreviver e foi resgatada por pescadores após passar cerca de 42 horas à deriva em alto-mar. Bruna relatou posteriormente que os dois lutaram juntos contra as ondas antes de serem separados pelas condições extremas do oceano.

Bruna teve alucinação no mar

A estudante Bruna relembrou os momentos de desespero que viveu ao passar cerca de 42 horas à deriva em alto-mar, no Litoral Norte.

Em entrevista ao “Domingo Espetacular” da TV Record, ela contou que a moto aquática em que estava com Dheorge Pereira Bernardino, 28 anos, apresentou pane e afundou.

Eles estavam com um grupo de amigos em uma lancha quando saíram em direção ao alto-mar com a moto aquática.

Ao perceberem que não conseguiam retornar, após a pane no veículo, os dois deixaram a moto aquática e entraram no mar usando coletes salva-vidas.

Bruna relatou que passou por frio intenso, exaustão e desidratação. Após mais de 24 horas no mar, ela afirma ter sofrido episódios de alucinação.

“Eu escutava alguma coisa me chamando: ‘Bruna, Bruna, vem cá’. E quando olhava para o breu eu via como se fosse um barco. Eu comecei a nadar em direção, só que não era um barco. Era uma montanha e atrás tinha uma nuvem branca. Eu tava nadando pra morte”, disse à Record.

Em postagem nas redes sociais, ela confortou a família de Dheorge: “Meus sentimentos para todos”.

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