A alimentação tem papel cada vez mais importante no desempenho esportivo. Seja para atletas profissionais ou para pessoas que treinam em busca de saúde e qualidade de vida, a nutrição deixou de ser apenas uma ferramenta para emagrecimento e passou a ser considerada parte fundamental dos resultados dentro e fora das competições.
A nutricionista esportiva Fernanda Villa Nova Viotti, de 30 anos, acompanha atletas de diferentes modalidades e explica que sua ligação com o esporte foi determinante para a escolha da profissão.
“Eu sempre tive uma ligação muito forte com o exercício físico, principalmente com a musculação. É um estilo de vida que faz parte da minha rotina há anos e isso me aproximou naturalmente da nutrição esportiva”, conta.
Segundo ela, a área vai muito além da elaboração de dietas. O trabalho envolve compreender toda a rotina do atleta, incluindo treinos, recuperação, sono, objetivos e até questões emocionais.
“Não é apenas sobre montar uma dieta ou contar calorias. É sobre entender a realidade de cada pessoa para criar estratégias que realmente funcionem”, explica.
Atualmente, Fernanda acompanha praticantes e atletas de musculação, corrida, fisiculturismo e modalidades de luta. Ela destaca que cada esporte exige um planejamento nutricional específico.
Enquanto no fisiculturismo o foco está na construção muscular e na redução do percentual de gordura, corredores de longa distância dependem principalmente da reposição energética para manter a performance.
“O maratonista precisa de uma estratégia voltada para resistência e recuperação. Já o lutador precisa equilibrar força, potência e controle de peso sem comprometer o desempenho”, afirma.
Por isso, a nutricionista reforça que não existe uma única dieta capaz de atender diferentes modalidades.
“A nutrição esportiva precisa respeitar a modalidade, a fase de treinamento, a rotina e os objetivos de cada atleta”, destaca.
Fernanda também explica que existe diferença entre a alimentação de um atleta profissional e de uma pessoa que pratica atividade física apenas por saúde.
Segundo ela, o atleta de alto rendimento possui uma margem de erro muito menor, já que pequenas alterações na alimentação podem impactar diretamente o resultado dentro das competições.
“O atleta geralmente tem maior volume de treinos e calendário competitivo. Já quem treina por saúde busca melhorar a qualidade de vida, a composição corporal e o bem-estar. Ambos precisam de orientação, mas os objetivos são diferentes”, diz.
Outro ponto frequentemente discutido entre praticantes de atividade física é a suplementação. Produtos como whey protein, creatina e pré-treino se tornaram populares, mas a especialista alerta que o uso deve ser individualizado.
“A creatina possui excelentes evidências científicas e pode trazer benefícios importantes. Já o whey é uma ferramenta prática para quem precisa complementar a ingestão de proteínas. Mas nenhum suplemento deve ser utilizado apenas porque está na moda”, ressalta.
Segundo ela, os pré-treinos exigem atenção especial devido à presença de estimulantes que podem causar efeitos indesejados em algumas pessoas.
“Muitas vezes, melhorar a alimentação, o sono e a hidratação já é suficiente para aumentar a disposição nos treinos”, afirma.
Fernanda também chama atenção para um termo cada vez mais comum nas redes sociais: o chamado “terrorismo nutricional”.
Na avaliação da profissional, a expressão se refere ao hábito de demonizar alimentos sem considerar contexto, quantidade e individualidade.
“A alimentação não deve ser baseada em medo ou culpa. Existe uma diferença entre orientar melhores escolhas e transformar determinados alimentos em vilões absolutos”, explica.
A especialista defende uma abordagem equilibrada e baseada em evidências científicas, capaz de promover resultados sustentáveis e uma relação mais saudável com a comida.
Alerta sobre anabolizantes
Recentemente, casos envolvendo complicações graves associadas ao uso de anabolizantes voltaram a ganhar repercussão nacional, levantando debates sobre os riscos dessas substâncias.
Segundo Fernanda, o uso sem acompanhamento médico pode trazer consequências importantes para a saúde.
“O problema é que muitas pessoas associam os anabolizantes apenas ao ganho de massa muscular e ignoram os riscos cardiovasculares, hormonais, metabólicos e psicológicos”, alerta.
Ela explica que o uso inadequado pode provocar alterações hormonais, infertilidade, problemas cardíacos, aumento da pressão arterial, lesões hepáticas e até impactos emocionais, como ansiedade e irritabilidade.
“São riscos reais e que precisam ser tratados com muita seriedade. O resultado estético nunca deve estar acima da saúde”, conclui.