CULTURA E COMUNIDADE

Festas juninas unem fé, tradição e solidariedade em Jundiaí

Por Giulianna Mazzali |
| Tempo de leitura: 5 min
Jornal de Jundiaí
Divulgação
No Santuário Diocesano, as festas juninas representam preservação da fé e da cultura popular
No Santuário Diocesano, as festas juninas representam preservação da fé e da cultura popular

Maio chega ao fim com o cheiro de festa junina no ar. Pamonha, quentão, caldos, lanches e outras gostosuras que até podem ser consumidas fora dessa época, mas ganham um sabor especial cercadas pelas bandeiras coloridas e a música animada. Em Jundiaí, as festas são organizadas, em grande parte, por paróquias e instituições beneficentes, que ajudam a preservar costumes e tradições culturais que atravessam gerações.

Entre barracas, celebrações religiosas e calor humano, a festa evidencia uma relação de cooperação mútua: enquanto a comunidade mantém viva uma das tradições mais populares do país, as paróquias arrecadam recursos essenciais para projetos e ações sociais.

Para Rodrigo Natálio, empresário que, ao lado da esposa Mônica Pantoja, atua como coordenador de eventos do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, a Igreja atua como guardiã de uma tradição que une fé e cultura popular. “A festividade foi trazida ao Brasil pelos portugueses e ganhou profundo sentido religioso aqui, por homenagear santos queridos pelo povo, como Santo Antônio, São João e São Pedro. Ao longo dos anos, o papel das paróquias tem sido o de manter viva essa chama, garantindo que a festa não se torne um evento meramente comercial, mas continue sendo uma expressão autêntica de alegria cristã, comunhão e valores familiares.”

O Santuário Diocesano tem uma das festas juninas mais conhecidas da região

ECONOMIA LOCAL

Apesar de ser uma festividade voltada para a criação de laços na comunidade e a expressão da espiritualidade, também existe uma parte financeira que não pode ser ignorada. O padre Marcelo dos Santos, da paróquia Santo Antônio de Pádua, reconhece a importância da atratividade das festas, que geram movimento de pessoas no bairro e na região.

Na paróquia Santo Antônio, as quermesses aproximam famílias e fortalecem a comunidade

Rodrigo complementa que também beneficia comerciantes do município. “Quando a comunidade se reúne, geramos uma economia circular e bendita: valorizamos fornecedores locais de alimentos e descartáveis, contratamos serviços da região e oferecemos um espaço seguro para o sustento de muitas famílias. É a economia a serviço da vida, com diversão saudável, acessível e familiar.”

SOLIDARIEDADE

Uma tradição carregada de amor e união também não poderia deixar de fora a ajuda e o cuidado com o outro. A irmã Sthefanie de Camargo, coordenadora do Centro Educacional João de Deus, reforça o papel das celebrações na manutenção das obras sociais. “Ao arrecadar fundos e continuar com nosso projeto, auxiliamos muitas crianças e adolescentes na formação da cidadania. É uma formação humana. Investimos para que tenhamos, amanhã, boas pessoas na nossa sociedade.”

No Santuário Diocesano, o dinheiro tem muitos destinos: “Através do fruto da festa, assistimos famílias com alimentos, a Pastoral da Saúde acompanha os enfermos, distribuímos fraldas geriátricas, realizamos a triagem e entrega de roupas para irmãos em situação de rua, além de oferecermos atendimento psicológico voluntário”, explica Rodrigo.

Isso se traduz na quantidade de pessoas que se dispõe a colocar a mão na massa e fazer as festas acontecerem. Andréa Bonamigo, organizadora da festa junina do Jardim Danúbio, afirma que ver a união de todos é gratificante. “Nossa festa tem onze entidades assistenciais de diversas igrejas e religiões. É emocionante ver tanta diversidade viver em harmonia durante todas as reuniões e festas. Tudo graças à solidariedade. Os voluntários se unem para um bem comum: ajudar o próximo.”

No Jardim Danúbio, a união entre voluntários de diferentes igrejas e religiões é em prol da solidariedade

Segundo ela, apesar de dificuldades com falta de apoio para estrutura e falta de voluntários, eles mantêm a festa, porque une famílias e vizinhos em um ambiente alegre e de boa conversa.

Uma troca sempre muito gostosa faz parte das festas do Jardim Danúbio

TRADIÇÃO DE GERAÇÕES

Inevitavelmente, as quermesses se tornaram um espaço preenchido pelo esforço do trabalho dos voluntários, que é passado de geração em geração. Segundo o padre Marcelo, muitos trazem toda a família para ajudar, inclusive os jovens. “Há pessoas que são voluntárias há bastante tempo. Todos os anos é feito o convite para os novos, mas existem aqui gerações de pais, filhos, avós e bisavós. Tem muitas senhoras com mais de 80 anos que ajudam na festa, inclusive uma senhora, Dona Iolanda, que tem mais de 90 anos e faz questão de trabalhar.”

Dona Iolanda, mesmo com mais de 90 anos, está sempre ajudando a paróquia Santo Antônio

Para ele, as festas geram uma aproximação das pessoas com a Igreja, porque promovem também um momento de oração, dedicação ao Senhor e participação nas missas, principalmente para os mais jovens. “É bonito ver eles se colocando a serviço, interagindo e assimilando essa alegria de contribuir e participar. É um presente de Deus para nós.”

O bolo de Santo Antônio, produzido para a festa, pode se tornar patrimônio municipal

Rodrigo complementa: “Em um mundo que muitas vezes nos isola, o Arraiá nos reaproxima. Quando as pessoas visitam a nossa festa, elas não encontram apenas barracas; elas enxergam o amor de Cristo materializado no sorriso de cada voluntário. Esse testemunho de unidade gera um forte sentido de pertença.”

As festividades do Santuário contam com mais de 300 voluntários divididos em mais de 25 barracas e serviços, algumas delas com pessoas que se doam ao trabalho há anos. “Temos as nossas queridas vovós e vovôs que guardam o segredo do melhor vinho quente da cidade, os nossos jovens que trazem a sua energia contagiante para o Correio Elegante, e muitos outros coordenadores. É a Igreja viva, de geração em geração. Cada voluntário, seja dos mais antigos e experientes ou dos mais novos de vivência no voluntariado, deixam uma marca indelével na história do Santuário.”

Segundo o empresário, a convivência alegre desmistifica a ideia de que a Igreja é um lugar distante, permitindo que as pessoas percebam que a fé católica também é feita de celebração, partilha, sorrisos e vida pulsante. É uma forma de as pessoas se fortalecerem mutuamente e celebrarem tanto a fé quanto a conexão e a alegria da comunidade.

SERVIÇO

Paróquia Santo Antônio

  • Data: 31 de maio e 05, 06 e 07, 13, 19, 20 e 21 de junho
  • Horário: sexta 19h às 23h, sábado 18h às 23h, domingo 11h30 às 15h e dia 13 é o dia todo
  • Endereço: Av. Dr. Pedro Soares de Camargo, 724

Jardim Danúbio

  • Data: 06 de junho
  • Horário: 18h
  • Endereço: R. Venceslau Brás, 215

Centro Educacional João de Deus 

  • Data: 06 e 07 de junho
  • Horário: 18h
  • Endereço: R. Jobair da Silva Prado, 230

Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida

  • Data: 06, 13, 20 e 27 de junho
  • Horário: 17h30 às 22h30
  • Endereço: R. Cica, 1862

Acompanhe as redes sociais em @jornaldejundiai para ter acesso a mais festas juninas espalhadas pelo município.

Comentários

Comentários