Na última semana aproveitei que viajaria uns dias para descansar e fiz um post no meu Instagram sobre mala de viagem que gerou ótimas conversas. Uma delas foi sobre o quanto o ambiente influencia no nosso estilo e imagem - e confesso que levei essa conversa comigo. Aliás já vinha pensando sobre isso depois de um comentário do meu marido sobre o meu estilo ser diferente dependendo de onde estou - segundo ele “sou menos estilosa e mais despojada em Guará”.
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Para quem não sabe, minha casa – o lar doce lar com marido, enteada, cachorras e dinâmicas do dia a dia é em Guaratinguetá, mas me divido muito entre São Paulo, São Jose e Nova York – onde trabalho e tenho um cantinho em cada um deles, onde deixo algumas peças que acho mais apropriada para aquele local e rotina que estabeleço.
Mas voltando ao comentário do marido (aliás teria sido um elogio ou uma crítica?), em minha defesa vou usar o título da coluna de hoje: Imagem pessoal também é saber quem você se torna em cada destino.
Trazendo a reflexão para os momentos de viagem, eu acho curioso como a gente costuma falar sobre viagem pensando quase exclusivamente no destino. O hotel, os restaurantes, a paisagem, o roteiro, a previsão do tempo, os passeios imperdíveis, os looks que vamos usar. Mas raramente fazemos uma pergunta talvez ainda mais interessante:Quem eu me torno quando chego lá?Porque imagem pessoal também passa por isso.
Aliás ouso dizer que talvez essa seja uma das reflexões mais bonitas e pouco faladas sobre estilo: existem lugares que despertam versões diferentes da gente.
Não porque estamos fingindo ser alguém. Não porque criamos personagens. Mas porque novas experiências ativam novas emoções, percepções, ritmos, desejos e estados de presença diferentes.
Você já percebeu isso?
Tem viagens que nos deixam naturalmente mais leves. O corpo desacelera e a roupa acompanha. Um vestido mais fluido, uma sandália confortável, tecidos naturais, cabelo menos controlado, maquiagem mais leve. Quase sem perceber, você se veste diferente porque se sente diferente.
Em outros destinos, surge outra energia. Mais contemplativa. Mais sofisticada. Mais fashionista. De repente mais silenciosa.
Essa minha última viagem por exemplo para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul (que vocês podem viajar comigo através do compilado de post que fiz lá no meu Instagram), entre vinícolas, frio, gastronomia e paisagens que pedem tempo, desperta uma estética emocional completamente diferente de dias de praia. E claro, eu não estou falando apenas sobre roupa, estou falando sobre presença.
Porque uma vinícola no frio do sul pede uma energia quase sensorial. É preciso desacelerar, observar, saborear, aprecia detalhes. Naturalmente, peças com texturas ricas e tramas, casacos quentinhos, malhas atrativas à um abraço,calçados confortáveis parecem fazer muito sentido. E nada disso por obrigação estética, mas porque combinam com o estado de espírito.
Já uma viagem de praia costuma convidar para outra versão sua. Mais espontânea, solar, despretensiosa, leve. O vestir relaxa porque o corpo relaxa.E talvez seja exatamente por isso que algumas roupas parecem tão certas em determinados lugares.
Não porque estão “na moda”, mas porque acompanham a atmosfera. Aquela coerência silenciosa entre quem você está sendo e vivendo e aquilo que veste.
E é aqui que entra a reflexão que quero compartilhar com vocês sobre imagem pessoal: estilo não é apenas o que você gosta. É também aquilo que sustenta a experiência que você quer viver.
A roupa certa não é a mais cara. Nem a mais fashionista. Nem a mais fotografável.É a que parece conversar com o lugar, com o momento e, principalmente, com você.
Quantas vezes você já levou uma mala inteira e acabou usando as mesmas combinações porque o resto simplesmente não fazia sentido ali?Ou percebeu que estava elegante, mas desconfortável? Produzida, mas desconectada do clima da experiência?
Isso acontece porque, muitas vezes, fazemos mala pensando apenas na estética da foto e não na vivência.
Uma mala inteligente não nasce apenas da combinação de peças. Ela nasce da intenção e do questionamento: como eu quero me sentir nessa viagem?Mais sofisticada? Mais leve? Mais confortável? Mais contemplativa? Mais conectada comigo? Mais presente?
Porque quando a imagem acompanha o ritmo emocional do destino, tudo parece mais alinhado, mais natural, mais verdadeiro.E talvez essa seja a grande virada de chave: imagem pessoal não é sobre montar figurino para impressionar. É sobre criar coerência entre o que você vive e o que comunica.
Pra mim, viajar também é um exercício de identidade.Você chega em um lugar novo e tem a possibilidade de descobrir, novas versões de si mesma e alcançar o verdadeiro luxo da imagem pessoal:Saber quem você se torna em cada destino e permitir que sua imagem viaje junto.