PCC E CV NO ALVO

Força-tarefa é criada para 'estrangular' crime organizado no Vale

Por Guilhermo Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Editor-chefe de OVALE
Imagem ilustrativa/Criada com auxílio de IA

A Polícia Civil e o Ministério Público criaram uma força-tarefa contra o crime organizado na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba), região líder em homicídios em São Paulo e alvo de disputa entre PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho).

O objetivo principal é estrangular as finanças do crime organizado que atua na área, situada entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A nova estrutura, batizada de NECCOLD (Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro), foi criada pela Delegacia Geral da Polícia Civil no dia 6 de maio, e terá como missão rastrear patrimônio, bloquear contas, apreender bens e desarticular financeiramente organizações criminosas.

O núcleo atuará de forma integrada com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Polícia Militar e outros órgãos de inteligência e investigação.

Segundo o promotor de justiça Alexandre Affonso Castilho, membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, a criação da nova estrutura marca uma mudança estratégica no enfrentamento ao crime organizado.

“A criação do NECCOLD representa um marco estratégico na segurança pública ao consolidar a integração operacional entre a Polícia Civil e o GAECO. Essa atuação sinérgica no enfrentamento da criminalidade organizada no Vale do Paraíba e Litoral Norte não apenas aumenta a eficiência na recuperação de ativos ilícitos, mas também reafirma o compromisso do Estado em asfixiar o crime estruturado exatamente onde ele é mais sensível: em seu suporte econômico”, afirmou a OVALE.

Leia mais: Vale tem as 6 cidades com a maior taxa de homicídios de São Paulo

Leia mais: EXCLUSIVO: 'Caixa-preta' do PCC, o organograma secreto da facção

Leia mais: Guerra entre CV e PCC tem chacinas, fuzis e corpos carbonizados

Núcleo foi criado na capital, Vale, Campinas e Araçatuba

O NECCOLD foi criado inicialmente em caráter experimental e terá bases na capital paulista e em três regiões estratégicas do interior: além do Vale, estão contempladas as regiões de Campinas e Araçatuba.

Apesar das bases regionais, o núcleo terá atuação em todo o território paulista, com apoio de setores especializados em inteligência financeira, análise patrimonial e recuperação de ativos.

No Vale, a estrutura ficará vinculada à Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), de São José dos Campos, responsável por coordenar as investigações e operações na área.

A unidade atuará em conjunto com o Dipol (Departamento de Inteligência da Polícia Civil), Gaeco e forças estaduais e federais de segurança, concentrando esforços principalmente em lavagem de dinheiro, rastreamento de patrimônio oculto, bloqueio de bens e descapitalização das facções criminosas.

Vale é alvo prioritário após escalada da violência

A ofensiva ocorre em meio ao avanço da violência na RMVale, que atualmente lidera o ranking paulista de homicídios.

Levantamento de OVALE, com base em dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), aponta que seis das dez cidades com maior taxa de homicídios de São Paulo estão na região.

Mesmo com queda nos índices em alguns municípios, a RMVale segue com a maior taxa estadual: 10,47 homicídios por 100 mil habitantes nos últimos 12 meses.

O cenário é agravado pela guerra entre facções criminosas rivais.

PCC e CV travam guerra na região

O Vale do Paraíba e o Litoral Norte se tornaram palco de uma disputa violenta entre o PCC e o CV, que brigam pelo controle do tráfico de drogas em áreas estratégicas próximas às divisas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Segundo fontes ligadas às forças de segurança, cidades como Lorena, Cruzeiro, Bananal, Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião se transformaram em pontos estratégicos da guerra entre as facções.

No Vale Histórico, Lorena e Cruzeiro aparecem entre as cidades mais violentas do estado. Já no Litoral Norte, Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião estão entre os municípios paulistas com maiores taxas de homicídio.

Estratégia mira patrimônio e lavagem de dinheiro

O foco do NECCOLD será atingir financeiramente as facções por meio de:

  • bloqueio de ativos;
  • rastreamento patrimonial;
  • investigação de lavagem de dinheiro;
  • monitoramento de criptomoedas;
  • apreensão de bens e contas ligadas ao crime.

A nova estratégia segue modelos nacionais de combate ao crime organizado, nos quais as forças de segurança buscam enfraquecer economicamente as organizações para reduzir sua capacidade operacional e expansão territorial.

Governo reconhece avanço das facções

Em entrevista anterior a OVALE, o governador Tarcísio de Freitas reconheceu o avanço de facções criminosas do Rio de Janeiro no Vale e a reação do PCC para manter domínio sobre os pontos de tráfico.

Segundo o governador, cerca de 80% dos homicídios registrados no Brasil têm relação direta com disputas entre organizações criminosas pelo controle do tráfico de drogas.

Desde 2018, forças de segurança dos três estados mantêm ações integradas para monitorar a movimentação de criminosos nas regiões de fronteira e impedir a expansão das facções.

Comentários

Comentários