A advogada da estudante Carolina Ferreira, 21 anos, que acusa um professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de São José dos Campos de estupro, disse que a defesa dela não aceitará impunidade e nem a revitimização.
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“A defesa de Carolina será intransigente na busca por justiça. Que este processo sirva como um farol de esperança para que nenhuma outra mulher precise interromper sua trajetória acadêmica pelo medo”, disse a advogada Luciana Borsoi, da Borsoi Marino Sociedade de Advogados, em São José, especializada em Direito das Mulheres.
O caso de Carolina foi revelado por OVALE e culminou na apresentação de novas denúncias de abuso na Unesp, tendo repercussão nacional.
Segundo a defensora, todas as medidas jurídicas “urgentes e necessárias” já foram formalizadas perante as autoridades competentes. “Buscamos ao apenas a apuração rigorosa dos fatos, mas a responsabilização exemplar o acusado”.
“A coragem de Carolina agora é processo. A sua dor agora é busca por direitos. Justiça por Carolina e por todas”, afirmou Luciana, em nota publicada nas redes sociais.
Ela confirmou que, mesmo a estudante atravessando “a dor profunda de um trauma severo”, ela teve a coragem de romper o silêncio.
“Sua voz não ecoa apenas por si, mas por todas as mulheres e meninas que viram no seu relato u espelho de suas próprias dores silenciadas.”
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Denúncia de estupro
Em vídeo, Carolina descreveu o episódio que diz ter ocorrido em 2023, quando tinha 18 anos e cursava odontologia em São José dos Campos. Segundo ela, o crime aconteceu após aceitar uma carona oferecida por um professor, que não teve o nome mencionado.
A jovem, à época, morava em Taubaté e estudava em São José. Segundo o relato, uma noite, na saída da faculdade, o professor teria oferecido uma carona e ela entrou no carro. “Eu nem sei como cheguei em casa. Cheguei com as roupas todas rasgadas e toda machucada. Eu não conseguia falar com a minha mãe, só chorava”, relatou.
A advogada Luciana Borsoi disse que, no primeiro momento, a atitude da defesa foi dar “acolhimento técnico e humanizado” a Carolina e sua família.
“Entendemos que a denúncia é um ato de resistência em um sistema que, historicamente, descredibiliza a palavra da vítima”, disse a defensora.
“O relato de Carolina serviu com um necessário ‘abre-alas’, expondo a fragilidade institucional e o sentimento de impotência que aflige tantas outras alunas diante de seus algozes”, completou.
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‘Sou maior do que a violência que sofri’
Carolina publicou um texto nas redes sociais, nessa quinta-feira (7), para celebrar o próprio aniversário. Nele, ela diz que “ainda é uma menina” e que, apesar de tudo, “é feliz, sensível, cheia de sonhos, que ama viver apesar da dor”.
A dor a levou a deixar a universidade e adiar o sonho de ser dentista. A denúncia do estupro foi feita há duas semanas, por meio de um vídeo nas redes sociais. Segundo ela, o crime ocorreu em 2023, quando ela tinha 18 anos.
“Eu sou muito mais do que a violência que sofri”, disse Carolina, que reconheceu o trauma que o caso lhe trouxe.
Mobilização contra assédio e abuso
A denúncia de violência sexual feita por Carolina mobilizou centenas de estudantes da Unesp de São José dos Campos, que se reuniram na última segunda-feira (4) para prestar solidariedade à estudante e cobrar a universidade para pôr fim aos casos de assédio e abuso.
O caso também ganhou repercussão nacional, com ofícios encaminhados por parlamentares federais e estaduais cobrando apuração e rigor na punição por parte da Unesp.
Após a denúncia, outras estudantes também passaram a relatar episódios de assédio, ampliando o debate sobre segurança no ambiente universitário.
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Unesp afasta dois professores
A direção do ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) da Unesp, campus de São José dos Campos, informou que dois docentes citados em relatos de assédio foram afastados das atividades acadêmicas por 30 dias. O prazo poderá ser prorrogado, conforme o avanço das apurações.
A medida foi divulgada em nota oficial da universidade, após a repercussão de denúncias envolvendo situações de assédio e abuso no ambiente acadêmico.
Ainda segundo a universidade, todos os casos devidamente registrados são apurados conforme as normas institucionais e a legislação vigente. A direção ressaltou, no entanto, que sem a formalização da denúncia, a instituição não dispõe de meios para investigar oficialmente os episódios narrados.
A instituição informou que disponibiliza canais oficiais para acolhimento, orientação e encaminhamento de denúncias, com garantia de sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato. As denúncias podem ser formalizadas por meio da Ouvidoria Geral, da Ouvidoria Local e da Direção da Unidade.