CORRUPÇÃO POLICIAL

Operação do MP e PF prende policiais que ‘protegiam criminosos'

Por Da redação | São Paulo
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/TV Globo
Policiais civis participaram da ação conjunta com MP e PF
Policiais civis participaram da ação conjunta com MP e PF

Operação do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) em parceria com a Polícia Federal e a Corregedoria Geral da Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira (5), nove pessoas suspeitas de integrar um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que teria se instalado em departamentos estratégicos da Polícia Civil de São Paulo.

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A investigação, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, apura a participação de policiais, advogados e operadores financeiros. A ação foi batizada de ‘Operação Bazaar’.

De acordo com a decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o grupo teria transformado delegacias especializadas em um centro de negociações para garantir a impunidade de criminosos. Entre as medidas autorizadas estão prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados.

No total, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relativos a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis.

Policiais presos

Segundo informações, foram presos os investigadores Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, e Rogério Coichev Teixeira, do Serviço Aerotático, ambos com atuação na capital. Também foram detidos o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz e o delegado João Eduardo da Silva, ambos lotados na Delegacia do Jabaquara, na cidade de São Paulo.

Os quatro policiais civis foram encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil.

Entre os presos também está a doleira Meire Poza, que já havia sido alvo da Operação Lava Jato. Segundo as investigações, ela é apontada como responsável pela contabilidade do grupo. Poza foi levada para a sede da Polícia Federal.

Outras quatro pessoas também foram presas na operação: o advogado Antônio Carlos Ubaldo Júnior, que atuou por seis meses, entre 2023 e 2024, como assistente parlamentar comissionado de um deputado estadual; o também advogado Marlon Antônio Fontana; além de Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza.

Grupo criminoso

Segundo as investigações, o grupo criminoso era composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com extenso histórico de prática de atos de lavagem de capitais.

A organização atuava de forma coordenada para assegurar a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes. Para isso, fazia pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais.

O MP informou que a operação tem como objetivo romper a estrutura de proteção institucional indevida construída pelo grupo, bem como promover a responsabilização criminal dos envolvidos.

Por fim, em reunião conjunta com a Corregedoria da Polícia Civil, deliberou-se pela realização de correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas para promover a responsabilização disciplinar e apurar eventuais outros ilícitos ocorridos nas repartições.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que “a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”.

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