DI FRANCO

Vorcaro preso: é preciso enfrentar a podridão

Por Carlos Alberto Di Franco |
| Tempo de leitura: 1 min
Consultor do Grupo Estado, colunista dos jornais Estadão, OGlobo e Gazeta do Povo
Reprodução
Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro

A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, revela mais um capítulo inquietante da degradação institucional que corrói setores sensíveis da vida pública brasileira. As investigações da Polícia Federal apontam um cenário alarmante: Vorcaro mantinha uma espécie de “milícia privada” destinada a intimidar testemunhas, ex-funcionários e até jornalistas que investigavam o caso. Um dos operadores desse esquema receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar tarefas de coerção e ameaça.

Mas o aspecto mais grave não está apenas no comportamento de um banqueiro disposto a tudo para proteger seus interesses. O dado mais perturbador é a possível contaminação das próprias instituições que deveriam fiscalizá-lo. Segundo a investigação, Vorcaro mantinha diálogo direto e frequente com diretores do Banco Central responsáveis justamente pela supervisão da instituição financeira. Troca de mensagens, pedidos de orientação estratégica e envio prévio de documentos indicam uma proximidade absolutamente incompatível com a necessária independência do órgão regulador.

Não se trata apenas de um escândalo financeiro. É um sintoma de algo mais profundo: a infiltração de interesses privados nas engrenagens do Estado. Quando o fiscal passa a aconselhar o fiscalizado, o sistema deixa de funcionar.

O Brasil precisa reagir com firmeza. A recuperação da credibilidade institucional exige investigações rigorosas, punição exemplar dos culpados e uma limpeza moral nas estruturas públicas. A complacência com a corrupção e o tráfico de influência é o terreno fértil onde prospera a podridão. E a podridão, quando tolerada, contamina tudo.

Comentários

Comentários