Após ocupar territórios no Vale do Paraíba e no Litoral Norte, o CV (Comando Vermelho) ampliou sua ofensiva em São Paulo e passou a disputar áreas estratégicas do interior paulista, intensificando a guerra contra o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A expansão da facção carioca em território paulista, revelada por OVALE, foi confirmada por investigações do Ministério Público.
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Em 29 de janeiro, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em conjunto com a Polícia Militar, desencadeou a Operação Keravnos, para desarticular lideranças do PCC e do CV envolvidas em uma disputa violenta por pontos do tráfico nas regiões de Araras, Piracicaba, Rio Claro e Limeira.
Operação Keravnos mira líderes e foragidos
A ofensiva cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Criminal de Araras, com alvos em ao menos oito cidades do interior paulista, incluindo Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia.
O objetivo central da operação foi apreender armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos, além de mapear a hierarquia criminosa das facções. Entre os investigados estão lideranças regionais conhecidas como “Jet” e criminosos de alta periculosidade foragidos do sistema prisional.
A Justiça também autorizou a quebra de sigilo de dados telemáticos, medida considerada estratégica para interromper o envio de ordens criminosas, os chamados “salves”, emitidos pelas cúpulas das facções.
Guerra urbana e crimes de extrema violência
As investigações apontam que o conflito se intensificou após o CV tentar ocupar biqueiras antes controladas pelo PCC, instaurando um verdadeiro estado de guerra urbana. Desde 2022, o monitoramento policial identificou uma sequência de crimes brutais, incluindo execuções com fuzis, homicídios de lideranças, carbonização de corpos e até chacinas.
O material apreendido na Keravnos será analisado pelo Centro de Apoio à Execução (CAEx) do Ministério Público, que deve subsidiar novas denúncias e aprofundar a responsabilização criminal dos envolvidos.
Vale do Paraíba é epicentro da disputa
Como revelou OVALE, o avanço do Comando Vermelho começou pelo Vale do Paraíba e Litoral Norte, hoje considerados os territórios mais violentos do estado. Seis das dez cidades com maior taxa de homicídios em São Paulo estão nessas regiões.
OVALE revelou ainda, em 2018, que o CV aproveitou um vácuo deixado pelo PCC, que à época priorizava o tráfico internacional, para se infiltrar em cidades como Lorena, Bananal, Cruzeiro, Ubatuba e Caraguatatuba.
Contra-ataque do PCC
Com a expansão, o PCC reagiu. O resultado foi uma escalada de execuções, emboscadas e mortes, seguida por um breve período de trégua — que, segundo investigadores, voltou a ruir nos últimos anos.
“O PCC percebeu o avanço do CV e decidiu retomar o mercado local. A partir daí, começou a troca de ataques. Vários integrantes das duas facções foram mortos”, afirmou uma fonte ligada ao combate ao crime organizado.
Governo de SP reconhece presença de facções do RJ
Em entrevista exclusiva a OVALE, em abril de 2024, o governador Tarcísio de Freitas reconheceu oficialmente, pela primeira vez, a atuação de facções do Rio de Janeiro no Vale do Paraíba, citando não apenas o CV, mas também o Terceiro Comando (TC) e o Amigos dos Amigos (ADA).
“O Vale é mais violento porque há uma tentativa de invasão de facções do Rio e uma reação da facção que domina São Paulo. Cerca de 80% dos homicídios no Brasil estão ligados à disputa por pontos de tráfico”, afirmou.
Desde então, forças de segurança de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais mantêm integração inédita para monitorar movimentações criminosas, fechar rotas de fuga e conter a expansão das facções.