OVALE CAST

‘Estamos reduzindo a violência na RMVale', diz comandante da PM

Por Guilhermo Codazzi e Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 36 min
OVALE
Coronel Luiz Fernando Alves, comandante do CPI-1
Coronel Luiz Fernando Alves, comandante do CPI-1

Coronel Luiz Fernando Alves, comandante do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior), unidade responsável pela Polícia Militar nas 39 cidades do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, disse que as ações da PM e das demais forças de segurança, além da integração entre elas e com os municípios, foram os principais responsáveis pela redução dos indicadores criminais na região.

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Segundo ele, o crime vem sendo combatido cada vez mais de forma integrada, com uso de inteligência e tecnologia e com ações pontuais e estratégicas, visando combater especialmente o tráfico de drogas, o crime organizado e a disputa entre facções.

“Nós conseguimos reduzir os nossos indicadores de homicídio e levamos a percepção de segurança para a população”, disse o militar durante entrevista no OVALE Cast, podcast de OVALE.

“Outro indicador que muito incomoda a sociedade também caiu, que é a perturbação de sossego. Aquilo que era gerado para aquele cidadão que quer descansar, que trabalha, que precisa do seu horário para chegar na sua residência. Então, de forma muito pontual nós passamos a combater isso”, completou.

OVALE Cast contou com a participação do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves. O episódio está disponível nos canais de OVALE no Youtube Spotify, além das redes sociais e no site do jornal.

Desde 2010, a RMVale, de acordo com os dados da SSP, é a região administrativa de São Paulo com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes. Atualmente, de acordo com esses dados, a nossa região tem sete das 10 cidades com a maior taxa de homicídios no estado de São Paulo. Também os dados mostram quedas significativas nos índices de criminalidade nos últimos meses. Falando desse copo meio vazio, qual é a complexidade? Porque a nossa região há 15 anos ocupa esse posto de a região com a maior taxa de homicídios de São Paulo?

É um assunto importante pra gente debater. Nós fizemos um estudo científico das possíveis causas que arrastaram a nossa região para essa condição e também justificando o porquê, na atual conjuntura, nós estamos com as maiores quedas, não só na parte de homicídio, latrocínio e todos os outros indicadores aqui na nossa região.

É uma região complexa. Aqui nós temos as três maiores operação do Estado de São Paulo. Quais são? A Operação Verão, a Operação Inverno e a Operação Romeiros, que estamos em plena efetividade. Nós começamos dia 2 de setembro e vamos até 30 de novembro. E o ano passado nós movimentamos 20 milhões de pessoas. Uma população flutuante aqui para nossa região.

É lógico que é uma população extremamente importante, porque isso traz recurso para todas as cidades, mas também traz uma diversidade de possibilidades, principalmente na parte criminal. Além disso, a nossa região tem a maior extensão da rodovia Presidente Dutra, que é um eixo fundamental de ligação entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e uma interligação muito importante com Minas Gerais.

Isso também traz a possibilidade de diversos crimes, entre eles, o que já foi citado, o crime de homicídio. Então, entender como que acontece esse delito tão grave que impacta tanto a vida na sociedade fez com que a gente conseguisse implementar ações, principalmente em três eixos. Quais são esses eixos? A inteligência policial, como eu operacionalizo meu efetivo no terreno e a velocidade desta informação. Entendendo isso, nós passamos a combater. E os resultados apareceram de forma muito rápida.

Quando a gente se deparou com uma situação de um triplo homicídio ocorrido na cidade de Taubaté, no dia 3 de novembro de 2024, aquilo nos chamou a atenção. Uma sexta-feira, em torno de 20h30, eu me desloquei até o local para entender aquela complexidade do homicídio, que tanto impacta aqui a nossa região.

Bom, aquilo havia acontecido dentro de um estabelecimento hoje conhecido como adega. Entendendo isso, nós fomos estudar. Entender o que aquilo tinha de ponto focal com tantos homicídios aqui na nossa região.

Pasmem, 10% dos homicídios ocorridos na nossa região acontecem dentro de uma adega, dentro de um estabelecimento, que geralmente está funcionando de forma irregular, com horários irregulares, com atuação e atração criminosa muito grande, com lavagem de dinheiro, com faccionados de partidos criminosos, que usam aquele local ou para tráfico de drogas, homicídios e outros delitos. E 25% acontecem em até 100 metros desta localidade, e 52% em até 1 km.

A gente vai falar assim: “Ah, mas 1 km é longe". Mas a vítima ou o autor do homicídio estavam naquela localidade. Então, nós mostramos com isso uma atração criminosa muito grande desta localidade com tudo que vinha acontecendo na nossa região. Só alguns números, se me permitem.

No período de 8 de novembro até hoje, com esta operação muito simples, muito pontual de combate a esse tipo de ação criminosa, de novo, com envolvimento de facções criminosas, de criminosos constante nesses lugares, que geram todo esse problema social. Nós abordamos 112 mil pessoas dentro desses locais. Presos em flagrante, tivemos 2.144 presos aqui na nossa, na nossa região, 1.212 procurados dentro desses locais. Foram vistoriados 5.628 estabelecimentos. Drogas apreendidas: duas toneladas e o principal, 424 armas de fogo dentro dessas localidades.

Combatendo isso, nós conseguimos reduzir os nossos indicadores de homicídio e levamos a percepção de segurança para a população. Outro indicador que muito incomoda a sociedade também caiu, que é a perturbação de sossego. Aquilo que era gerado para aquele cidadão que quer descansar, que trabalha, que precisa do seu horário para chegar na sua residência. Então, de forma muito pontual nós passamos a combater isso.

Fora as organizações criminosas que tentam entrar no nosso estado e geram brigas de facções por pontos de drogas, venda de entorpecente e nós passamos a combater isso de forma muito pontual, usando inteligência, usando operações pontuais e com isso a gente vem conseguindo diminuir, não só o crime de homicídio, latrocínio, roubo e outros. Tentando tirar a nossa região deste triste e lamentável ranking.

Hoje, não só por mim, mas o que a Secretaria de Segurança Pública, o nosso secretário Guilherme Derrite, o nosso vice-governador que é daqui da nossa região, Felicio Ramuth, o governador Tarcísio [de Freitas], já se posicionaram e mostraram através de números que a nossa região não é a região mais violenta do estado.

Nesse um ano e meio de comando, nós conseguimos derrubar esses indicadores, colocando a região naquele estado que deve estar, uma região segura, uma região próspera, uma região que pode receber esse turismo, seja ele para o litoral, seja ele para a Serra da Mantiqueira ou na busca pelo turismo religioso.

Nesse estudo, vocês chegam a avaliar a vítima, quem está morrendo de homicídio, quem está matando, o quanto a facção tem responsabilidade sobre essas mortes, pessoas ligados a facções?

Que pergunta interessante. Sim, a gente fez um estudo. Hoje, 73% daquele que é vítima de homicídio tem uma reincidência criminal e por crimes graves, seja ele por roubo, por homicídio, por tráfico, por latrocínio. Então, 73% dos que morrem tem uma reincidência criminal. Isso mostra briga geralmente de facções, disputa por pontos infelizmente de drogas e aquela rivalidade que já vem de outros crimes, que ele foi para cometer realmente homicídio. Então, 73% dos que morrem hoje na nossa região têm uma reincidência criminal e estavam ligados por algum tipo de facção criminosa.

Em relação a essa questão das facções criminosas, o governador Tarcísio de Freitas deu uma entrevista a OVALE no ano passado, em abril, um pouquinho antes de o senhor assumir, ele concedeu uma entrevista para nós e falou sobre essa questão que o senhor pontuou. Que a nossa região faz a divisa com o Rio de Janeiro e com Minas Gerais, ela também estava sofrendo uma influência de facções cariocas, ele até cita o Comando Vermelho, que estava tentando entrar e ocupar territórios paulistas, em cidades próximas ali da região de Cruzeiro, Lorena, essa região de Guaratinguetá. Isso também foi detectado por vocês? Como isso foi combatido?

Está sendo combatido e continuará sendo combatido Por quê? É algo muito mutável e de uma velocidade impressionante. Por que a gente fala isso? Hoje nós temos um grupo muito sólido entre os comandantes de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Não só da parte da Polícia Militar. Nós promovemos junto com a Polícia Civil, e aqui o nosso Deinter-1 [Polícia Civil], o Dr. Múcio Mattos, que é um grande parceiro, um grande irmão. Os Deinter dos respectivos estados, promotoria, outras forças policiais. A Polícia Rodoviária Federal, as especializadas da Polícia Militar, Polícia Ambiental, Tropa de Choque, Comando de Policiamento Rodoviário, Comando de Aviação, uma sistemática de reuniões para plotar isso daí, entender essa migração do crime para as diversas regiões.

E um exemplo disso, nós mostramos através de várias prisões que foram feitas aqui no estado de São Paulo de marginais que eram de Minas ou Rio de Janeiro, que cometeram crimes naquela localidade e migraram aqui para o nosso estado, e vice-versa. Alguns marginais cometeram crimes aqui e estavam no estado de Minas ou Rio de Janeiro. Isso mostra a importância dos três eixos novamente, que precisam ser trabalhados constantemente.

A inteligência policial, isso daí é compartilhamento dessas informações entre os estados, entre as forças de segurança, aqueles que detêm o comando para combater isso. A velocidade dessa informação. Hoje, por exemplo, nós temos uma interligação muito rápida através do nosso Copom com Minas Gerais. Isso hoje já funciona e, através disso, tivemos uma prisão de um grupo de marginais aqui em São José dos Campos, que havia cometido uma tentativa de homicídio em Pouso Alegre.

Essa informação chegou para nós via Rede Rádio, nós conseguimos fazer o acompanhamento e prender aqui em São José dos Campos. Está aqui o nosso prefeito Anderson [Farias], tudo que é feito na cidade de São José dos Campos, da integração, das câmeras, da Polícia Militar. Nós utilizamos e consumimos as imagens de São José dos Campos e conseguimos efetivar a prisão.

E o acompanhamento fundamental desses faccionados que entram nos estados. E como que a gente detecta isso? Faccionados que eram presidiários, saíram do sistema prisional e migraram para outro estado. Então, isso hoje é feito um acompanhamento, não basta só saber, é importante promover ações de combate para que a gente consiga estancar essa entrada em um estado ou outro. Não é exclusividade de virem para o estado de São Paulo. Nós temos casos de migração de marginais do estado de São Paulo para o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A gente tem essa região das cidades de Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá, que estão entre as cidades com a maior taxa de homicídios do estado, que ficam justamente naquela região. Isso interfere na avaliação do senhor no número de homicídios, por exemplo? Pode haver conflitos entre facções que tentam entrar aqui em São Paulo e facções daqui da região que tentam impedir esse movimento?

Sem dúvida nenhuma. E aí a gente atrela um crime que ele se torna rainha de todos os outros crimes, que é o tráfico de drogas. Então, onde tem um tráfico acentuado, e a nossa região aqui, como eu já falei, pelo próprio eixo de rodovia Presidente Dutra, a interligação de Lorena com o Sul de Minas, através da rodovia que liga Lorena a Itajubá, são eixos que proporcionam esse intercâmbio de drogas.

Entender essa sistemática, combater isso daí, é o que vem fazendo com que tenhamos sucesso na redução, principalmente de homicídios. O número recorde de prisões aqui na nossa região. Só ano passado nós prendemos mais de 8.400 marginais aqui, e aí com um problema sério. Não só as prisões que foram efetuadas, mas a gente percebe que 75% desses que foram presos saíram.

Nós temos aí 75% de reincidência criminal em cima de um número absurdo. Então, nós prendemos muito, colocamos muitos marginais dentro do sistema prisional, mas com uma velocidade impressionante acabam saindo. Então, o que a gente entende sobre isso. A gente precisa mudar, não só a parte de combate propriamente dito, na ponta da linha. A gente precisa rever a nossa legislação. Rever Código Penal, Lei de Execuções Penais, Código de Processo Penal, que efetivamente o marginal cumpra a sua pena. Ele pague por aquele crime que ele cometeu contra a sociedade, contra o cidadão.

Falando agora do copo meio cheio. O número de homicídios neste ano, entre janeiro e julho, de acordo com SSP, caiu 10,75% aqui na nossa região, comparado com o mesmo período do ano passado. Os latrocínios recuaram 86% e os roubos caíram 25,88%. O senhor pode falar então quais medidas foram tomadas, pela Polícia Militar, para conseguir essa resolução consistente desses indicadores de violência aqui na região, tanto nos crimes contra a vida, também nos crimes patrimoniais?

É importante frisar e aí faço questão de colocar que não é um trabalho somente da Polícia Militar. Nós chegamos aqui com uma visão muito forte de combate à marginalidade, ao criminoso, ao crime na nossa região, mas para isso daí nós também fizemos a lição de casa que é a integração. A integração com a Polícia Civil, e aí novamente reforçar aqui meu abraço ao Dr. Múcio Mattos, a integração com os prefeitos, é isso daí a gente mostra e cita diversos casos aqui de sucesso.

São José dos Campos, Caraguatatuba, Lorena, Cruzeiro, Taubaté, Tremembé. Então, sim, as cidades hoje que vem nessa integração com a Polícia Militar, principalmente na parte de monitoramento, acompanhamento real time daquilo que está acontecendo na cidade, a gente tem a tendência de ter uma resposta mais rápida, eficiente, eficaz, quanto ao crime.

A ação da Polícia Militar é, lógico, fundamental. No ano passado, 85% daqueles que estão no sistema prisional saíram da ação do policial militar que está lá na ponta da linha. Mas toda essa integração faz com que tenhamos sucesso nas nossas ações. Então, gostaria de dizer, ações muito fortes contra o crime, contra o criminoso, ações planejadas de combate a essa marginalidade aqui na nossa região. Grandes operações planejadas. Não só com o nosso efetivo aqui, aliás, você já participou de muitas delas, trazendo efetivo e tropas especializadas em São Paulo, como a Tropa de Choque, Comando de Aviação, Comando de Ambiental, Comando Rodoviário. Porque o Comando Ambiental? Muitas vezes falam assim: "Ah, mas ele tem ligação com o crime"? Poxa, muito. Muitos crimes são cometidos na área rural. E acaba afetando aquele indicador da cidade.

Então, toda essa integração, Polícia Civil, Rodoviária Federal, vem mostrando uma situação de muito sucesso. E as cidades que apostaram nessa integração hoje com a Polícia Militar, não só na parte tecnológica, mas ampliação da atividade delegada, que é o policial contratado no seu horário de folga para prestar o serviço naquela cidade, nós aumentamos o nosso indicador de sucesso e a redução dos indicadores criminais.

Vou citar aqui um exemplo. São José dos Campos foi pioneira em apostar na ação da Polícia Militar habilitando 292 policiais militares para atuarem não só na parte criminal nas adegas, nesses estabelecimentos que geravam um indicador de criminal muito alto, mas também para atuar na parte administrativa. O que é isso? Com o poder de multar aquele local que estava fora do seu horário, que vendia bebidas de forma irregular, que fazia fechamento de vias públicas. Então, isso trouxe um sucesso para as nossas operações. Caraguatatuba foi no mesmo sentido, e os indicadores todos caíram lá. Então, nós habilitamos também para atuação lá. O policial hoje ele consegue autuar esses estabelecimentos irregulares em R$ 3.100.

Detalhe: tiveram situações que houve o reclame daqueles que se sentiram prejudicados, mas totalmente legítima e legal a ação da Polícia Militar. A promotoria lá se manifestou que em caso de reincidência a multa é de R$ 50 mil. E depois, colocando isso no papel nos números, nós mostramos a queda de todos os indicadores, a redução sistêmica da perturbação de sossego, levando qualidade de vida para a população. Então, acho que essas ações planejadas vêm mostrando um resultado, uma eficiência muito grande. Frisando novamente como é importante a integração com todas as forças policiais, com os municípios, principalmente com a ação do município de monitoramento da sua via.

Coronel, o senhor falou sobre a questão do apoio do município, enfim, uma força tarefa para combater a violência. Agora, a gente vê numa mesma região como a nossa realidades muito diferentes. São José dos Campos, por exemplo, tem um índice baixíssimo de homicídios por 100 mil habitantes, é o menor índice da sua série histórica. Se a gente comparar com o início do século, assombroso como caiu o índice de homicídios em São José dos Campos, por exemplo. E, do outro lado, a gente tem aí sete cidades no top 10 das cidades com maior índice de homicídios por 100 mil habitantes. Isso mostra que o combate ao crime não é apenas uma questão da polícia, não é só de segurança pública? Essas ações conjuntas, inclusive do poder público, elas fazem diferença no combate a esse tipo de crime?

Com certeza. Há pouco nós conversamos sobre isso. Vou levar só a teoria do Thomas Hobbes a respeito do Leviatã, que a força do Estado no combate a diversas situações, inclusive a parte criminal, nós vamos buscar um Estado que ele só busca repressão. Então nós não queremos isso. A polícia ela precisa existir como peça fundamental do Estado, nesse controle social, mas o município que ele tem as suas tomadas de decisão, para que ele tenha algo estruturado em todos os aspectos.

Seja ela em via pública, iluminação, conservadoria, fiscalização de postura, e, principalmente hoje, que a gente vê de monitoramento. Aliado às ações da Polícia Militar, as vitórias vêm. Então, os municípios que foram nesse caminho, hoje a gente vê que tem um sucesso maior. São José é um exemplo disso.

E aí uma administração que vem já a longa data. Desde o prefeito à época Felício Ramuth, na sequência, o nosso prefeito atual, o Anderson, junto com o meu irmão de turma, Coronel Wilker [vice-prefeito], promovendo essas ações estruturais para a cidade, de monitoramento, de fiscalização e com uma integração muito forte com a ação da Polícia Militar. Não basta só ação da Polícia Militar na ponta da linha para a reação de um crime.

A gente precisa pensar numa sociedade melhor que passe por todos esses aspectos. A segurança pública, quando bem planejada, bem estruturada, ela traz outros fatores benéficos para a sociedade. Ela traz a situação do empreendedor que quer ir para aquela localidade, ela diminui o custo com saúde pública. É o indivíduo que entra no sistema de saúde hoje, atingido por um disparo de arma de fogo, uma facada, uma paulada, ele custa muito caro para saúde.

Não é que ele não tem que ser atendido, muito pelo contrário, mas isso daí custa muito caro. Então, se a gente consegue evitar isso daí, eu diminuo o custo com saúde e ela pode ser revertida para outras situações mais indicadas e, principalmente, mais úteis para a sociedade. A educação melhora porque eu tenho uma atração do jovem para a escola. Eu retiro esse jovem da rua. Eu retiro a atração dele, infelizmente, para a situação de drogas.

Então é a segurança pública, o município funcionando, a tendência é que todas as outras ações funcionem também. São José dos Campos é um case de sucesso, é uma cidade que puxa, não só a nossa região, mas o estado, o país. Mostrando que boas ações promovidas pela prefeitura facilitam a ação da segurança pública da Polícia Militar. E aí, de novo, reforçar aqui, mandar um abraço para o prefeito Anderson, que é um grande parceiro, um grande aliado na segurança pública e principalmente com a Polícia Militar.

E só para complementar, foi feita uma cartilha, inclusive, em relação às boas políticas, boas práticas dos municípios. O senhor comentou que em relação à eleição, após a eleição, houve um convite para que os gestores pudessem acompanhar o que vocês entendem como boas práticas, que podem contribuir pro pra redução dos índices.

Sim, nós fizemos essa reunião pós-eleição e tivemos uma felicidade. Das 39 cidades aqui da nossa região, tivemos a representação de 59 prefeitos, vice-prefeitos ou só o prefeito ou só o vice ou ambos nessa reunião. Nós passamos uma cartilha daquilo que a gente precisava de forma conjunta, integrada, com as prefeituras pensando em uma sociedade melhor, em uma segurança pública melhor. E muito está sendo aplicado e ampliado. Nós estamos fazendo visitas constantes a esses municípios, a esses prefeitos.

Muito tem sido feito aqui na nossa região, como eu já falei de diversas ações aqui de prefeitos, e isso daí de forma integrada com a Polícia Militar vem dando muito certo. E fazer um elogio para nossa tropa, o nosso efetivo, o nosso policial militar, que está diuturnamente à rua, 24 horas por dia, 7 dias a semana, 365 dias do ano. Se você ligar o 190, terá um policial militar para te atender, que vem combatendo de forma muito forte o marginal, o crime, o criminoso, aquilo que aterrorizava a nossa região.

Então, se combate muito forte e com o apoio deste comandante. Acho que a gente não pode se furtar a apoiar aquele policial que está dentro do limite legal, mas com uma ação muito forte. A gente jamais vai aceitar o ser conivente com qualquer desvio de conduta. Mas aquele policial que está dentro das normas, da regra, da lei, deve sim ser apoiado e assim o será.

Coronel, depois de vários atrasos desde 2023, a Agemvale publicou o edital para contratação das câmeras de monitoramento do programa Muralha Paulista. Serão 350 câmeras mais 62 dispositivos ligados a elas aqui no Vale, que é a primeira região do estado a receber esse projeto do Cinturão Eletrônico. Todas as cidades terão câmeras, segundo o governo do Estado. Como é que vai funcionar esse projeto do Cinturão Eletrônico, coronel?

É um projeto extremamente importante, divulgado aqui na nossa região e aí a felicidade, a divulgação pelo nosso vice-governador Felício Ramuth lá no CPI, a respeito das 350 câmeras aqui na nossa região. Hoje já plotadas nas cidades, distribuídas de forma muito estratégica para se formar um cinturão e a importância do Muralha Paulista, não só do ponto de vista destas 350 câmeras, mas com a possibilidade de a gente agregar diversas outras câmeras, tanto municipais como no futuro particulares.

Isso vai gerar a possibilidade de eu consumir esses dados. O que é consumir esse banco de dados? A câmera ela me gera uma informação. Eu consegui, efetivamente, colocar isso na ponta da linha como uma informação importante para o policial militar atuar. Então, com a possibilidade de identificação facial de um procurado pela justiça, alguém que cometer o crime em determinado local e está circulando em outro.

Então, tudo isso dá aí gerando uma velocidade da atuação do policial militar, eu conseguindo otimizar os meios da segurança pública, para efetivamente levar para a sociedade aquilo que é tão importante, a proteção e o serviço do policial militar.

Aliás, os locais escolhidos para a instalação das câmeras foram escolhidos a partir do estudo da Polícia Militar? Vocês trabalharam antes e vão trabalhar com a informação depois, coronel?

Não só da Polícia Militar, mas de forma integrada, conjunta, fizemos sugestões daqueles locais, que entendíamos como pontos principais, fundamentais, quer seja por ações criminosas, quer seja por circulação de pessoas. Então, eu teria volume para observar e analisar, em entradas e saídas das cidades, para que a gente conseguisse formar um cinturão.

Então, o princípio foi esse e dentro daquelas possibilidades das 350 câmeras foram distribuídas, e aí de forma muito inteligente. Por exemplo, São José dos Campos vai receber talvez uma das menores quantidades de câmeras do sistema do Muralha Paulista. Por quê? Já tem uma quantidade muito grande do município que faz esse serviço e com a possibilidade de ser agregada ao Muralha Paulista. Todos os municípios foram atendidos, os 39 municípios da nossa região e com essa visão futura de agregar mais câmeras ao sistema do Muralha Paulista.

Quais ações nós já fizemos? Nós já implementamos aqui o projeto Vida, junto com o Judiciário que através de situações de latitude e longitude plotadas daquele marginal que está fora do sistema prisional, cumprindo pena não restritiva de liberdade, eu consigo identificar, fazer uma abordagem pontual. Nós colocamos já o Muralha Connect no celular, que através do aparelho do policial militar, ele consegue fazer uma identificação facial daquele indivíduo que está sendo abordado e tem um retorno muito rápido, tirando a possibilidade de eu apresentar um documento falso numa falsidade ideológica. Então, consigo ter um retorno muito rápido.

E um projeto muito importante aqui na nossa região, que foi capitaneado pelo Dr. Múcio, que é o projeto integrado Polícia 4.0. O que é isso? Eu consigo fazer flagrante de forma remota em diversos municípios. Isso daí me trouxe uma velocidade hoje no flagrante, eu consigo retornar com meu efetivo mais rápido para a rua. Libera o policial mais rápido. Libera o policial para a rua. Hoje nós conseguimos na Operação Verão. Fizemos sete flagrantes em Caraguatatuba, de forma simultânea em 2 horas.

Algo que era para durar mais de 12 horas, nós conseguimos retornar com as sete equipes em 2 horas para o policiamento, novamente mostrando essa importante integração. Integração com o Poder Judiciário, com a Polícia Civil, com a Polícia Rodoviária, com o Poder Municipal. Aí o prefeito, os presidentes de Câmaras, entendendo essas necessidades muitas vezes de mudança de legislação municipal. Então, acho que isso tudo vem mostrando um sucesso muito grande aqui para nossa região.

A inteligência artificial também é uma arma que pode ser usada contra o crime. Já é utilizada aqui? Como vocês encaram a utilização dessas ferramentas?

Acho que nós temos uma ação muito pontual, que inclusive foi encaminhado para vocês, e muito obrigado porque pautaram isso, publicaram. Uma ação que nós utilizamos diversas situações e ferramentas. E aí não só a inteligência artificial.

Fizemos uso de uma informação que nos foi passada através do telefone 181, o disque denúncia. Olha que interessante a ocorrência como ela foi gerada. Houve um disque denúncia que preservou a identificação daquele indivíduo que acreditou na Polícia Militar e fez aquela denúncia de uma ação criminosa. Uns criminosos que tinham invadido uma casa, retirado a família e usando aquele local como ponto de tráfico.

É, usamos a inteligência artificial para plotar aquele local e verificar a ação daqueles criminosos, fazendo um acompanhamento, um planejamento. Usamos o drone para verificar o melhor momento para uma operação policial. Com equipes posicionadas corretamente, conseguimos atuar e prender os três marginais traficantes naquele local, apreenderam uma quantidade de droga muito grande e deram uma resposta para a sociedade. Então, a gente mostra essa ferramenta extremamente importante.

Todas elas unidas para levar efetivamente a proteção, a segurança pública ao cidadão. E aí já aproveitar um gancho e citar dois telefones importantíssimos para nós e para a população: 190, para ações criminais que estão acontecendo naquele momento. Eu presenciei um roubo, eu presenciei um acidente de trânsito, eu presenciei alguma situação que precisa da atuação imediata, eu vou ligar o 190.

E o 181, de ações criminosas que perduram ao longo do tempo. É tráfico, é receptação de produtos criminosos, desmanche de veículos, descaminho, adulteração muitas vezes de combustível, bebidas. Então eu posso usar o telefone 181, fazer uma ação aí de uma denúncia anônima, preserva a identificação daquele que está denunciando e nos dá a possibilidade de usar a inteligência artificial para investigar e uma ação efetiva.

O senhor citou que foram três presos nessa operação. A gente fez uma conta com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública e, entre janeiro e julho deste ano, nós tivemos aqui na nossa região um total de 6.744 criminosos presos. A gente teve também 569 adolescentes apreendidos nesse período de 7 meses. Isso seria suficiente para a gente lotar 12 CDP's como o de São José dos Campos. E, ao mesmo tempo, inclusive o prefeito Anderson recentemente esteve aqui participando de OVALE Cast e contou o caso de um criminoso que já tinha sido preso 15 vezes furtando estabelecimentos comerciais. Então, de um lado a gente tem um volume gigantesco de prisões. Quase 7.000 presos só nos sete primeiros meses do ano, capaz de lotar 12 CDP's, uma reincidência grande. Como é que o senhor avalia essa questão da reincidência que traz uma sensação de enxugar gelo?

Aí eu vou me permitir até polemizar a questão. Vivemos há um tempo atrás uma frase falando que a polícia prende mal. É, o ano passado nós prendemos, como eu já falei, mais de 8.400 marginais só aqui na nossa região. Esse ano já passamos desse número. Fazemos essas prisões em flagrante, e apresentamos provas robustas daquele crime, muitas vezes crimes graves. Roubos, tráfico, homicídios. Destes, 75% saem de forma muito rápida e voltam a cometer crimes e crimes graves.

Então, as prisões são feitas de forma muito bem realizada pelas polícias. Sejam elas pela Polícia Civil, a Polícia Militar, Polícia Federal, Rodoviária Federal, as guardas [municipais] hoje tão importantes nos nossos municípios. As prisões são feitas. O que a gente precisa rever de forma muito urgente é a nossa legislação. A legislação ela permite, dentro de ações legais, muitas brechas que são utilizadas para que o marginal saia do seu cumprimento de pena e volte a cometer crimes.

A gente viu isso na saída temporária, o câncer hoje, infelizmente, ainda na sociedade. Diversos que foram presos em flagrante, cometendo crimes, alguns que foram vítimas de homicídio, um número altíssimo de descumprimento de medidas judiciais. Então, a nossa legislação precisa ser revista.

De acordo com os dados oficiais do Estado, houve um aumento no número de confrontos entre policiais e criminosos aqui na nossa região, com 25 mortes no primeiro semestre deste ano contra 17 nos primeiros seis meses do ano passado. Estão ocorrendo realmente mais confrontos com a polícia?

Bom, primeiro frisar que a opção disso daí é do marginal. Então, se ele reagir a uma ação legítima do policial militar, o policial é militar nosso ele é treinado, equipado e preparado, primeiro para garantir a segurança dele. Segundo, a da nossa sociedade e até mesmo daquele marginal que está delinquindo, cometendo um crime. Nós tivemos diversas ações que o marginal se rendeu prontamente e tivemos apreensão aqui, por exemplo, de arma de guerra, fuzil. De arma de grosso calibre, calibre 12, pistolas variadas.

Então, houve a sensação daquela ação criminosa, houve a ordem de prisão legítima do policial militar e aquele marginal ele foi preso e levado a justiça. Se ele oferecer reação de atirar contra o policial, de atingir qualquer integrante da população, da sociedade, o policial está preparado, treinado e equipado para efetivamente combater aquele crime e terá o nosso apoio dentro dos limites legais. Ação policial, ela vai existir. Então, o confronto é a opção do marginal. Se ele se render, ele será preso.

Se ele atirar contra o policial militar, é para o policial militar reagir, sim, e cessar aquela agressão. Acho que de forma muito simples, direta, é esta nossa forma de comandar. As ações são legítimas, apuradas, verificadas. Hoje, com o sistema que nós temos aqui, os nossos batalhões equipados com a câmara corporal, mostrando ainda mais a legitimidade desta ação.

Tivemos uma ação no final de semana, que também foi muito repercutida. Cinco marginais que entraram numa empresa na cidade de Canas. Houve uma ligação 190 identificando essa situação, a verificação do policial militar e um confronto, um marginal entrou em óbito com várias passagens. E uma filmagem, uma foto daquela localidade mostrava naquele grupo de marginal, mas vários com armas, vários com colete à prova de bala.

Então eles não foram lá somente para furtar aquele local. Eles estavam preparados para o confronto e assim o fizeram. E, infelizmente, nós não queremos isso, um marginal entrou em óbito, mas que bom que foi ele e não um policial militar, que bom que não foi um integrante da sociedade e a ordem foi restabelecida naquela localidade.

Coronel, o senhor falou sobre a questão da perturbação de sossego, a gente já falou sobre a questão das adegas. É, mas tem outra questão que tira o sono de muita gente, que são os fluxos. Como que é feito o combate a essa prática, a esses fluxos?

Ah, o fluxo, como é popularmente conhecida a interdição de via para utilização de som alto, bebidas e outras situações. O ideal é que a gente combata antes dele começar. Com ações de fiscalização, a famosa blitz, o bloqueio, a operação policial, para que ele não comece.

E também hoje com a fiscalização dessas adegas, desses locais irregulares que acabam tendo essa atração para esse fechamento de via. Então, o ideal é que ele não comece. Se ele começar, é importante que eu tenha uma operação muito bem planejada, muito bem coordenada e comandada para que a gente consiga debelar aquilo com menor impacto possível, seja para o policial militar, seja para aquele que está no fluxo e para a população.

Então, a partir do momento que eu tenho uma quantidade muito grande de indivíduos fazendo o fechamento de rua, eu preciso pensar como fazer aquela operação para que a gente não tenha a consequência danosa. Nós já tivemos situações que, infelizmente, durante uma ação, aconteceram situações de entrar em óbito aquele que estava naquela localidade, devido a uma ação.

Então, pensando nisso, as ações são planejadas, estruturadas para que a gente tenha a retirada daqueles indivíduos do fechamento de via com segurança.

As redes sociais hoje estão no dia a dia de praticamente todo mundo. E são muito usadas também para combinar esse tipo de ação. Isso também não escapa ao olhar de vocês?

Olha, nós temos o acompanhamento, sim, de diversas redes sociais, de diversas situações. Como eu falei, de novo frisando, a gente trabalha para impedir o início. E iniciado, eu preciso pensar numa forma segura, planejada para combater aquilo. É, principalmente pensando na forma de evacuar aquele local, com a condição de segurança da atuação para que a gente tenha um resultado positivo.

Coronel, outro dado também que preocupa bastante são os feminicídios. Os crimes contra as mulheres. Infelizmente, eles estão se tornando cada dia mais frequentes, não só aqui na região como no estado. Mesmo com as medidas protetivas que as mulheres conseguem na justiça. O que o senhor acha que precisa ser feito nessa área para proteger a mulher?

É uma pergunta interessante, importante, um ponto para a gente divulgar. Hoje nós temos aqui implementado na nossa região, inclusive pioneira, a cabine Lilás. O que é a cabine Lilás? A possibilidade de a mulher ligar o telefone 190, ela ser direcionada por um atendimento especializado, por uma policial militar para orientar como efetivamente conseguir fazer essa quebra desse ciclo de violência familiar, indicando os melhores caminhos, as melhores opções, um atendimento hoje do Estado humanizado para acolhimento dessa mulher, para que ela acredite que é possível ter a quebra desse ciclo de violência, porque é uma escalada, é uma agressão verbal, um tapa, um soco, a utilização de armas, infelizmente culminando com a situação do feminicídio.

Então, precisa primeiro, a vítima, a mulher, ela acreditar hoje naquilo que o Estado vem fazendo para proteger, para acolher, e denunciar isso daí para que a gente possa atuar.

Então, indico às mulheres que estão nessa situação, façam a ligação 190, peçam para ser direcionadas para a cabine Lilás, que ela terá um atendimento totalmente voltado de forma humanizada o acolhimento dela para que a gente consiga fazer essa quebra desse ciclo de violência que, como eu falei, infelizmente muitas vezes culmina com a situação de feminicídio.

É um crime bárbaro, um crime que infelizmente o companheiro que deveria promover a segurança dela o faz, muitas vezes totalmente fora do controle daquilo que nós temos hoje de polícia. A maioria desses crimes acontece dentro da sua residência. Então, um local fechado que impossibilita muitas vezes a ação de fiscalização, de preservação da mulher.

Temos diversas outras situações como, por exemplo, o uso daqueles que estão tornozelados, que não podem chegar próximo da mulher. Nós temos o controle disso e a fiscalização. O dispositivo utilizado no smartphone para mulher que tem a medida protetiva. Ela tem o acionamento direto com o nosso Copom, ela entra de forma prioritária para que a gente possa fazer o atendimento em situação de risco.

Então, o meu recado para aquela mulher que está nesta situação é: acredite na ação da Polícia Militar, acredite na ação do Estado, acredite naquilo que nós estamos fazendo, através da cabine Lilás para ter o acolhimento de forma humanizada, para que tenha-se a quebra desse ciclo tão pernicioso da violência doméstica.

Coronel, o senhor falou um pouquinho no começo do nosso papo sobre o tráfico de drogas e a posição central que ele ocupa na violência na nossa região. Tem gente que fala que ele é um motorzinho do crime. Tem muitos outros crimes que derivam do tráfico de drogas, seja homicídio, alguém que rouba para comprar droga, enfim. Ele é a prioridade, coronel, de combater? O senhor acha que combatendo o tráfico você acaba tendo reflexos nas outras modalidades criminosas também?

Eu não entendo como sendo um crime mais prioritário do que o outro. Crime ele é crime. Então para aquele que está sofrendo a ação criminosa, seja do tráfico, importunação sexual, a tentativa de roubo, a possibilidade de latrocínio é um crime. Então, para ele, aquela situação é prioritária. Muitas vezes aquele dependente químico é arrastado para diversos outros delitos, ele precisa ser tratado como dependente químico, mas infelizmente algumas situações ele comete crime e aí ele vai ser tratado como criminoso na medida daquele crime que ele cometeu.

A gente vê que todos os outros delitos têm uma ligação que esbarra no tráfico de entorpecentes. Então, combatendo o tráfico, indiretamente a gente passa a combater diversos outros delitos.

Vou pedir para o senhor virar um pouquinho a sua atenção para dentro agora. O senhor falou que quando vai o policial numa ocorrência, a segurança dele é a prioridade, depois a segurança das outras pessoas. A gente vê hoje dia, de algum tempo para cá, coronel, se falar em caso de saúde mental, com policiais tirando a própria vida, uma série de situações trágicas. Hoje deve ser ainda mais estressante do que sempre já foi a atividade policial com a exposição, rede social, cobrança. A questão da saúde mental se tornou uma questão perene hoje na polícia? O senhor se preocupa com isso, a tropa tem ajuda? Como é que funciona isso?

Absolutamente sim, é uma preocupação hoje institucional. Nós temos o Sismen, que é o Sistema de Saúde Mental da Polícia Militar. Nós temos o nosso CAPS, que é o atendimento psicossocial, nós temos o NAPS, que é o núcleo de atendimento psicossocial. Então, é de extrema importância essa saúde mental do policial militar, não só dele, mas de toda a sociedade.

Eu tenho algumas frases e algumas ações que são marcas do meu comando. Então, falando aqui de forma muito tranquila, porque isso vai repercutir e se eu falar mentira vai aparecer, né? Eu falo que são quatro pilares importantes para mim, para o meu efetivo. Então, olhando um pouquinho para dentro e olhando para o nosso efetivo, que é o término de quatro de todos os dias, esses quatro pilares têm que estar presente na vida do policial militar. Quais são?

Ele termina o dia bem fisicamente, mentalmente, juridicamente e espiritualmente. Se eu conseguir esses quatro pilares no término do dia do policial militar, eu tenho a certeza que ele vai chegar bem na sua casa, que ele vai ter sua folga gozada de forma íntegra e que ele vai retornar no outro dia para prestar um bom serviço para a sociedade.

Então, reforçando ele bem fisicamente, por isso que eu falei que uma situação de confronto, de combate, prioridade a ele. Eu não posso promover segurança para outro se eu não estiver seguro. Se eu não estiver bem. Que ele termine o seu dia bem mentalmente, então para que todas as ações, ele tenha a certeza de ter atuado dentro dos limites legais, eu atuei levando proteção para a sociedade, eu atuei como um ente tão importante nessa peça que é a segurança pública.

Bem juridicamente, que as ações dele estejam aparadas pelas leis, pelas normas, que é muito difícil. Nós respondemos a todos os códigos hoje para qualquer cidadão, Além disso, o Código Penal Militar, os regulamentos disciplinares, as ações que são de Inquérito Policial Militar, infelizmente, às vezes, conselho de justificação que vai verificar se ele pode ou não continuar na instituição oficial, conselho de disciplina para aqueles que são praça, então ele precisa estar bem nisso e finalmente bem de forma espiritual, que ele esteja tranquilo consigo, dentro da sua crença, sabendo que ele fez o melhor para a nossa sociedade.

Então, a preocupação hoje, desta forma, é constante, é aplicada pelo comando, entendendo que nos casos dele buscar uma ajuda para sua saúde mental, é como se ele estivesse buscando uma ajuda, por exemplo, para um problema renal, um problema cardíaco. Então, a saúde mental hoje, ela faz parte dentro desse complexo de saúde tão importante.

Para a gente quebrar esse estigma, né? De quem procura o psicólogo, o psiquiatra, é louco. Não, ele não é louco. Ele precisa de acompanhamento porque muitas vezes ele não está passando por um bom momento. Então, preciso desse policial bem íntegro para que ele possa servir e proteger a nossa sociedade.

Comandante, para a gente finalizar o nosso bate-papo, eu queria saber que meta o senhor ainda deseja conquistar à frente do CPI-1? Quais são as metas que o senhor estipula, que o senhor almeja em relação à redução dos índices criminais. Quais são os próximos desafios que o senhor pretende encarar na nossa região?

Bom, primeiro, acho que para responder isso é acreditar que a confiança do nosso governador Tarcísio, do nosso vice-governador Felício Ramuth, do secretário de segurança pública Guilherme Derrite, do meu comandante-geral, Coronel Coutinho, por me creditar a possibilidade de comandar essa região tão importante para o estado.

A meta é deixar ações estruturantes, ações sólidas, para que a gente tenha a redução constante dos nossos indicadores. A busca não é só por bater recorde, não é só para buscar um mês melhor, uma semana melhor, mas sim para que a gente possa ter um ano melhor, uma década melhor, para que outros possam chegar no futuro, dar continuidade para um trabalho, de forma estruturante, de forma integrada com os municípios, entendendo que segurança pública é essa integração tão importante, que a Polícia Militar, o policial militar ele faz parte desse complexo cenário de segurança pública muito importante, porque ele está presente na sociedade.

Eu costumo falar que o policial militar é o estado visível para o cidadão. Porque ele está fardado, ele está identificado, ele está no dia a dia, ele está ligado através de um telefone 190 que o cidadão vai ligar e ele tem a certeza que vai ser atendido. Então, acho que o grande desafio é esse.

Que a gente consiga estruturar para que os indicadores continuem caindo, para que a nossa região continue de forma muito pungente sendo uma região, extremamente importante no estado. Uma região belíssima que a gente consiga levar para a sociedade tão importante proteção, a segurança. Para que a nossa vida em sociedade seja cada vez melhor. Acho que esse é o nosso desejo, que a gente consiga cada vez mais servir e proteger. Porque eu também faço parte dessa sociedade.

Então, o nosso desejo é esse. E portas abertas para vocês de forma muito transparente, de forma muito tranquila. Não só para mostrar o copo meio cheio, mas também para mostrar o copo meio vazio. A opinião do jornalista, da imprensa, da sociedade é muito importante para que a gente possa corrigir os nossos rumos. Cada vez mais trabalhar de forma melhor para todos.

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