VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

SJC: Suplente de vereador terá que indenizar ex por danos morais

Por Julio Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Ameaça de Ademir Pereira à então esposa foi registrada em vídeo
Ameaça de Ademir Pereira à então esposa foi registrada em vídeo

A Justiça condenou Ademir Rodrigues Pereira, que é suplente de vereador em São José dos Campos pelo PRD, a pagar uma indenização de R$ 50 mil à ex-esposa, por danos morais. Na ação, que foi considerada procedente, a mulher afirmou ter sido vítima de violência doméstica, com agressões morais e físicas.

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O processo tramita em segredo de justiça, mas a reportagem obteve acesso à sentença, que foi expedida na última segunda-feira (25) pelo juiz Luís Mauricio Sodré de Oliveira, da 3ª Vara Cível de São José.

Na sentença, o juiz ressaltou que a acusação contra Ademir já havia sido analisada na esfera criminal, que o condenou por ameaçar a ex-esposa. No fim de maio, nesse outro processo, o suplente de vereador recebeu da Justiça uma pena de um mês e cinco dias de detenção, em regime aberto, e de pagamento de indenização de R$ 1.000.

Agora, na esfera cível, Ademir foi condenado a pagar outra indenização, de R$ 50 mil. "Essa indenização, que não sei quando e nem como irá ser paga, não irá me deixar rica e muito menos deixará ele [Ademir] pobre, mas tem um caráter punitivo e educativo, e busca compensar toda dor e sofrimento que durou por mais de 20 anos. E espero que desestimule esse agressor a não cometer novos atos de violência com mais ninguém", disse a ex-esposa dele, Ana Maria Braga.

Questionado pela reportagem nessa quarta-feira (27), Ademir não havia se manifestado até a publicação do texto. O espaço segue aberto. À Justiça, o suplente havia negado a acusação de violência doméstica.

Ameaça.

As ameaças foram feitas no dia 4 de dezembro de 2022, como mostra uma gravação feita por uma câmera que havia sido instalada na sala da casa em que Ademir morava com a então esposa e com a filha, que à época tinha 16 anos (veja o vídeo abaixo).

No começo da gravação, que tem 8 minutos e 43 segundos, Ademir surge com voz pastosa e começa a discutir com a então esposa por questões relacionadas aos carros do casal. Ana disse à reportagem que o marido estava embriagado - OVALE optou por reproduzir apenas um trecho do vídeo, para preservar a intimidade da mulher e da filha; e como a jovem era menor de idade à época, a imagem foi borrada nos momentos em que a menina aparece na gravação.

Em certo momento da conversa, Ademir fica exaltado e diz: "você está brincando com fogo, você não me conhece". A mulher pergunta então se ele iria bater nela, e Ademir responde: "vou dar um tiro na sua cara". Nesse momento, a filha do casal intervém.

Mais para a frente, após Ademir negar que tivesse dito que daria um tiro na cara da esposa, a mulher mostra que a câmera de segurança da sala teria gravado a conversa. Ademir, então, parece desferir um golpe em direção ao equipamento, que para de gravar. Segundo Ana, o então marido também teria dito que iria "meter um machado na sua cabeça" e que iria "quebrar o seu pescoço".

Câmara.

Na eleição de 2020, Ademir recebeu 2.009 votos e ficou como segundo suplente do PTB, o atual PRD (Partido Renovação Democrática).

Na eleição de 2024, também pelo PRD, recebeu 2.236 votos e ficou como quinto suplente da legenda. O partido integra a base de apoio ao governo do prefeito Anderson Farias (PSD).

Ademir é afilhado político do ex-vereador e ex-deputado estadual Alexandre da Farmácia, que é o presidente do diretório municipal do PRD.

Prefeitura.

Ademir foi funcionário de carreira da Prefeitura entre 1983 e maio de 2024, quando foi aposentado - a aposentadoria foi oficializada logo após o caso de ameaça vir à tona.

Antes, em março de 2023, Ademir foi punido com 29 dias de suspensão por envolvimento no caso em que houve cobrança indevida de valores a uma moradora que tentava regularizar uma obra na casa dela. Além da suspensão, Ademir foi exonerado do cargo comissionado de supervisor que ocupava à época e voltou para o cargo efetivo de comprador, na Secretaria de Manutenção da Cidade, no qual se aposentou no ano passado.

Apesar da infração administrativa e de ser réu por ameaça, em fevereiro de 2025 Ademir voltou à Prefeitura, em novo cargo comissionado, de assessor especial de serviços regionais, na Secretaria de Manutenção da Cidade, com salário de R$ 8.942,33. Ele foi exonerado do cargo no dia 12 de junho, 10 dias após OVALE revelar a condenação criminal por ameaçar a ex-esposa.

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