A Embraer disse que conta com um “parceiro relevante” para produzir o cargueiro multimissão KC-390 Millennium nos Estados Unidos. A parceria será fundamental para a operação caso a fabricante brasileira feche a venda da aeronave para a Força Aérea Americana, cujas tratativas estão em andamento.
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Em audioconferência com investidores e jornalistas nesta terça-feira (5), o presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse que a companhia reforçou a equipe nos EUA e que trabalha com a Força Aérea Americana para vender o cargueiro, que tem conquistado mercados importantes e influentes na Europa.
“Avançamos as conversas com um parceiro relevante para produzir a aeronave nos EUA, assim que [o negócio for fechado] com a Força Aérea”, disse Gomes Neto.
O executivo disse que o investimento previsto nos Estados Unidos é de US$ 1 bilhão, incluindo a montagem do KC-390, o que poderia gerar 2.000 empregos nos EUA.
"Estamos otimistas para um desfecho positivo com relação às tarifas nos Estados Unidos. O foco é restaurar a tarifa zero e ficamos felizes de passar de 50% para 10%, mas estamos nos esforçando para restaurar a tarifa zero e já vemos precedentes no mercado", afirmou o presidente da Embraer.
Tarifa zero.
O KC-380 também é uma das estrelas da Embraer para convencer o governo americano a retomar a tarifa zero para produtos do segmento aeroespacial. Atualmente, a empresa brasileira é taxada em 10% ao exportar para os EUA, tendo ficado de fora da sobretaxa de 40% que elevaria o índice para 50%, inviabilizando negócios e causando prejuízo bilionário e demissão em massa.
Gomes Neto disse que aviões da Embraer transportam 100 milhões de passageiros nos EUA por ano, gerando 13 mil empregos no país. A operação ainda deve gerar mais 5.000 novos postos de trabalho até 2030.
Na avaliação do CEO, a importância da Embraer para o mercado americano foi crucial para a empresa ter ficado de fora do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump. Agora a luta é para reconquistar a tarifa zero.
“Temos investimentos anunciados em Melbourne [Flórida] e em Dallas [Texas] e eles são base para apoiar o retorno da tarifa zero. Estamos dividindo isso com eles. Se eles colocam tarifa, bloqueiam nossa produção e isso limita investimento, produção e a compra de insumos nos EUA. Insisto na tese da robustez econômica, as tarifas não prejudicam apenas a Embraer, mas o mercado americano também”, disse Gomes Neto.
Comentários
2 Comentários
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Fernando 06/08/2025No começo dos anos 2000, com \'parceiro relevante\', foi fabricar ERJ145 na China. Eles aprenderam, chutaram a Embraer e agora estão com a COMAC. Levar o KC para os EUA, facilitará o acesso da Boeing aos funcionários e conhecimento. Quando os EUA estiverem fabricando aviões melhores que o KC, chutarão a Embraer de lá. Pelo visto, ela não aprendeu com a sua história. -
Alexandre 06/08/2025Se o parceiro relevante por americano melhor ainda, facilita as negociações. Ocorre que se a Embraer se instalar nos EUA para produzir o KC-390 deixa de ser uma necessidade instalar fábricas na Índia e na Arábia Saudita caso a venda de várias dezenas de unidades se confirme nos próximos anos. Os EUA tem um poder geopolítico que o Brasil não tem. Portanto, existem possibilidades de venda que vão além da estratégica Forças Armadas Americana. Todos ganham.