CASO LEONARDO

Em meio a drama de desaparecimento, pais de Leonardo sofrem com ataques nas redes

Por Patrick C. Santos | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
OVALE
Arquivo pessoal
Leonardo, pais e outros familiares em rodoviária. Foto de 2017, quando jovem foi para Minas começar a faculdade
Leonardo, pais e outros familiares em rodoviária. Foto de 2017, quando jovem foi para Minas começar a faculdade

A família de Leonardo de Prado Moreno, de 22 anos, desaparecido em São José dos Campos há quase um mês, virou alvo de duras acusações sem provas nas redes sociais desde a última semana, incluindo a de que os pais teriam matado e enterrado o universitário. No entanto, a hipótese é totalmente descartada pela Deic (Delegacia de Investigações Criminais).

Sob orientação da polícia, os parentes do jovem evitaram expor o caso à mídia nacional para que as investigações não fossem comprometidas. A posição adotada, porém, foi vista como de caráter negligente e passivo por alguns internautas.

"Quando eu vi os ataques na internet, falando que nós [mãe e pai de Léo] tínhamos matado e enterrado nosso filho, eu quase tive um troço", lamenta Maria Francisca, mãe de Léo e porta-voz da família Moreno.

A posição da família foi compartilhada por uma amiga do universitário no Twitter. Algumas respostas facilmente encontradas na publicação são: "Não querem achar?", "Isso não faz o menor sentido", "Eu acho que a própria família deu um fim nele e nada tira isso da minha cabeça", "Aí tem coisa!", "Não vou dizer o que penso, pois não tenho dinheiro para advogados".

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Os ataques começaram no último dia 12 e, pouco depois, dona Francisca entrou em contato com OVALE para alertar sobre a abertura de uma possível ação judicial contra os acusadores. "É um absurdo o que estão dizendo sobre a gente. Ninguém sabe a dor que a gente está passando", disse.

Francisca comentou sobre não estar com a saúde muito boa, mas também que não poderia 'ficar calada em meio a toda essa sujeira'. "Se eles tem o direito de falar o que quer, eles também vão ter o direito de receber o que merecem", proclamou.

Nesta quarta-feira (18), no entanto, os parentes do jovem resolveram dar entrevistas a outros portais de notícias, incluindo a canais de TV com alcance nacional. A decisão foi tomada após uma série de incertezas e debates feitos com as equipes da Polícia Civil.

"Eu me lembrei: não posso perder o foco. Eu estou com a verdade. Eu tenho provas comigo e eu não sou culpada de nada", disse a mãe de Léo sobre as ações judiciais, que não chegaram a ser feitas.

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Falando pelo marido, Francisca diz que todos estão 'tranquilos e com a consciência limpa'. "Quando começou a chegar essas mensagens eu fiquei assim... Mas depois eu ponderei, como sou uma mulher de Deus, e separei palavras de ações (...) Vou passar por essa tempestade e sei que vão vir ataques de vários lugares, mas eu sigo firme em Deus", finalizou.

A informação de que Leonardo foi filmado entrando no Parque da Cidade, na zona norte de São José, foi confirmada na última segunda-feira (16). Desde sexta (13), porém, a Deic (Delegacia de Investigações Criminais) realiza buscas na região através de câmeras, cães farejadores e drones. Nenhuma nova pista, no entanto, foi encontrada até o momento.

Investigadores da Polícia Civil devem se reunir com amigos do desaparecido neste domingo (22) em um mutirão de buscas.

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HISTÓRICO DO CASO.
Léo, como é chamado por pessoas próximas, desapareceu na manhã do último dia 23 de dezembro na zona norte de São José. Ele saiu de casa, na Vila Sinhá, e foi visto pela última vez entrando no Parque da Cidade às 9h.

O jovem é joseense, mas se mudou para Belo Horizonte (MG) há cinco anos por conta da faculdade. Em dezembro, veio ao Vale para passar o Natal com a família, mas mentiu ao dizer que sairia para almoçar com uma amiga e, desde então, não deu mais notícias. Pouco antes, ele enviou um áudio em tom de despedida para amigos e familiares.

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Um dos prováveis motivos para o sumiço do jovem, segundo a polícia, seria uma desilusão amorosa sofrida pelo mesmo, que fazia tratamento contra a depressão e havia terminado um relacionamento de dois anos com um ex-namorado de BH.

Na noite anterior ao desaparecimento, Léo teria ficado sabendo, durante uma festa em São José, que o ex-companheiro havia o traído enquanto estavam juntos. Ele voltou para casa, chorou e foi consolado pela mãe, que inclusive dormiu com o filho para acalmá-lo. Na manhã seguinte, Léo parecia melhor, mas a polícia descobriu que ele pesquisou tópicos relacionados a suicídio antes de sumir.

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