O Pico do Marins, na cidade de Piquete, local de desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio, que se tornou um dos maiores mistérios brasileiros, foi palco de outro desaparecimento há três anos. Em 2018, o francês Eric Welterlin decidiu subir o local sozinho e desapareceu por mais de 15 dias.
O homem de 54 anos saiu de casa no dia 16 de abril daquele ano para fazer uma trilha até o Pico do Marins. Ele treinava e competia corrida de montanha e já estava familiarizado com a trilha, tendo feito a subida e descida outras vezes.
Quando ele não deu mais notícias, sua esposa informou às autoridades que ele poderia ter se perdido no local. O Corpo de Bombeiros realizou uma força-tarefa para procurá-lo, que mobilizou cerca de 500 homens, cães farejadores e drones.
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Na época, as equipes vasculharam cerca de 150 km² no entorno do pico. Apesar do empenho, o corpo dele não foi encontrado e as buscas foram encerradas. Apenas dois dias após o encerramento, o corpo do francês foi encontrado no fundo de um abismo, próximo a um riacho, na face sul do Marins, por um fazendeiro.
A Polícia Civil chegou à conclusão que ele morreu de hipotermia. O esportista teria se perdido e, como tinha poucos recursos, como comida e roupas adequadas para o frio, acabou falecendo.
A alta temporada de visitas ao Pico do Marins começa em maio. O local possui de 2.420 metros de altitude e apesar de se tratar de uma trilha relativamente fácil para quem já tem prática de montanhismo, especialistas afirmam ser extremamente arriscado fazê-la sem companhia.
MARCO AURÉLIO.
Assim como o francês Eric Welterin, o escoteiro Marco Aurélio Simon também desceu a trilha do Pico do Marins sozinho. Ele e outros companheiros haviam iniciado há trilha há algumas horas, contudo, um dos escoteiros fraturou o pé e não pode continuar a subida.
Marco Aurélio, de 15 anos, era o líder do grupo e se ofereceu para ir na frente durante a descida do grupo. Enquanto seus colegas carregavam o menino ferido, Marco Aurélio iria descer a montanha sozinho, à procura de alguém que pudesse auxiliá-los.
Contudo, durante a descida, o grupo seguiu um por um caminho alternativo e se perdeu de Marco Aurélio. Ao chegar ao acampamento onde estavam ficando, o grupo avistou a mochila de Marco fora da barraca, mas mão encontraram o escoteiro.
As buscas por Marco Aurélio se estenderam por 28 dias e reuniram aproximadamente 300 pessoas, entre policiais civis, militares, mateiros, espeleólogos (especialistas em grutas e cavernas), alpinistas, além de aeronaves. Nenhuma pista do paradeiro do escoteiro foi encontrada.
REABERTURA.
Uma nova escavação será feita na base do Pico dos Marins, em Piquete, local onde o escoteiro Marco Aurélio desapareceu em 1985 durante uma expedição até o topo da montanha. O inquérito sobre o desaparecimento do menino, que tinha 15 anos na época, foi reaberto em 2021. O pedido de reabertura teve como base relatos de uma filha do antigo proprietário da área onde os escoteiros haviam acampado. As declarações dela levantaram a hipótese de que Marco Aurélio poderia ter sido morto e enterrado no local.
Com a abertura do inquérito, uma área foi escavada em julho de 2021, dentro do imóvel onde morava o antigo proprietário, mas nada foi encontrado. Dessa vez, a escavação será em uma área externa, que é de proteção ambiental - devido à necessidade de licenças dos órgãos ambientais, foi preciso esperar quase um ano e meio para essa ação.
A escavação será feita na manhã da próxima quarta-feira (16).