Uma pesquisa publicada no BMJ identificou 24 possíveis cascatas de prescrição que merecem atenção no tratamento de pessoas mais velhas. O levantamento analisou dados de 2.297.942 pessoas com 66 anos ou mais em Ontário, no Canadá, e procurou situações em que o início de um medicamento foi seguido pela prescrição de outro que pode estar relacionado a um efeito do primeiro.
Esse tipo de sequência ocorre quando um novo sintoma ou alteração é interpretado como um problema de saúde diferente, sem que a possibilidade de reação ao medicamento já utilizado seja considerada inicialmente. Assim, outro remédio pode ser acrescentado ao tratamento, aumentando a quantidade de medicamentos utilizados e tornando o acompanhamento ainda mais complexo.
Entre as sequências que apresentaram maior incidência no levantamento estão o uso de suplemento de ferro seguido de laxante, observado em 11,9% dos casos analisados dentro desse padrão; medicamentos da classe das estatinas seguidos de analgésicos, com 10,9%; e medicamentos inibidores de colinesterase seguidos de remédios para dormir, com 10,3%. Os pesquisadores ressaltam que esses dados apontam padrões que precisam ser avaliados clinicamente, e não que as combinações sejam necessariamente inadequadas para todos os pacientes.
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Por que acompanhar a sequência dos remédios

A pesquisa utilizou três critérios para selecionar as sequências consideradas prioritárias: a frequência de uso do primeiro medicamento na população, a ocorrência da prescrição seguinte e a força da associação temporal entre os dois tratamentos. Dos padrões avaliados, 24 atenderam simultaneamente aos critérios estabelecidos pelos pesquisadores.
Os dados também mostram que os medicamentos cardiovasculares apareceram com frequência entre aqueles que iniciavam as sequências identificadas. A associação temporal mais forte foi observada entre corticosteroides e antipsicóticos, seguida por laxantes e antidiarreicos e por inibidores de colinesterase e medicamentos contra náuseas.
Para o paciente e a família, o estudo reforça a importância de informar ao profissional de saúde todos os medicamentos em uso e, quando possível, quando cada um foi iniciado e por qual motivo. A avaliação individual continua sendo necessária antes de qualquer mudança no tratamento, já que a presença de dois medicamentos em sequência não significa, por si só, que um deles deva ser interrompido. A lista identificada pelos pesquisadores pode servir como apoio para iniciativas de revisão e redução de medicamentos potencialmente inadequados em pessoas mais velhas.