Professores e estudantes decidiram encerrar a greve na Unicamp após quase um mês de paralisação. O fim do movimento dos docentes foi aprovado em assembleia extraordinária realizada nesta quinta-feira (11), depois da apresentação de uma nova proposta de reajuste salarial de 3,92%.
- Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.
A proposta foi definida em reunião realizada na quarta-feira (10) entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis, que representa entidades ligadas às universidades estaduais paulistas. A paralisação estudantil também foi encerrada em assembleia geral, após o movimento avaliar que parte importante das reivindicações foi atendida.
A decisão dos estudantes ainda deverá ser ratificada em assembleias locais. A expectativa é que, depois dessa etapa, ocorra a desocupação do prédio da Diretoria Geral de Administração (DGA), ocupado desde o dia 8 de junho.
Em publicação nas redes sociais, o DCE da Unicamp afirmou que os estudantes aprovaram as pautas de reivindicação apresentadas na mesa de negociação com a Reitoria. Para a entidade, a ocupação da DGA foi decisiva para reabrir o diálogo. “Após mais de um mês de greve unificada dos 3 setores, es estudantes aprovaram as pautas de reivindicações na mesa de negociação com a reitoria. Importante salientar que essa mesa de negociação se deu através de muita luta e a ocupação da DGA que fez com que a reitoria reabrisse o diálogo com es estudantes. Conquistamos o avanço nas principais pautas da nossa greve e fizemos uma reviravolta na Unicamp”, publicou o Diretório Central dos Estudantes.

Reprodução/Instagram
O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, afirmou que recebeu com satisfação a decisão dos movimentos. “Eu vivi muitos momentos como este na Unicamp. Acho que isso faz parte da vida universitária, onde é natural que as pessoas se manifestem e defendam seus pontos de vista”, disse.
Montagner também afirmou que as reivindicações precisam ser observadas com atenção, mesmo quando nem todas podem ser atendidas pela universidade. “Movimentos como esses precisam ser observados com olhos cuidadosos por representarem manifestações legítimas. Algumas das reivindicações a gente não consegue atender, muitas vezes por conta de restrições orçamentárias, mas boa parte delas traz luz para que possamos avançar”, afirmou.
Segundo o reitor, as universidades estaduais enfrentam um cenário financeiro mais difícil, especialmente Unesp e Unicamp. “Vivemos um momento de frustração de arrecadação, o que significa dizer que as universidades atravessam um período de dificuldade – em especial a Unesp e a Unicamp, que têm uma situação financeira diferente da USP”, declarou.

Divulgação/Unicamp
Entre os avanços apontados pela Reitoria estão encaminhamentos para uma política de moradia no campus de Limeira e indicativos de aperfeiçoamento na distribuição dos auxílios de permanência estudantil. Pautas específicas de unidades da Unicamp ainda serão discutidas separadamente.
No caso do Instituto de Artes, uma das demandas envolve o Paviartes. Segundo a universidade, a reconstrução do espaço já está em andamento, com previsão de início das obras de reforma em 20 de junho.
“É importante dizer que a Reitoria sempre está aberta a ouvir os estudantes e a entender suas demandas. E está aberta, também, a atender essas demandas dentro de um quadro de responsabilidade institucional, orçamentária e política”, afirmou Donato.
Com o encerramento da greve, a expectativa é de normalização gradual das atividades acadêmicas e administrativas, especialmente após a ratificação das decisões estudantis nas assembleias locais e a desocupação da DGA.