O reajuste da tarifa do transporte público de Campinas entrou na mira do Ministério Público de São Paulo. A Promotoria instaurou um inquérito civil para apurar se o aumento aplicado no início deste ano foi devidamente justificado pelos dados econômicos e contábeis do sistema.
- Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.
Desde 1º de janeiro de 2026, o valor do Bilhete Único Comum passou para R$ 6, enquanto o vale-transporte e a compra avulsa subiram para R$ 6,50. Em relação aos valores praticados em 2025, o aumento foi de R$ 0,30, o que representa variação entre 4,83% e 5,26%, dependendo da modalidade de pagamento. Os percentuais ficaram acima da inflação acumulada no ano passado, de 4,26%.
A apuração também alcança os subsídios pagos ao transporte coletivo. Segundo as informações levadas ao MP, os repasses públicos ao sistema passaram de R$ 139,5 milhões para R$ 218,4 milhões ao longo de 2025, uma elevação de 56,5%. Esse crescimento, somado ao reajuste tarifário, levou a Promotoria a solicitar à Emdec as planilhas e os dados contábeis usados para embasar a nova tarifa.
O material encaminhado pela empresa municipal foi analisado pelo Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEx), órgão técnico do Ministério Público. A avaliação apontou inconsistências em somatórias de valores e indicou que os documentos apresentados não eram suficientes para uma conclusão sobre a legalidade do aumento.
A instauração do inquérito foi comemorada pela vereadora Mariana Conti (PSOL), que afirmou ter apresentado a denúncia em janeiro. Nas redes sociais, a parlamentar voltou a criticar o modelo de financiamento do transporte público em Campinas e associou o caso à discussão sobre os subsídios pagos às empresas.
“Ministério Público acatou nossa denúncia, feita em janeiro deste ano, e instaurou um inquérito para investigar o aumento abusivo dos subsídios, pagos com dinheiro público para as empresas, e o reajuste da tarifa em Campinas. Seguiremos acompanhando as investigações e lutando contra a Máfia dos Transportes, pelo direito do povo a um transporte digno, e pela Tarifa Zero”, publicou Mariana.
Posicionamento da EMDEC
A Administração municipal vem fornecendo toda a documentação solicitada pelo Ministério Público, a partir dos estudos de composição da tarifa realizados pela Emdec e pela Setransp. E reforça que os índices aplicados às tarifas do transporte público vigentes em 2026 buscam o equilíbrio econômico-financeiro do sistema e consideram custos operacionais, tais como preços dos insumos, combustível e mão de obra.