Campinas registrou aumento na procura por atendimento de pacientes com sintomas respiratórios nas últimas semanas, tanto nos centros de saúde quanto nas unidades de urgência e hospitais da rede municipal.
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Na atenção básica, a alta foi de 60,6% em seis semanas. O número de atendimentos passou de 896 casos, entre 19 e 25 de abril, para 1.439 registros na semana epidemiológica de 24 a 30 de maio. Em relação à primeira semana do ano, de 4 a 10 de janeiro, o crescimento chega a 116,1%.
A pressão também aparece na Rede Mário Gatti, que reúne as UPAs e os hospitais Mário Gatti, Mário Gattinho e Ouro Verde. Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) passaram de 57 em janeiro para 202 em maio, alta de 254,38% no período.
Nos últimos 60 dias, apenas o Hospital Mário Gattinho realizou 2.292 atendimentos pediátricos relacionados a sintomas respiratórios leves.
As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis. Entre janeiro e junho, o Mário Gattinho registrou 352 casos de SRAG hospitalizada em pacientes pediátricos. Cerca de 78% ocorreram em crianças menores de 5 anos, com maior concentração em bebês com menos de 1 ano, que somaram 178 casos.
Entre os casos com agente identificado, a maioria foi causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável por quadros de bronquiolite. Do total de pacientes pediátricos com SRAG, 27% precisaram de UTI e 11% necessitaram de ventilação mecânica invasiva. Não houve mortes, e todos os casos evoluíram para cura.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a vacinação é uma das principais medidas para reduzir agravamentos, internações e pressão sobre os serviços de urgência.
Desde esta segunda-feira (1º), Campinas ampliou a vacinação contra a gripe para toda a população acima de 6 meses de idade. As doses estão disponíveis nos 69 centros de saúde e na Igreja Divino Salvador, no Cambuí. A campanha segue até o fim do próximo mês.
“A medida é muito importante para ampliar a assistência em saúde aos pacientes com sintomas respiratórios e diminuir o agravamento dos casos, reduzindo a pressão sobre as unidades que atendem urgências e emergências”, explicou a diretora do Departamento de Saúde de Campinas, Monica Macedo Nunes.
Para receber a vacina contra a gripe, basta apresentar documento de identificação com foto e a carteira de vacinação, caso tenha. Não é necessário agendamento. Crianças e adolescentes devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis ou apresentar autorização.
O imunizante deste ano protege contra os vírus da gripe A, nas variantes H1N1 e H3N2, e B. A vacina também pode ser aplicada junto com outros imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação.
Além da gripe, Campinas iniciou a imunização contra o VSR em bebês prematuros menores de 6 meses e crianças com comorbidades menores de 2 anos. A aplicação ocorre nos centros de saúde e em maternidades conveniadas da Prefeitura. A distribuição das doses é nominal, por convocação.
O imunizante usado é o nirsevimabe, anticorpo monoclonal incorporado ao SUS pelo Ministério da Saúde. Responsáveis por crianças que se enquadram no público elegível devem procurar o centro de saúde de referência para avaliação.
“Esse anticorpo monoclonal representa um avanço importante na proteção dos bebês mais vulneráveis ao VSR. Com a imunoprofilaxia, esperamos reduzir as internações e os casos graves nessa faixa etária. Por isso, orientamos as famílias a não deixarem essa proteção para depois. Procurem o Centro de Saúde para avaliação e indicação pela equipe de saúde”, afirmou a coordenadora do Programa de Imunização em Campinas, Chaúla Vizelli.
Campinas também oferece a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Nesse caso, a vacina está disponível em todos os centros de saúde, sem necessidade de agendamento. A proteção ocorre porque os anticorpos produzidos pela mãe são transferidos ao bebê durante a gestação.
Diante da sazonalidade dos vírus respiratórios, a Rede Mário Gatti abriu quatro novos leitos de UTI pediátrica no Mário Gattinho. Os leitos já estão em funcionamento.
Também foram abertos processos seletivos para contratação emergencial de pediatras. Sete vagas são destinadas ao Pronto-Socorro Infantil, com dois profissionais já em atividade. Ainda neste mês, a rede deve reabrir outro processo seletivo para contratar mais oito pediatras para a UTI pediátrica.