Moradoras do bairro Águas Claras, em Araçatuba, reclamam da demora para conseguir consultas médicas na UBS (Unidade Básica de Saúde) Sidney Cinti, localizada na Avenida Ortêncio Giron. A espera tem causado preocupação principalmente entre pacientes que dependem de acompanhamento frequente para tratar problemas de saúde.
Uma das pacientes é a dona de casa Regina Paula Alves dos Reis. Com problemas cardíacos e uso contínuo de medicamentos, ela afirma que necessita de acompanhamento constante, mas enfrenta dificuldades para conseguir atendimento.
“Eu fui dia 12 de março para marcar, a minha consulta será dia 26 de junho. Eles alegam que não tem vaga, que está lotado, enquanto isso eu fico quase o ano todo sem saber como está minha saúde”, contou em entrevista à Folha/Sampi.
Além da consulta, Regina teme que a realização dos exames eventualmente solicitados também demore, prolongando ainda mais o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
“No particular eu até consigo pagar uma consulta, mas e os exames? A gente paga imposto e temos direito ao SUS”, questionou Regina.
A comerciante Ângela de Souza vive situação semelhante. Segundo ela, uma consulta agendada no final de abril só deverá ocorrer em agosto.
“A gente não tem a quem recorrer, estamos vulneráveis. De onde vou conseguir tirar R$ 800 para exame?”, indagou a comerciante.
Projeto de lei
As reclamações ocorrem enquanto tramita na Câmara Municipal de Araçatuba um projeto de lei que pretende estabelecer prazo máximo para atendimento na rede básica de saúde do município.
A proposta prevê que consultas eletivas sejam realizadas em até 30 dias após o agendamento. Já os atendimentos classificados como urgentes deverão ocorrer em até 15 dias.
No entanto, a votação do projeto foi adiada por três sessões consecutivas, e a expectativa é que o texto volte à pauta apenas no próximo dia 8 de junho.
Enquanto a proposta segue em discussão, pacientes continuam aguardando atendimento e relatam dificuldades para acessar os serviços básicos de saúde.
O que dizem Zatti Saúde e Prefeitura
Em nota conjunta, a Prefeitura e a Zatti Saúde, responsável pelo gerenciamento das unidades básicas de saúde do município, informaram que as UBSs realizam dois tipos de atendimento: consultas agendadas para acompanhamento de pacientes, incluindo aqueles com doenças crônicas, e atendimentos espontâneos destinados a demandas agudas, como febre, tosse e dores, com vagas disponíveis no mesmo dia. A empresa também destacou que há vagas prioritárias para gestantes.
A organização ressaltou que as UBSs não realizam atendimento com médicos especialistas. Nesses casos, os pacientes são encaminhados para a regulação municipal, responsável pelo direcionamento aos serviços especializados.
Sobre a demora relatada por moradores, a Zatti afirmou que o tempo de espera varia conforme a unidade de saúde, levando em consideração fatores como volume de pacientes, perfil epidemiológico da região e capacidade operacional das equipes. Segundo a entidade, nenhuma unidade está realizando agendamentos para um prazo de cinco meses e a maioria das equipes está marcando consultas para o mês de julho.
A instituição reconheceu a existência de demanda reprimida e informou que o número de equipes da Estratégia Saúde da Família não é ampliado há cerca de dez anos. Atualmente, Araçatuba conta com 46 equipes de Estratégia Saúde da Família (eSF), três equipes de Atenção Primária (eAP) e dez médicos de apoio para atendimentos espontâneos. De acordo com a Zatti, seriam necessárias mais 14 equipes completas para suprir a demanda, expansão que depende de autorização e financiamento do Ministério da Saúde.
Ainda conforme a nota, foram adotadas medidas para reduzir o tempo de espera, entre elas a reorganização dos fluxos de atendimento, ampliação da oferta de consultas, implantação da confirmação de consultas por WhatsApp para reduzir faltas e estudos para ampliar a capacidade de atendimento em algumas unidades.
Por fim, a gestora destacou que, além da redução do tempo de espera, é necessário preservar a qualidade da assistência prestada pelas equipes da Estratégia Saúde da Família.
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