Piracicaba ganha mais um motivo de orgulho no cenário internacional. A bailarina Monike Cristina, natural da cidade, conquistou um importante reconhecimento ao vencer uma das categorias do Naledi Theatre Awards 2026, uma das principais premiações das artes cênicas da África do Sul.
A artista foi premiada na categoria de melhor performance em dança, teatro físico e produção de ballet, com sua interpretação de Maria Callas no espetáculo Prima Donna. A cerimônia ocorreu na última segunda-feira (23), no South African State Theatre, em Tshwane.
A produção, criada pelo coreógrafo italiano Mario Gaglione, mergulha na trajetória intensa e emocional de Maria Callas, uma das maiores sopranos da história da ópera. A performance de Monike repercutiu também nas redes sociais, sendo uma das mais comentadas entre os espetáculos indicados.
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Reconhecimento internacional
As indicações da 21ª edição do Naledi Theatre Awards celebraram produções encenadas ao longo de 2025. Ao todo, mais de 100 espetáculos foram avaliados por jurados em cerca de 27 categorias, reforçando a relevância da premiação no cenário cultural sul-africano.
Entre os destaques, produções como o musical Chicago e trabalhos apresentados no próprio South African State Theatre também receberam múltiplas indicações. Ainda assim, foi a performance da piracicabana que ganhou projeção especial.
Em contato com o Jornal de Piracicaba, Monike destacou o desafio de interpretar a personagem. “Interpretar Maria Callas foi um desafio intenso, tanto técnica quanto emocionalmente. É uma personagem muito complexa, e poder dar vida a essa história no palco foi transformador”, afirmou.
Segundo ela, o reconhecimento internacional reforça o peso da trajetória construída ao longo dos anos. “Este prêmio é a síntese de anos de disciplina, resiliência e paixão pela dança”, destacou.
Da formação em Piracicaba aos palcos do mundo
Atualmente radicada em Joanesburgo, Monike integra o elenco do Joburg Ballet ao lado do também piracicabano e seu esposo, Ivan Domiciano, ambos primeiros bailarinos da companhia.
A artista também relembrou o início de sua trajetória, ainda na infância. “Comecei a estudar ballet aos 6 anos e nunca mais parei. Sempre tive muita clareza de que queria seguir esse caminho”, contou.
Ao longo da formação, passou por escolas e projetos importantes de Piracicaba e região, como Criação Ballet, Clube de Campo e a Companhia Estável de Dança de Piracicaba (CEDAN), onde iniciou sua preparação profissional. “Cada lugar teve um papel fundamental na minha formação. Piracicaba foi minha base, onde tudo começou”, ressaltou.
A carreira ganhou projeção com sua entrada na Cia. Jovem Bolshoi Brasil, em Joinville, onde participou de turnês internacionais. “Viajar e me apresentar em outros países abriu muito minha visão como artista e como pessoa”, disse.
Desde 2016 no Joburg Ballet, Monike construiu um repertório sólido, com clássicos como O Lago dos Cisnes, Giselle e A Bela Adormecida. Também coleciona experiências em palcos internacionais, como o Royal Opera House, em Londres.
“Estar hoje como primeira bailarina é resultado de muitos anos de trabalho e entrega. Cada conquista carrega um pouco da minha história e das pessoas que fizeram parte dela”, afirmou.
Com talento e consistência, Monike Cristina segue levando o nome de Piracicaba para o mundo, mostrando a força da arte produzida no interior paulista.