Do bar flutuante até o píer onde ocorreu o acidente, o trajeto leva cerca de dois minutos de lancha, em uma velocidade a aproximadamente 60 km/h. A distância é curta. O percurso é simples. Mas foi nesse intervalo que uma embarcação com 15 pessoas a bordo colidiu contra uma estrutura fixa na represa do rio Grande e deixou seis mortos na noite de sábado, 21, entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG).
Neste domingo, 22, o Rede Sampi refez o caminho percorrido pelo grupo. A lancha partiu do Único Floating Bar, estrutura instalada no meio da represa, logo após a ponte que liga os estados de São Paulo e Minas Gerais. O local conta com palco para shows, mesas, cadeiras e estrutura para atracação de embarcações. O translado custa R$ 30 e a entrada, R$ 50. Coletes salva-vidas estavam pendurados nas laterais neste domingo.
Segundo o boletim de ocorrência, o grupo deixou o bar após o anoitecer e seguia para o rancho onde estava hospedado quando o condutor colidiu contra um píer que, conforme relato, não possuía sinalização nem iluminação noturna, como é comum na região.
Com o impacto, parte dos ocupantes foi arremessada. A embarcação virou, e alguns ficaram presos sob a lancha. Seis pessoas morreram afogadas - entre elas, uma criança de 4 anos.
De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, três corpos já haviam sido retirados da água quando as equipes chegaram ao local. Outros três - incluindo o da criança - foram resgatados na sequência por mergulhadores. Três das vítimas não utilizavam colete salva-vidas.
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Embora o acidente tenha ocorrido no lado de Minas Gerais, a Guarda Civil Municipal de Rifaina foi o primeiro órgão de segurança a prestar apoio. Os sobreviventes estavam em estado de choque quando a equipe chegou ao local.
Dos nove sobreviventes, ainda segundo a Polícia Militar de Minas, três foram encaminhados ao pronto-atendimento de Rifaina para receber atendimento médico.
Os outros seis sobreviventes relataram que estavam em um show em um bar e consumiram bebidas alcoólicas - incluindo o condutor da lancha -, conforme consta no boletim de ocorrência.
A reportagem passou de lancha pelo bar, chamado Único Floating Bar, onde as vítimas estavam. Trata-se de uma estrutura flutuante localizada no meio da represa, após a ponte que liga os dois estados. Da orla da praia até o estabelecimento, o trajeto leva cerca de três minutos de lancha, a uma velocidade aproximada de 60 km/h. O espaço dispõe de palco para shows, mesas e cadeiras para o público, além de coletes salva-vidas que estavam pendurados nas laterais da estrutura.

Bar flutuante onde vítimas passaram as últimas horas de sábado
O Único Floating Bar informou, por meio das redes sociais, que permaneceria fechado neste domingo em respeito às vítimas. “Nos solidarizamos com familiares e amigos pela perda de entes queridos. Que Deus conforte cada coração”, diz a publicação.
Coletes salva-vidas e morte
Segundo condutores de lanchas de passeio, o local onde ocorreu o acidente tem cerca de 1,40 metro de profundidade. Como parte dos ocupantes usava colete salva-vidas, o equipamento pode tê-los mantido na superfície enquanto a embarcação os pressionava para baixo, o que pode ter agravado a situação e contribuído para as mortes.
Segundo informações repassadas pelos sobreviventes à Polícia Militar, o condutor da embarcação, Wesley Carlos da Costa, que morreu no local, não possuía habilitação para conduzir embarcações de pequeno porte. Não foi informada a localização do rancho em que estavam.
Ainda segundo condutores de lanchas, acidentes com embarcações são comuns na represa, mas geralmente de menor gravidade - sem a gravidade nem mortes registradas nesse sábado.
De acordo com eles, o número de embarcações neste domingo era visivelmente menor em comparação ao movimento habitual para o dia. Ainda assim, a orla da praia e os estabelecimentos comerciais próximos estavam movimentados por banhistas.
A perícia técnica da Polícia Civil de Minas Gerais foi acionada e realizou os procedimentos de praxe no local do acidente.