Gambito da rainha, xeque-mate e roque são termos comuns para quem está acostumado a jogar xadrez. O esporte, que por muito é considerado uma atividade de pessoas mais velhas, ganhou mais visibilidade e buscas na internet após o sucesso da série "O Gambito da Rainha", lançada em outubro pela Netflix.
Jundiaí possui uma equipe que participa de campeonatos pelo Time Jundiaí. Por conta da pandemia, as competições foram suspensas, porém isso não impediu os jogadores de se reunirem para realizar a atividade on-line.
Daniel Costa Santana é atleta do Time Jundiaí e joga xadrez desde 9 anos, quando viu em uma praça pública de São Paulo um tabuleiro de cimento e achou fascinante. "Vi pessoas fazendo lances com algumas peças até que alguém me ensinou as regras e o objetivo", conta.
O xadrez conquistou muitos aficionados e hoje tem a segunda maior federação de jogadores do mundo. Daniel conta que já venceu torneios regionais e competições individuas com a equipe. "Tenho orgulho de dizer que já venci jogadores de categoria 'master internacional' e este ano, antes da pandemia, joguei por Jundiaí no Aberto do Brasil de Carnaval, ficando em 37º lugar por critério de desempate, vencendo um titular da seleção olímpica brasileira feminina", conta.
O Clube XIII de Agosto reabriu em novembro, quando o município autorizou clubes voltarem a funcionar. O presidente do clube, Clemente Savietto, 65 anos, conta que mesmo com uso de máscaras, álcool gel e janelas abertas a frequência está bem menor. "Temos uma base de 20 a 30 enxadristas que participam com maior ou menor frequência, porém muitos ainda estão evitando sair para atividades não-essenciais. Com o advento do xadrez on-line, todos os clubes sofreram uma queda", revela.
Clemente conta que a participação de enxadristas em sites especializados na prática do xadrez aumentou muito com a pandemia. "Há dezenas de sites, onde o interessado se inscreve e pode jogar com pessoas do mundo inteiro e até participar de torneios. Em qualquer hora do dia ou da noite há milhares de enxadristas jogando. O ritmo de jogo varia desde partidas muito rápidas até partidas longas", explica.
Para quem deseja começar a praticar o esporte, Clemente recomenda o cadastro em sites de xadrez e o estudo das principais regras. "É importante fazer exercícios e aprender conceitos básicos do jogo, como aberturas, finais tradicionais e estratégias de meio jogo. Além disso, é fundamental praticar, pois só assim se solidificam os conhecimentos aprendidos", explica.
PAIXÃO DE ANOS
Para algumas pessoas, o xadrez é uma paixão desde a infância. O empresário Antonio de Pádua, hoje com 54 anos, joga desde os 11. Conta que aprendeu as regras sozinho, lendo em livros. "Quando manifestei interesse, ganhei dos meus pais um manual de xadrez que me fez conhecer mais a fundo o jogo. Na década de 70, quando aprendi, o xadrez era mais divulgado do que hoje. Sempre mostravam os campeonatos mundiais nos jornais e os campeões eram famosos, em especial os russos", afirma.
Antonio participou de campeonatos organizados pelo Clube de Xadrez de Jundiaí na adolescência. "Meu objetivo nunca foi ganhar, mas sim ter a oportunidade de jogar com pessoas mais experientes e aprender", afirma.
Inicialmente, é importante aprender as regras do jogo, pois o esporte pode trazer diversos ensinamentos. "Além da diversão do jogo em si, pode trazer alguns benefícios para quem o pratica, como desenvolvimento de concentração, paciência, raciocínio lógico, controle da ansiedade, estratégia, criatividade, entre outros benefícios", afirma o empresário.