OPINIÃO

Onde está o seu coração?


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“Porque onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.” 
— Bíblia Sagrada

Vivemos em uma sociedade que aprendeu a dar valor àquilo que pode ser medido, exibido ou conquistado. Crescemos ouvindo que sucesso está ligado a títulos, reconhecimento, posição social e estabilidade financeira. E, embora tudo isso tenha sua importância, existe uma pergunta que quase nunca fazemos: o quanto dessas conquistas realmente fazem sentido para nós?

Este versículo que está registrado no livro de Mateus da Bíblia Sagrada traz uma reflexão profunda e extremamente atual ao relacionar tesouro e coração. Afinal, nossos maiores tesouros não são constituídos apenas por aquilo a que alguém pode atribuir um preço, mas principalmente por aquilo que possui o nosso coração.

O coração é o órgão que bombeia o sangue que percorre todo o corpo e sustenta a vida. De certa forma, aquilo que ocupa o nosso coração também passa a direcionar nossa energia, nossas escolhas e a forma como vivemos. Quando colocamos o coração em algo, aquilo ganha significado não apenas pelo que é, mas pelo sentido que nós damos a isso.

Talvez por isso existam pessoas cercadas de conquistas e ainda assim emocionalmente vazias. Porque nem tudo o que acumulamos se transforma, de fato, em algo que nos completa.

Temos trilhado caminhos que, aos olhos de muitos, parecem importantes. Temos alcançado títulos que despertam admiração e até inveja. Mas será que o nosso coração também está ali? Será que estamos vivendo aquilo que realmente faz sentido ou apenas correspondendo às expectativas criadas ao nosso redor?

Em meio à correria, produtividade e necessidade constante de provar valor, muitas pessoas acabam perdendo a conexão com aquilo que realmente importa. Relações se tornam superficiais, o descanso vira culpa e a vida passa a ser conduzida mais pela pressão do que pelo propósito.

A verdade é que nem sempre aquilo que possui maior valor no mercado possui maior valor para a alma humana.

Existem tesouros silenciosos que continuam sustentando a vida mesmo sem reconhecimento público: tempo de qualidade, vínculos sinceros, paz interior, presença, saúde emocional e a sensação de pertencimento. São coisas que não podem ser compradas, mas que dão sentido à existência.

Talvez uma das reflexões mais necessárias do nosso tempo seja justamente essa: o que hoje tem ocupado o nosso coração?

Porque no fim, nossos verdadeiros tesouros não são definidos apenas pelo que conquistamos, mas por aquilo sem o qual deixamos de nos sentir inteiros.

Paula Passos é formada em pedagogia, com pós em Educação Parental, e atualmente cursando MBA em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas

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