JUNDIAÍ

Combate a pancadões e violência contra a mulher viram lei

Por Alan Cavalieri | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 4 min
Sessão foi agitada durante apreciação das pautas com suspensões que ultrapassaram uma hora
Sessão foi agitada durante apreciação das pautas com suspensões que ultrapassaram uma hora

Vereadores aprovaram nesta terça-feira (26) o Projeto de Lei nº 14.839/2025, voltado ao combate, prevenção e fiscalização dos pancadões em Jundiaí. O projeto normatiza a criação de um sistema integrado de atuação entre órgãos de segurança pública com regras claras e aplicação de multas em diferentes níveis. Também foi aprovado um projeto que institui o regramento de campanhas educativas de enfrentamento à violência contra a mulher nos locais de lazer da cidade.

De autoria do vereador Leandro Basson (PODE), o projeto aprovado com 8 votos favoráveis institui a busca controlar a realização de pancadões e eventos irregulares no município, por meio de combate, prevenção e fiscalização em Jundiaí. A proposta prevê complementar a já existente Lei do Silêncio. O projeto contou com emenda da vereadora Mariana Janeiro.

Também sobre perturbação do “sossego”, foi aprovado em regime de urgência um projeto de lei que altera a Lei do Silêncio com regras de emissão de ruídos em Jundiaí para incluir a criação do “mapa municipal da poluição sonora”. A pauta foi apreciada com 11 votos favoráveis pelos parlamentares.

Leandro Basson ressaltou a importância de diferenciar a Lei do Silêncio da, então aprovada, Lei do Pancadão. Segundo o vereador, a Lei do Silêncio tem caráter regulatório, enquanto a Lei do Pancadão integra as forças de segurança para atuação imediata. “Isso desonera a Guarda Municipal, que hoje já atua em ocorrências protocoladas pela prefeitura. Com a Lei do Pancadão, assim que a infração é identificada, a multa pode ser aplicada na hora”, afirmou. O parlamentar também detalhou os valores das penalidades previstas, que se dividem em infração média: R$ 2,4 mil; infração grave: R$ 3,6 mil; infração gravíssima: R$ 4,8 mil.

O texto também prevê a participação integrada da Guarda Municipal, Departamento de Trânsito e Fiscalização do Comércio, com ações coordenadas de monitoramento, fiscalização, dispersão de aglomerações e combate a irregularidades relacionadas a esse tipo de evento. O projeto também autoriza o uso de câmeras de segurança, drones e sistemas de reconhecimento de imagens, além da possibilidade de apreensão de equipamentos de som utilizados nos eventos e aplicação de multas e sanções aos organizadores. A proposta estabelece ainda que estabelecimentos comerciais que incentivem ou permitam pancadões ilegais poderão ser interditados e perder temporariamente a licença de funcionamento.

“Não é Não” no dia a dia de Jundiaí

Outro destaque da sessão foi a aprovação do Projeto de Lei nº 15.20/2026, de Mariana Janeiro (PT), que retornou à pauta pela segunda vez e institui o regramento de campanhas educativas para o enfrentamento da violência contra a mulher nos locais de lazer da cidade. A pauta foi aprovada com nove votos. Segundo Mariana, a proposta tem como objetivo “transformar uma lei federal em ação concreta no dia a dia de Jundiaí”, tendo como base o protocolo “Não é Não”, previsto na Lei Federal 14.786/2023.

Mariana criticou o plenário vazio na apreciação do projeto. “Me entristece muito, pois fazemos uma luta diária. Quando chega a hora de votar um projeto da coletividade, o plenário está vazio”.

A autora complementa que a intenção do projeto é “construir a aplicação desta política junto aos estabelecimentos, movimentos sociais, trabalhadores desses espaços e órgãos públicos, garantindo que o protocolo seja efetivo e respeitado”. Aponta ainda a necessidade de levar informação, orientação e prevenção para espaços de lazer, eventos e estabelecimentos comerciais.

Tensão após emendas reprovadas

Foi aprovado com dez votos o projeto de lei complementar do executivo que altera os artigos 65 e 67 do Estatuto dos Funcionários Públicos do Município. A lei estabelece novas regras para a concessão de férias-prêmio e permite a recomposição de benefícios funcionais que tiveram a contagem de tempo suspensa durante a pandemia da Covid-19. 

Segundo a base governista, a medida busca corrigir possíveis injustiças causadas aos servidores públicos durante o período pandêmico, especialmente em relação ao direito às férias-prêmio. 

Foi adiado pelo parlamento o Projeto de Resolução nº 895/2025, de coautoria dos vereadores Edicarlos Vieira (UNIÃO) e José Dias (REP), que cria a “Câmara da Melhor Idade” na Câmara Municipal de Jundiaí. A proposta tem como objetivo ampliar a participação e a representatividade da população com mais de 60 anos na discussão de políticas públicas voltadas à terceira idade. Já o Projeto de Lei nº 15.243/2026, de autoria do prefeito municipal, que regulamenta o funcionamento das Feiras Livres e revoga normas correlatas, foi excluído da pauta.

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