OPINIÃO

Porque “não” também é resposta


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Quem nunca ouviu um “não” da mãe quando era criança e em seguida respondia, “Mas por quê?” Na nossa cabeça infantil, o “não” parecia injusto, exagerado, limitante. Queríamos entender a razão daquela negativa que, naquele momento, só frustrava os nossos desejos.

Não podia mexer ali. 
Não podia ir sozinho. 
Não podia fazer aquilo naquele momento.

E mesmo sem compreender na época, existia proteção em cada limite

Mas o tempo foi passando, amadurecemos e percebemos que muitos daqueles “nãos” eram, na verdade, cuidado disfarçado.

O problema é que, quando crescemos, nos tornamos muito bons em aceitar o “não” vindo dos outros… mas péssimos em dizer “não” para aquilo que nos faz mal.

Quantas vezes dizemos “sim” quando, no fundo, já sabíamos que deveríamos ter dito “não”?

Sim por medo de decepcionar. 
Sim para evitar conflitos. 
Sim para não parecermos difíceis. 
Sim mesmo cansados, sobrecarregados ou emocionalmente feridos.

E assim vamos ultrapassando os próprios limites, como se ignorar a si mesmo fosse uma demonstração de maturidade. Mas não é.

Os limites, apesar de parecerem limitantes, são muito mais do que isso. Eles são uma forma de respeito.

Respeito até onde conseguimos ir sem nos perder. 
Respeito até onde o outro pode ir sem nos ferir. 
Respeito ao nosso tempo, à nossa paz, aos nossos valores e à nossa saúde emocional.

Porque uma vida sem limites claros rapidamente se transforma em uma vida invadida.

E talvez uma das coisas mais difíceis da vida adulta seja entender que o “não” também é uma resposta completa e não precisa vir acompanhado de longas justificativas.

Às vezes, o “não” apenas protege aquilo que em nós já estava cansado demais para continuar suportando.

Existe uma falsa ideia de que pessoas boas precisam estar sempre disponíveis, sempre cedendo, sempre suportando mais um pouco. Mas a verdade é que até o amor precisa de limites para continuar saudável.

Quem nunca estabelece limites acaba vivendo na tentativa constante de agradar todo mundo — e, quase sempre, desagradando a si mesmo no processo.

E talvez seja por isso que tantas pessoas vivem exaustas sem entender exatamente o motivo. Não é apenas excesso de tarefas. Muitas vezes, é excesso de acessos.

Gente demais ultrapassando espaços que deveriam ser protegidos.

Aprender a se impor não significa endurecer o coração. Significa compreender que cuidar de si também é responsabilidade.

Porque quando não respeitamos os nossos próprios limites, ensinamos o mundo a fazer o mesmo.

E no fim, aquele “não” que um dia parecia tão duro na infância talvez tenha deixado uma das maiores lições da vida: nem tudo o que nos limita nos machuca. Algumas coisas apenas nos preservam.

Paula Passos é formada em pedagogia, com pós em Educação Parental, e atualmente cursando MBA em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas

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