CLÍNICA PARTICULAR

Polícia apura possível laudo falso de exame de ultrassonografia

Por Fábio Estevam | Polícia
| Tempo de leitura: 2 min
JORNAL DE JUNDIAÍ
A família registrou boletim de ocorrência na DIG de Jundiaí
A família registrou boletim de ocorrência na DIG de Jundiaí

A Polícia Civil investiga um suposto caso de falsidade ideológica envolvendo uma clínica de Campo Limpo Paulista, após uma idosa de 94 anos receber o resultado de um exame de ultrassonografia com avaliação da bexiga, órgão que ela não possui desde 2017, quando passou por cirurgia para tratamento de câncer. Segundo a família de dona Ivonne Chagas Piccirelli, atualmente com 94 anos, a preocupação surgiu diante da possibilidade de que futuros procedimentos médicos pudessem ser realizados com base em informações aparentemente incorretas presentes no exame.

De acordo com os familiares, em 2017 a idosa foi diagnosticada com câncer na bexiga. Durante o tratamento, os médicos constataram que o quadro era mais grave do que o inicialmente imaginado e decidiram pela retirada completa do órgão.

Já em agosto do ano passado, antes de uma mudança de Campo Limpo Paulista para Caraguatatuba, a família resolveu levá-la a uma clínica para realização de exames de ultrassonografia, devido a dores que ela vinha sentindo. A intenção era antecipar uma possível avaliação médica após a mudança.

As dores, porém, continuaram e a idosa precisou passar por consulta médica já em Caraquataduba. Foi nesse momento que os familiares perceberam que o laudo do exame feito em agosto continha informações sobre a avaliação da bexiga da paciente, apesar de ela não possuir mais o órgão.

Desconfiando de uma possível troca de exames com outro paciente, a família solicitou uma segunda via do documento para comparação. Em resposta, a clínica informou que não possuía mais os exames arquivados em sistema.

Em mensagem encaminhada à família, a clínica afirmou que os resultados realizados em agosto do ano passado “não constam mais na base atual de armazenamento” e explicou que, à época, os exames eram entregues diretamente aos pacientes. O estabelecimento ainda lamentou o transtorno e ofereceu a realização de um novo exame sem custos (leia a mensagem completa mais abaixo).

Diante da impossibilidade de obter uma segunda via do documento, a família registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, que apura o caso.

Nesta semana, a família de dona Ivonne também formalizará denúncia no Conselho Regional de Medicina (CRM), para apuração de eventual erro médico.

MENSAGEM ENVIADA À FAMÍLIA

"Entendemos a sua necessidade e a importância desse exame para comparação, principalmente em acompanhamento médico.

Verificamos cuidadosamente em nosso sistema e, infelizmente, os exames realizados em agosto do ano passado não constam mais em nossa base atual de armazenamento. 

Na época, os resultados eram entregues diretamente ao paciente no momento do exame ou logo após a realização.

Sabemos que isso pode causar transtorno, e sentimos muito por não conseguir ajudá-la com a segunda via neste momento. Para fins de comparação médica, orientamos que o médico considere a realização de um novo exame, o que permitirá uma avaliação atualizada e mais precisa do quadro.

Permanecemos à disposição para ajudá-la no que for possível e caso ela possa vir, faremos um novo exame sem custo algum".

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