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Jundiaí oferece tratamento a acumuladores e vizinhos podem pedir

Por Redação |
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Na residência do Tarumã, o morador, que faz uso de entorpecentes, acaba acumulando lixo e objetos
Na residência do Tarumã, o morador, que faz uso de entorpecentes, acaba acumulando lixo e objetos

Recentemente, o Jornal de Jundiaí noticiou o caso de uma residência no Jardim Tarumã onde mora um homem que faz uso de entorpecentes e acaba acumulando lixo no local. Para a vizinhança, a residência já se tornou um risco, visto que atrai pragas e animais peçonhentos. Relembre: Residência de acumulador no Tarumã leva riscos aos vizinhos.

Para entender melhor como funciona a ação com acumuladores em Jundiaí, o JJ procurou a prefeitura. Quem explica sobre os procedimentos é o coordenador do Departamento de Atenção Básica à Saúde (Dabs), e membro do Grupo Técnico Intersetorial (GTI) de Acumulação Compulsiva de Jundiaí, Rafael Silva.

Jornal de Jundiaí: Onde e como funciona o tratamento de pessoas acumuladoras em Jundiaí?

Rafael Silva: O cuidado com pessoas que apresentam comportamento de acumulação compulsiva é cuidadoso e multissetorial, não limitando-se apenas a retirar os objetos acumulados, mas principalmente focando em cuidar da saúde mental e da qualidade de vida da pessoa. Esse acompanhamento em Jundiaí acontece nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com apoio das equipes multiprofissionais (eMulti), que contam com profissionais como psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. Quando necessário, também pode haver encaminhamento para outros serviços de saúde mental, como o Caps.

Além da saúde, há um trabalho integrado com a assistência social, por meio do Cras e do Creas, com o apoio do Departamento de Bem-Estar Animal (Debea), e, em situações que envolvem riscos, também com a Vigilância Epidemiológica e a Defesa Civil, que podem avaliar tanto as condições sanitárias quanto a segurança do imóvel. As equipes também realizam visitas domiciliares, orientam a família e ajudam, aos poucos, na organização do ambiente, sempre respeitando o tempo e as decisões do indivíduo. Em Jundiaí, há ainda o apoio do GTI-Acumuladores, um Grupo de Trabalho Intersetorial formado por representantes de diferentes áreas, como saúde, assistência social e vigilância sanitária. Esse grupo atua de forma articulada para discutir os casos, definir estratégias conjuntas e acompanhar as ações realizadas, garantindo uma abordagem mais organizada e efetiva.

JJ: São tratadas apenas as que aceitam o tratamento (tal qual outras condições) ou há alguma condução coercitiva quando a situação sai do controle?

RS: O cuidado com pessoas que apresentam comportamento de acumulação compulsiva é baseado na adesão voluntária, assim como ocorre em outras condições de saúde. No entanto, existem situações em que o acúmulo pode trazer riscos importantes à saúde da própria pessoa, de vizinhos ou ao meio ambiente, como presença de pragas, risco de incêndio ou comprometimento da estrutura do imóvel. Nesses casos, podem ser adotadas medidas mais firmes por parte do poder público, sempre dentro da legislação vigente e com o objetivo de reduzir riscos e proteger a coletividade. Essas ações não têm caráter punitivo, mas sim de proteção ao acumulador e à sociedade.

JJ: Quanto tempo costuma levar o tratamento?

RS: O tempo de tratamento para pessoas com comportamento de acumulação compulsiva é variável e individualizado. Trata-se de uma condição complexa, que depende de diversos fatores, como a gravidade do quadro, o nível de entendimento do indivíduo sobre a própria condição, a presença de outros transtornos associados, o apoio familiar e social, além da adesão/vinculação ao acompanhamento profissional.

JJ: A prefeitura providencia limpeza de imóveis de pessoas em tratamento ou isso fica por conta da própria pessoa?

RS: Em eventuais necessidades, a prefeitura se responsabiliza, após a oficialização junto ao órgão competente da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, a adotar as providências de limpeza total ou parcial do imóvel e remoção de lixo, detritos e materiais inservíveis que possam comprometer a preservação da saúde pública ou a segurança dos agentes públicos, mediante permissão do responsável pelo imóvel ou por determinação judicial.

JJ: Como pessoas do entorno (vizinhos, familiares) podem buscar ajuda?

RS: A população pode solicitar ajuda pelo telefone 156, abrir um registro de ouvidoria pelo site ou aplicativo da prefeitura ou se dirigir a uma UBS.

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