OPINIÃO

Infeliz capítulo da história


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A história, quando confrontada, revela capítulos de profunda crise. Recentemente, o Banco do Brasil viu-se diante do espelho de seu passado ao admitir sua participação direta no processo escravagista. Investigações apontam que a instituição não apenas financiou, mas traficou ao menos 19.000 pessoas sequestradas do continente africano mesmo após a proibição legal dessa prática odiosa. A Caixa Econômica Federal acompanha esse rasto histórico de responsabilidade .

No ano de 2023, o Banco divulgou nota pedindo perdão, após instauração de procedimento (inquérito) para investigar a relação do Banco com o tráfico de gente, resultando na confirmação de alto faturamento, permitindo a evolução do Banco decorrente da alta arrecadação de impostos com esse maldoso comércio de seres humanos.

Consta da nota de perdão: “Neste contexto, o Banco do Brasil de hoje pede perdão ao povo negro pelas suas versões predecessoras e trabalha intensamente para enfrentar o racismo estrutural no país. O BB não se furta a aprofundar o conhecimento e encarar a real história das versões anteriores da empresa”, afirmou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros”

Apenas para ilustrar a Sra. Tarciana Paula Gomes Medeiros é a primeira mulher e negra na Presidência desde o ano de 2.023.

O Banco lançou, também, um programa denominado “Raça é Prioridade” e, naquele momento (2023), contava com 84 mil funcionários e, estranhamente, constava desse programa a “seleção de até 150 funcionários pretos e pardos, com potencial para atuar como líderes na empresa” !

Aqui observamos. Que no campo da efetividade, o discurso vacila. O banco lançou o tal   programa, mas em um universo de 84.000 funcionários, a meta de seleção era de apenas 150 pretos e pardos com potencial de liderança. O questionamento é inevitável: Como admitir que uma instituição desse porte, apenas 0,17 % do quadro seja alvo dessa prioridade inicial?

Nessa mesma trilha venho afirmando há tempos que a população negra integra contingente muito grande, pois que, percentualmente, é maioria da população.

A presença de pessoas negras em altos postos, ainda que provocados pelo Ministério Público ou sociedade civil, dispara adoção de medidas inclusivas, tal qual o desenvolvido pela Dra. Tarciana o que se traduz em postura inteligente vez que, como dito, a população negra é maioria e, por assim ser, são consumidores em potencial em qualquer ramo, seja financeiro, na saúde pública, na segurança, na educação, no mercado de trabalho, na rede capitalista e de investimentos, etc.

Esse é um exemplo da importância desse segmento no poder. Não percamos de vista que estamos em plena campanha eleitoral e é o momento perfeito para avaliar cada candidato e entregar votos àqueles que já demonstraram prática de medidas de combate à desigualdade, sendo certo que surgirão muitas pessoas prometendo adoção de medidas inclusivas e, eleitos, não cumprem.

“O Brasil é o único no mundo em que as pessoas dão votos ao inimigo.” (Prof. Hélio Santos)

Eginaldo Honório é é advogado, Comendador e atual Presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB/SP – Jundiaí(SP) 

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