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Grupo com conteúdo criminoso envolvendo jovens circula em Jundiaí

Por Felipe Torezim e Fábio Estevam |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Mensagens que estão sendo compartilhadas em grupos em aplicativos
Mensagens que estão sendo compartilhadas em grupos em aplicativos

A advogada Samirys Verzemiassi, presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB Jundiaí, denunciou nas redes sociais a existência de um grupo em aplicativos de mensagens chamado “pessoas de Jundiaí”, que estaria envolvendo jovens, principalmente em situação de vulnerabilidade, em práticas de crimes digitais. Segundo ela, o espaço reúne conteúdos misóginos, racistas e pornográficos, gerando preocupação entre familiares e autoridades. O Jornal de Jundiaí também ouviu policiais civis sobre a necessidade de registro de Boletim de Ocorrência para que haja investigação.

De acordo com a advogada, a denúncia chegou por meio de familiares de adolescentes que foram adicionados ao grupo. Relatos apontam que ao menos dois jovens apresentavam comportamentos considerados disfuncionais, com compartilhamento de mensagens violentas e ofensivas. O grupo teria incluído estudantes tanto de escolas públicas quanto particulares. 

Samirys Verzemiassi alertou os pais pelas suas redes sociais

De acordo com a investigadora-chefe da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Lilian Picchi, a polícia já tem conhecimento da situação, mas não há registro de vítimas. “Já  fomos procurados, mas ainda não podemos fazer nada, pois as mães que viram esse grupo no celular do filho, se assustaram, tiraram os filhos e apagaram o grupo. Então não temos informação desse grupo e nem vítima registrada. É preciso ficar de olho e, se o filho for incluído, venha diretamente na delegacia para que possamos fazer o BO, colher informações e iniciar investigação. O BO até dá para fazer, mas precisamos de campo para investigação e a vítima tem que nos procurar com o grupo aberto no celular".

O JJ também conversou com o delegado-assistente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) José Ricardo Arruda Marchetti. “Estou sabendo, inclusive na escola onde estuda meu filho está se falando sobre isso. A orientação é para que as vítimas, com seus pais, registrem o Boletim de Ocorrência, para que a polícia possa investigar", falou ele.

Orientação 

Samirys faz um alerta direto aos pais e responsáveis para que acompanhem de perto o uso de celulares e o tipo de conteúdo consumido pelos filhos. “É fundamental que os pais observem o que os filhos acessam e com quem estão interagindo. Ao identificar qualquer situação suspeita ou ilegal, é necessário registrar boletim de ocorrência e utilizar as ferramentas de denúncia disponíveis nos próprios aplicativos, conforme previsto no ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) Digital”, orienta.

A advogada também recomenda que o conteúdo seja denunciado pelo maior número possível de pessoas. Segundo ela, a mobilização é indispensável para interromper a circulação de material ilegal e proteger os adolescentes. “Quanto mais denúncias, maiores as chances de as plataformas tomarem providências. Além disso, é essencial bloquear imediatamente o acesso dos menores a esse tipo de grupo”, afirma. 

Entre os crimes graves, estão o compartilhamento e armazenamento de pornografia infantil, a produção de conteúdo envolvendo menores, o aliciamento (grooming) e até associação criminosa. As penas podem variar de 1 a 8 anos de reclusão, com possibilidade de agravantes e multas, especialmente quando há organização em grupo ou vítimas muito jovens.

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