IMOBILIÁRIO

Tendência de morar sozinho chega a Jundiaí e impacta setor

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Jundiaí segue tendência nacional, com aumento de pessoas que vivem sozinhas
Jundiaí segue tendência nacional, com aumento de pessoas que vivem sozinhas

O número de brasileiros que vivem sozinhos mais do que dobrou nos últimos 13 anos, segundo dados do IBGE. Entre 2012 e 2025, a população em lares unipessoais saltou de 7,5 milhões para 15,6 milhões de pessoas. As informações fazem parte da PNAD Contínua, que indica que quase 1 em cada 5 domicílios do país (19,7%) tem apenas um morador. Embora o levantamento não detalhe dados por município, a realidade de Jundiaí segue a mesma tendência. De acordo com o Censo 2022, último realizado, 17,4% dos domicílios da cidade eram ocupados por uma única pessoa.

Esse movimento começa a transformar o mercado imobiliário local. Segundo Eli Gonçalves, vice-presidente da Proempi (Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região), o comportamento indica mudanças claras que devem ser aplicadas no conceito de moradia. “O espaço interno perde um pouco de importância, enquanto os serviços e a praticidade ganham protagonismo. Quem mora sozinho busca otimizar o tempo e focar em atividades profissionais ou de estudo”, explica.

Com isso, os empreendimentos passam a valorizar mais as áreas comuns e a oferta de serviços oferecidos no condomínio. Estruturas como academia, coworking, lavanderia compartilhada, minimercados e até cozinhas coletivas tornam-se diferenciais importantes. Além disso, há uma preocupação crescente com a socialização, especialmente entre moradores mais velhos que vivem sozinhos, o que indica o aumento da necessidade de espaços de convivência.

Apesar da tendência de redução no tamanho dos imóveis, Eli ressalta que é preciso adaptação à realidade local. Enquanto em São Paulo já são comuns estúdios com cerca de 20 m², em Jundiaí o ideal é trabalhar com unidades entre 30 m² e 40 m². Outro ponto importante é a localização. “Diferentemente da capital, a cidade ainda exige, na maioria dos casos, vagas de garagem e proximidade com transporte público, comércios, serviços e áreas verdes”, diz. “Regiões como Centro, Chácara Urbana, Vila Arens, Vianelo, Anhangabaú e Retiro são interessantes nesse aspecto”, completa.

Por fim, Eli avalia que o crescimento dos lares unipessoais também abre novas oportunidades para investidores. Imóveis compactos tendem a apresentar boa rentabilidade e alta demanda, mas ainda há um desafio: diversificar a oferta para diferentes faixas de renda. “Os lançamentos têm sido bem-sucedidos para classes mais altas, mas existe um grande potencial entre a classe média e média baixa. Há muitos jovens e idosos vivendo sozinhos que precisam de soluções acessíveis”, conclui Eli.

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