SAÚDE MENTAL

Dependência emocional cresce e terapia é forma de reconexão

Por Da redação |
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O avanço dos problemas de saúde mental tem colocado o tema no centro do debate global
O avanço dos problemas de saúde mental tem colocado o tema no centro do debate global

O avanço dos problemas de saúde mental tem colocado o tema no centro do debate global. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, com destaque para ansiedade e depressão, hoje entre as principais causas de incapacidade, segundo a OPAS. Desde a pandemia, esses quadros cresceram de forma significativa, com aumento superior a 25% nos casos, de acordo com o Ministério da Saúde.

No Brasil, o cenário é de alerta. O país figura entre os que apresentam maior prevalência de ansiedade e depressão, impactando diretamente a qualidade de vida, as relações sociais e a produtividade da população (IPq). Especialistas apontam que fatores sociais, emocionais e econômicos têm ampliado esse quadro, tornando a saúde mental uma questão coletiva — e não apenas individual.

Dentro desse contexto, a dependência emocional está diretamente ligada a inúmeros transtornos mentais, sendo, muitas vezes, causa, sintoma ou fator de agravamento, como no Transtorno de Personalidade Dependente, depressão, transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, Transtorno de Personalidade Borderline ou Transtorno de Personalidade Esquiva. Caracterizada pela dificuldade de reconhecer o próprio valor e pela necessidade constante de validação externa, a dependência emocional interfere nas relações e na autoestima, levando muitas pessoas a duvidarem da própria capacidade e do merecimento de viver relações saudáveis e equilibradas.

Para a terapeuta integrativa Vivian Ferreira, esse comportamento está diretamente ligado à desconexão emocional e à ausência de autoconhecimento. “A dependência emocional faz com que a pessoa coloque o outro no centro da própria vida, anulando suas vontades e necessidades. Com o tempo, isso gera sofrimento, insegurança e perda de identidade”, explica.

Segundo Vivian, a terapia surge como um caminho necessário para romper esse ciclo. “O processo terapêutico ajuda a identificar padrões, resgatar a autoestima e fortalecer a autonomia emocional. É um movimento de dentro para fora, que permite à pessoa se reconhecer, se valorizar e reconstruir sua forma de se relacionar consigo mesma e com o outro.”

Por se tratar de um processo em que o paciente se permite se libertar de sentimentos, compartilhando com o profissional suas angústias, a reconstrução do “eu” é feita de maneira sólida, permitindo que a pessoa entenda os motivos que a levaram a determinados padrões de sentimentos e atitudes.

“No momento atual, em que as pessoas só se reconhecem por meio da quantidade de likes que recebem em suas redes sociais, em que a comparação é uma métrica permanente e onde não há espaço para erros ou indecisões, a pressão psicológica torna o dia a dia de quem é dependente emocional uma luta constante”, completa.

Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é um ato de consciência. A terapia deixa de ser um recurso pontual e passa a ser uma ferramenta essencial de transformação, equilíbrio e desenvolvimento pessoal.

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