OPINIÃO

Anna Theresa Ladeira Pachur


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Colecionar perdas é o que entristece quem vai conseguindo permanecer por mais tempo nesta peregrinação terrena. Agora é Anna Theresa Ladeira Pachur que nos deixa e ingressa no outro plano existencial.

Quem vivenciou a Jundiaí nas décadas gloriosas de 60 e 70 não pode se esquecer do que era a sociedade com seus hábitos provincianos, mas fraternos, que foram desaparecendo nesta era algorítmica, em que predominam as telinhas e os encontros pessoais rareiam.

Anna Theresa era irmã de Fernando. Ambos filhos de Maria Enid e Curt Bernhard Hermann Pachur. A casa deles, à rua Leonardo Cavalcanti, vizinha a Mercedes e Oswaldo Marchi e formando um trio arquitetônico bem interessante, com a residência de Hilda Latorre e Lavoisier de França Silveira, era sempre um local de festas memoráveis.

Esa, como a chamávamos, teve uma gloriosa juventude. Todos os seus aniversários – 2 de agosto – eram celebrados com festas elegantes. Em sua casa se reuniam as primas Badete Ladeira, depois Storani, Cacaia Ladeira, depois Scricco, filhas de minha madrinha Lilia e de Paulo Newton Ladeira. Mais a Didi Penteado, filha de Aracy e Mário Penteado, Adiles Lorza Ladeira, Vera e Carlos Ladeira, filhos do Adoniro. Os Ladeira eram unida e sólida família, que teve D. Leonita Faber como educadora e guia.

Maria Enid e Esa, mais Cecilia Fray Oliva mantiveram o “Chapeuzinho Vermelho”, por onde passaram inúmeras crianças, todas acolitadas com carinho e iniciadas na educação escolar, além de treinadas nas artes infantis. Lá estiveram meus quatro filhos: João Baptista, José Renato, Ana Beatriz e Ana Rosa. Belos tempos!

Mas o lar dos Pachur estava sempre aberto para receber amigos e para festejar. Eles eram excelentes anfitriões. Os aniversários de Fernando reuniam uma turma heterogênea e animada. Os da Esa, então, eram festas disputadíssimas.

Lembro-me de que num aniversário, alguns amigos comuns não haviam sido convidados. Então improvisaram um show musical à porta da residência, tocando várias melodias e entoando em coro o “Parabéns a você”, o que motivou o convite para também participarem da festa. Os que ali estavam, improvisando essa homenagem, já não estão entre nós: Wagner Moraes Oliveira, Antonio Carlos Oliveira Mello, Antonio Edmundo Fraga de Novaes, o “Delega” e meu querido amigo-irmão Gilberto Fraga de Novaes.

Também foi no lar de Maria Enid e Curt Pachur que se realizou a festa dos “Paradigmas”, invenção minha para homenagear dez jovens que se destacavam. Como estamos em sessão saudades, só falo dos que já partiram: Maria Lúcia Azambuja Storani, a Chuca, Ruy Saraiva Fernandes, Pituca Bárbaro, Cláudia Maria de Lucca Parise.

Que tempos felizes! Essa Jundiaí que já não volta mais. Houve uma época em que o pai de Esa tinha uma Rural Willys e com ela o casal e Esa davam inúmeras voltas no percurso do footing jundiaiense: Barão e Rosário, com especial lentidão quando se passava pela Pauliceia e pelo Clube dos Bancários.

Esa se dedicou plenamente à formação da infância, ao cultivo da amizade, ao bem coletivo, pois sobrinha de Mercedes, que criou a Feira da Amizade, movimento único e sem similar em Jundiaí. Integrou o “Top Clube”, que nos fez trabalhar pelo próximo e a solidificar ainda mais as amizades.

Agora se encontrará com os pais amoráveis e com a legião de seres queridos que a antecederam. Aqui ficamos saudosos, na certeza de que nos está reservado um encontro futuro e, queira Deus, permanente, sem os golpes dolorosos da separação.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

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