Aos 18 anos, o jundiaiense Luca Grigoletto vive um dos momentos mais importantes de sua trajetória no BMX Racing. Após anos de dedicação e resultados expressivos, o atleta foi convocado para representar a Seleção Brasileira no Pan-Americano da Colômbia, reforçando o nome da cidade no cenário internacional da modalidade.
A história de Luca com o esporte começou cedo. Aos 5 anos, ele subiu pela primeira vez em uma bike de BMX, ainda sem imaginar que a brincadeira de infância se transformaria em carreira. Hoje, já são 13 anos de trajetória sobre duas rodas, com títulos brasileiros e presença constante em grandes competições.
“Todos os primeiros anos foram como diversão. Eu não pensava em virar profissional, mas tive um treinador muito importante na minha infância e fui crescendo dentro do esporte”, relembra o atleta.
A evolução foi rápida. Nas categorias de base, Luca acumulou títulos nacionais e, já em nível mais alto, passou a competir em provas internacionais. Nos últimos anos, chegou a três finais de Mundial, ficando entre os oito melhores do mundo em três temporadas consecutivas — duas vezes em oitavo lugar e uma em sétimo.
A convocação para o Pan-Americano chega como reconhecimento de todo esse caminho, especialmente após um momento delicado. No fim do ano passado, o atleta sofreu uma lesão no joelho, o que exigiu recuperação e ainda mais foco na retomada.
“Fiquei muito feliz com a convocação. Estava treinando e me dedicando bastante para isso. Depois da lesão no joelho, voltei ainda mais focado e consegui essa oportunidade de representar o Brasil”, destaca.
Para Luca, a sensação ao receber a notícia foi de orgulho e alívio. “Minha cabeça é só felicidade por terem reconhecido que tenho chance de representar o país”, afirma.
A experiência internacional, segundo ele, é um dos fatores que mais o prepararam para esse novo desafio. Desde os 14 anos, o atleta já participa de corridas fora do país e teve como primeira grande prova justamente um Mundial.
“Hoje ainda existe a pressão, mas fica mais tranquilo. Essas experiências me deixaram muito mais preparado para uma competição desse nível”, explica.
Apesar da evolução individual, Luca faz um alerta sobre a realidade do BMX no Brasil. Segundo ele, a falta de incentivo, patrocínio e estrutura ainda é um dos principais obstáculos para os atletas da modalidade.
“Existe um abismo enorme entre as corridas nacionais e internacionais. O Brasil infelizmente não tem apoio e suporte. Mesmo São Paulo, que concentra muitos atletas de qualidade, não tem pista oficial com padrão internacional”, relata.
A falta de estrutura faz com que o atleta precise viajar constantemente para outras cidades, como Curitiba, Rio de Janeiro e Londrina, em busca de pistas adequadas para treinos mais específicos.
“Hoje a gente treina em pista oficial a cada três meses, no máximo. Isso dificulta muito a preparação e mostra a diferença de nível entre o Brasil e outros países”, completa.
A preparação para o Pan-Americano, no entanto, segue intensa. Com a conclusão do ensino médio no ano passado, Luca passou a ter mais tempo para se dedicar exclusivamente ao esporte e às viagens.
“Está sendo uma preparação muito intensa, mas muito boa. O que muda para uma prova como essa é principalmente o psicológico”, afirma.
Para ele, a parte mental pode ser até mais decisiva do que a física em competições internacionais. “O mental pesa bastante, mas um atleta que já viveu esse tipo de prova consegue transformar a pressão em velocidade”, resume.
Mesmo com toda a dedicação, viver do esporte ainda é um desafio. Luca explica que os valores conquistados em premiações são reinvestidos integralmente na própria carreira e que o retorno financeiro ainda é limitado.
“Todo dinheiro que eu ganho com o esporte volta para o esporte. As premiações são baixas e os patrocínios infelizmente ainda são muito fracos”, lamenta.
A convocação para o Pan, portanto, vai além de um resultado esportivo. Ela simboliza resistência, esforço e a luta diária de um atleta que, mesmo diante das dificuldades, segue levando o nome de Jundiaí e do Brasil para as principais pistas do mundo.