COLUNISTA

No caminho da vida, Deus está ao nosso lado


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O 3º Domingo da Páscoa nos oferece uma das páginas mais belas e consoladoras do Evangelho: o encontro de Jesus com os discípulos de Emaús. (cf. Lc 24,13-35). Trata-se de um caminho que espelha a experiência de fé de cada cristão: da tristeza à esperança, da cegueira ao reconhecimento, da fuga ao retorno missionário. Os discípulos caminhavam desanimados, carregando no coração a dor da cruz e o aparente fracasso de tudo aquilo em que haviam acreditado. "Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles". (Lc 24,15). Eis o primeiro grande ensinamento: mesmo quando não o reconhecemos, o Senhor caminha conosco. Ele não se afasta de nossa história, não abandona nossos caminhos, nem mesmo quando estamos confusos, desiludidos ou sem rumo.

A primeira leitura reforça essa certeza. São Pedro, anunciando a ressurreição, recorda as palavras de Davi: "Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar". (At 2,25). Esta imagem é profundamente significativa. Ter o Senhor à direita significa proteção, firmeza, segurança. E Pedro continua proclamando: "Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas". (At 2,32). E ainda: "Exaltado pela direita de Deus" (At 2,33), Cristo participa plenamente da glória divina.

Portanto, aquele que caminha com os discípulos é o mesmo Senhor glorificado, vencedor da morte, que agora está junto do Pai. O Ressuscitado não é uma lembrança do passado, mas uma presença viva e atuante. Ele está ao nosso lado, sustentando nossos passos.

O Salmo também ecoa essa confiança: "Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo". (Sl 15,8). A fé não elimina as dificuldades, mas dá firmeza no meio delas. Quem vive na presença de Deus encontra equilíbrio, mesmo em tempos de incerteza.

No caminho de Emaús, Jesus faz algo essencial: explica as Escrituras. Ele ilumina os acontecimentos à luz da Palavra de Deus. O coração dos discípulos começa a arder, ainda que seus olhos permaneçam fechados. Isso nos ensina que a escuta da Palavra é fundamental para compreender a vida. Sem a luz das Escrituras, corremos o risco de interpretar a realidade apenas com critérios humanos, muitas vezes marcados pelo desânimo e pela falta de esperança.

Mas o ponto culminante acontece no gesto do pão: "Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus". (Lc 24,31). É no partir do pão que o Senhor se revela plenamente. Aqui encontramos uma referência clara à Eucaristia. Aquele que caminha conosco na Palavra, revela-se de modo especial no Sacramento da Eucaristia. A experiência dos discípulos nos mostra que a presença de Cristo se dá em dois momentos inseparáveis: na escuta da Palavra e na Eucaristia. É ali que o Senhor continua a nos formar, a nos consolar e a nos enviar.

A segunda leitura nos lembra que tudo isso tem um fundamento profundo no plano de Deus: "Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso". (1Pd 1,20). A morte e ressurreição de Cristo não são um acidente da história, mas expressão do amor de Deus por nós. E continua: "Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus". (1Pd 1,21).

Depois de reconhecerem Jesus, os discípulos voltaram imediatamente a Jerusalém. A experiência do Ressuscitado os coloca novamente em movimento. Quem encontra Cristo não pode permanecer parado. A fé nos impulsiona à missão, ao testemunho, ao anúncio. Também nós somos convidados a perceber a presença de Deus em nosso caminho. Quantas vezes Ele está ao nosso lado e não o reconhecemos! Quantas vezes nossa fé se enfraquece porque deixamos de escutar sua Palavra ou de participar da Eucaristia!

Peçamos ao Senhor a graça de um coração atento e confiante. Que possamos dizer com o salmista: "Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo". (Sl 15,8). E que, como os discípulos de Emaús, possamos reconhecer Jesus presente em nossa vida, especialmente na Palavra e na Eucaristia, e nos tornar testemunhas vivas de sua ressurreição. Assim, jamais caminharemos sozinhos. Cristo Ressuscitado está conosco - hoje e sempre.

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