FRIO MAIS QUENTE!

Com ‘El Niño’, Inverno deverá ser quente, dizem especialistas

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Em 2026, as temperaturas ficarão acima do normal na estação mais fria do ano
Em 2026, as temperaturas ficarão acima do normal na estação mais fria do ano

O inverno de 2026 no Brasil - e também em nossa região - deverá ser um dos mais quentes e instáveis dos últimos anos, assim como ocorreu em 2024. As projeções meteorológicas indicam temperaturas entre dois e três graus acima da média global, com ondas de calor frequentes e maior instabilidade hídrica, com períodos de calor intenso, intercalados com temporais.

Essa situação, segundo os especialistas ouvidos pelo Jornal de Piracicaba, se dá muito em razão do avanço do El Niño, favorecendo o aquecimento do Pacífico Equatorial e alterando o padrão climático em todo o país, com potencial para que o Inverno seja um dos mais quentes em 140 anos – época do chamado período pré-industrial, entre os anos de 1861 e 1890.

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica global. Ocorre a cada 2 a 7 anos, durando cerca de um ano, provocando secas no Norte/Nordeste do Brasil e chuvas intensas no Sul.

“Com o bolsão mais quente em anos de El Niño, a gente sempre tem observado e os dados têm apontados que são anos mais quentes. Em 2023 e 2024, por exemplo, a gente teve os anos mais quentes da história e foram anos de El Niño”, declarou Ana Ávila, meteorologista do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), órgão interdisciplinar da Unicamp.

Em 2024, houve o registro de quase dois graus acima da média global. “Então, quando a gente fala que esse ano pode ser o ano mais quente da história é porque em 2024, que foi o mais quente até agora, foi um ano de El Niño; e a expectativa é que tenhamos um El Niño no segundo semestre”, afirmou Ana.

Apesar dessa expectativa, em nossa região, não deveremos ter o ano mais quente da história, pelo menos é o que espera o professor Fabio Marin, do Departamento de Engenharia da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). No entanto, uma certeza: será menos frio em relação ao ano passado.

“Para maio e junho, teremos temperatura de dois graus, quase três graus acima da média. Tomara que não seja tão quente, tão desastroso como 2024, especialmente aqui no estado de São Paulo, com queimadas para todo lado, mas é uma condição preocupante com a previsão de altas temperaturas”, analisa o professor.

A média de temperatura do Inverno de 2024 foi de 23,1°C, empatando com 2015, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), que começou as medições na década de 1960. Esse índice marcou temperaturas acima da média para o período – com cerca de dois graus mais quentes.

NO PAÍS 
Diante desta previsão, o padrão climático do Brasil para os próximos meses deve fugir do comportamento típico da estação fria. Projeções da Ampere Consultoria indicam um cenário de mais chuva no Sul, tempo mais seco no Norte e temperaturas acima da média em grande parte do Centro-Sul ao longo do outono e do inverno de 2026.

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