A recente divulgação dos dados oficiais do Tesouro Nacional, indicando que a carga tributária brasileira atingiu a marca histórica de 32,4% do PIB em 2025, não é apenas um número estatístico frio; é um sinal de alerta crítico para todo o setor produtivo e para a sociedade civil.
Como vice-presidente do Ciesp, acompanho de perto o impacto direto que essa voracidade arrecadatória exerce sobre as indústrias, especialmente as de pequeno e médio portes, que são o coração pulsante da nossa economia e as maiores geradoras de empregos.
Chegamos a um patamar recorde que asfixia a capacidade de investimento produtivo nacional. Quando quase um terço de tudo o que o país produz é drenado pelo Estado, sobra pouco fôlego para a inovação tecnológica, para a modernização de parques fabris e para a expansão de novos mercados. O Brasil insiste em manter uma estrutura que penaliza quem produz, criando um ambiente de negócios muitas vezes hostil e desestimulante para o empreendedorismo nacional.
É fundamental compreendermos que o debate atual não deve ser apenas sobre o quanto se arrecada, mas sobre a qualidade do gasto público e o efetivo retorno que essa carga tributária devolve ao cidadão e às empresas. Enquanto os recordes de arrecadação se sucedem, a indústria brasileira continua enfrentando o chamado 'Custo Brasil', que engloba infraestrutura deficitária, insegurança jurídica e uma burocracia tributária complexa que consome milhares de horas anuais das equipes administrativas. A Reforma Tributária, embora tenha avançado em sua concepção, precisa garantir que não haverá aumento da carga real no longo prazo. O setor industrial já carrega um fardo desproporcional. Precisamos de um sistema que seja simples, transparente e, acima de tudo, justo.
A eficiência do Estado deve ser buscada com a mesma diligência que as empresas buscam sua produtividade diária. O aumento de arrecadação via crescimento econômico é saudável; o aumento via elevação de alíquotas ou ampliação da base sobre o consumo é prejudicial. O Ciesp defende que a competitividade da nossa indústria passa, obrigatoriamente, por uma revisão da postura fiscal do país. Cada ponto percentual adicional na carga tributária representa menos máquinas compradas, menos tecnologia desenvolvida e menos postos de trabalho criados.
O desenvolvimento sustentável do Brasil depende de um equilíbrio onde o Estado seja um facilitador, e não um obstáculo. Precisamos de coragem política para enfrentar a reforma administrativa e conter a expansão de gastos que força o Tesouro a buscar receitas cada vez maiores. O setor produtivo está fazendo a sua parte, mantendo a resiliência em tempos difíceis. Agora, é imperativo que o poder público demonstre a mesma responsabilidade. Só assim conseguiremos transformar o potencial brasileiro em realidade, garantindo que o futuro seja marcado por recordes de produtividade e bem-estar social, e não apenas por recordes de impostos que travam o país.
Francesconi Júnior é 1º vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp