OPINIÃO

Acordo Mercosul União Europeia


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O Congresso Nacional (dos horrores) promulgou, no dia 17 de março de 2026, o decreto legislativo que ratifica o acordo de livre-comércio entre Mercosul e a União Europeia.

Com essa promulgação, a vigência provisória do acordo deve ter início em maio próximo.

Todos os países que o assinaram pensam em “tirar, de algum modo, algum proveito” dele, o que é legítimo.

O acordo Mercosul UE não estará restrito ao campo e à cidade. Dele partiremos para a discussão e para a implementação de premissas básicas e de pressupostos teóricos na educação, na cultura, no esporte, na moda, na medicina, no intercâmbio cultural, no turismo, nos transportes, na agricultura, nas artes em geral e tantas outras áreas.

Tal acordo recém aprovado é sustentado, estrategicamente, sobre cinco motivos:

  • Acesso a Mercado e Competitividade.
  • Segurança Jurídica e Investimento.
  • Modernização na Economia, na Ciência e na Tecnologia.
  • Redução de Custos.
  • Geopolítização.

O acordo enfrentará desafios e riscos, e, como tal, sempre apresentará os seus pontos fortes e também os fracos. As diferenças entre o continente do Mercosul e o da União Europeia terão de se adaptar; construindo, então, a grande metáfora, a grande simbiose madura, na qual valerá aquilo que vai unir os americanos do sul e os europeus do norte.

Para isso, deverão contar com as seguintes questões:

  • Pressão sobre certos setores industriais.
  • Adaptação aos padrões ambientais.
  • Transição tarifária, que será longa.
  • Mediação, indo além do parlamento comum europeu.
  • Falta de um parlamento comum no Mercosul.
  • Necessidade de Modernização do Brasil em relação ao seu parque industrial, (caso isso não ocorra, o país poder-se-á desindustrializar).

 Alguns números do acordo do livre-comércio:

  • Mais de 700 milhões de pessoas.
  • PIB combinado de 22,4 trilhões de dólares.
  • O comércio bilateral entre o Brasil e a União Europeia poderá atingir, nos próximos dez anos, cerca de 350 bilhões de dólares, o equivalente a "um trilhão e oitocentos e sete bilhões" de reais.
  • O acordo terá efeito de 0,34% sobre o PIB brasileiro e um aumento de 0,76% nos investimentos até 2044.
  • O turismo poderá receber, até três vezes, mais turistas europeus, sendo que, hoje, visitam o Brasil cerca de 1,2 milhão de turistas europeus. Passaríamos, então, a partir de 2028, a receber cerca de 3,5 milhões de turistas da Europa.
  • O acordo, quando estiver plenamente em rigor, deverá zerar as tarifas de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, e, dessa forma, reduzir os preços dos produtos tanto para os consumidores brasileiros quanto para os europeus.

O acordo poderá render mutuamente. Só perderá quem não ousar, quem não focar no presente por medo do futuro. Segundo Isaac Newton, “O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”. Já, conforme Leonardo da Vinci, " Pouco conhecimento faz com que as pessoas apenas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, com que se sintam humildes".

Pode ser que estejamos caminhando para um mundo onde a geopolítica está mudando, tanto assim, que velhas potências começam a perceber que seus lugares, no mundo, começam a ser ocupados por outros integrantes que não elas.

Hoje, temos novos agentes políticos, econômicos e militares, tais como:

União Europeia, Índia, China, EUA, América do Sul, África e Rússia.

Quando falamos de blocos, precisamos ainda de nos lembrar dos BRICS, que vivem atualmente um momento de transição.

Prof. Oswaldo Fernandes foi secretário de Educação de Jundiaí  

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