A poucos quilômetros da maior metrópole do país, em meio à Mata Atlântica do litoral norte paulista, o povo Guarani Mbya mantém viva uma cultura ancestral que luta para resistir às pressões do mundo contemporâneo e ao avanço da tecnologia. É esse encontro entre tradição e presente que chega ao público no lançamento gratuito de “Teko Porã, retrato atual da vida cotidiana na aldeia Rio Silveira”, no próximo 29 de abril, às 19h, na Sala de Cinema São Paulo-Minas, no Complexo Fepasa, na avenida União dos Ferroviários, em Jundiaí.
Dirigido pela jornalista e roteirista Luciana Alves, com codireção do cacique Adolfo Timotio, o documentário mergulha no cotidiano da Aldeia Rio Silveira, território Guarani Mbya localizado entre São Sebastião e Bertioga, revelando saberes, espiritualidade, relações familiares, desafios contemporâneos e a delicada travessia de um povo que vive entre dois mundos.


Com 1h20 de duração, Teko Porã adota um ritmo narrativo que acompanha o próprio tempo da vida na aldeia: mais contemplativo, sensível e conectado aos ciclos da natureza e da convivência cotidiana. O filme valoriza longos respiros visuais, com imagens aéreas captadas por drone que revelam a imponência e beleza da Mata Atlântica, o rio e o território Guarani Mbya. A construção sonora também segue essa proposta: o desenho de som prioriza os sons naturais da aldeia, enquanto a trilha é composta exclusivamente por músicas tocadas e gravadas durante as filmagens no próprio território, reforçando a autenticidade da experiência. Para a realização desse olhar, a Speed Comunica reuniu uma equipe altamente profissional e sensível, que respeitou integralmente, em todas as etapas, as orientações e o tempo da comunidade, sempre em alinhamento com o codiretor do filme, cacique Adolfo Timotio.
Antes do lançamento público em Jundiaí, o filme teve uma apresentação especial no último 17 de abril, dentro da própria aldeia, em uma sessão marcada pelo reencontro entre a comunidade e sua própria imagem na tela.

A escolha de Jundiaí para o lançamento tem forte valor afetivo para os realizadores.“Escolhemos Jundiaí porque é uma cidade que faz parte da nossa história. Eu e Claudio trabalhamos e moramos aqui por quase 20 anos, nossos filhos nasceram em Jundiaí e era muito importante compartilhar esse filme com os amigos da cidade onde, principalmente eu, construí grande parte da minha trajetória profissional ”, afirma a diretora do documentário, Luciana Alves.
Ela destaca que o filme documental foi construído em um processo de escuta, convivência e participação direta da comunidade indígena.“Foi um profundo aprendizado conhecer esse admirável mundo que existe tão perto de nós e que muitas vezes desconhecemos. Mais do que registrar a cultura Guarani, queríamos construir esse filme junto com a aldeia. Tivemos a participação ativa de indígenas em várias etapas da produção, com dois produtores locais, dois intérpretes de guarani, além da codireção do cacique Adolfo. Foram quase 20 diárias, realizadas ao longo de vários meses de convivência, escuta e troca. Isso faz toda a diferença no resultado e no respeito à forma como essa história é contada”, destaca.
O diretor de fotografia Claudio Alves ressalta que a construção visual do documentário também nasceu da troca com o território e da oficina cultural realizada na aldeia.“A fotografia buscou valorizar a beleza das imagens, da paisagem, da floresta, dos rios e da luz natural da aldeia. Mas esse olhar também foi compartilhado. A oficina audiovisual realizada no território permitiu uma troca muito rica sobre imagem, memória e narrativa, aproximando ainda mais a equipe da comunidade. Isso trouxe uma verdade visual muito forte ao filme e ampliou a sensibilidade do nosso olhar sobre a beleza e a potência daquele espaço”, comenta Claudio.


Contemplado em edital do ProAC, o documentário foi produzido pela Speed Comunica e só se tornou possível graças ao fomento público à cultura. A realização é da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Sistema Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Após o lançamento em Jundiaí, “Teko Porã” segue em processo de inscrição em festivais nacionais e internacionais, ampliando o alcance dessa narrativa sobre identidade, resistência e memória dos povos originários brasileiros.
Serviço
Documentário “Teko Porã: retrato atual da vida cotidiana na aldeia Rio Silveira”
Exibição gratuita na Sala de Cinema São Paulo-Minas
29 de abril, às 19 horas
Av. União dos Ferroviários, 1760 – Ponte de Campinas
Complexo Fepasa / Espaço Expressa