Em Jundiaí, os jovens entre 15 e 29 anos somam 59.195 eleitores, o que representa 17,92% do total de 330.293 cadastrados no município, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral atualizados em 1º de março. Desse total, 30.089 são mulheres (50,83%). Segundo o Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013), a faixa etária é subdividida em jovens-adolescentes (15-17 anos), jovens-jovens (18-24) e jovens adultos (25-29).
Entre os destaques estão 2.945 eleitores de 18 anos, 4.306 de 19 anos, 4.821 de 20 anos, 19.488 entre 21 e 24 anos e 26.335 entre 25 e 29 anos. O cientista social e historiador André Ramos analisa os anseios dessa população e observa que a percepção de que as gerações mais velhas ocupam os espaços de poder gera uma ruptura com os canais tradicionais de participação. “Ao desacreditarem no sistema, os jovens tornam-se o eleitorado ideal para figuras antissistema ou outsiders. Se o sistema atual é visto como um bloqueio ao futuro, votar em quem promete ‘quebrar as regras’ torna-se uma forma de resistência e busca por representatividade”, explica.
Ele também destaca a visão diferenciada dos jovens sobre trabalho e liberdade: “Eles enxergam na economia digital, como Uber, iFood, criação de conteúdo, por exemplo, autonomia, mérito e flexibilidade. O que o jovem vê como liberdade, o adulto interpreta como precarização, instabilidade e falta de garantias para o futuro”. Além disso, André aponta que a juventude tende ao progressismo, mas de forma pragmática: “O jovem entra em uma sociedade cujas regras foram feitas antes dele. O desejo natural é subverter essas normas para que o mundo se adapte a ele, e não o contrário. Isso explica por que eles são atraídos por discursos que prometem o novo e o futuro”, ressalta.
O cientista conclui que o comportamento político do jovem hoje não é apenas uma questão de esquerda ou direita. “Há uma tensão entre o desejo de autonomia imediata e a estrutura rígida de um sistema que ele sente que não lhe pertence.”
Necessidade de diálogo
O vereador Henrique Parra (PSOL), eleito pela primeira vez, reforça a importância de abordar os temas que impactam a juventude. “É o público com maior desemprego ou emprego precário, maior dificuldade de inserção no mercado, de perspectiva de vida. Também o que mais discute liberdade de comportamento, sexual e um dos mais afetados pela segurança. Acredito que a melhor maneira de falar com jovens é debatendo essas realidades. Agora, com qual linguagem? A das redes, das trends, dos poucos segundos e dos memes.”
O vereador Rodrigo Albino (PL) também destaca a importância do diálogo com o público jovem, especialmente diante das rápidas transformações que marcam essa fase da vida. “Essa idade é um momento em que tudo acontece muito rápido, principalmente em relação a emprego e estudos. Há muitas dúvidas e é importante estarmos envolvidos”, afirma. Segundo ele, a principal demanda da juventude é por oportunidades. O parlamentar também relata que busca promover ações de escuta em escolas, além de apresentar oportunidades de trabalho e incentivar debates. “Essa geração é a próxima que teremos para administrar o país, então é fundamental criar políticas públicas para engajá-los. Claro que sempre passando a visão do que acredito, de um governo liberal, de direita. Esses debates são saudáveis e a participação dos jovens é muito necessária”, completa.