PROCESSO

MP acusa médicos da Unicamp de criar 'fila paralela' para obesos

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
A denúncia, apresentada pela Promotoria de Campinas, aponta a existência de um esquema de direcionamento de pacientes no Ambulatório de Obesidade.
A denúncia, apresentada pela Promotoria de Campinas, aponta a existência de um esquema de direcionamento de pacientes no Ambulatório de Obesidade.

Ministério Público de São Paulo ajuizou, na terça-feira (24), uma ação de improbidade administrativa contra dois médicos do Hospital de Clínicas da Unicamp e uma empresa ligada a eles. A denúncia, apresentada pela Promotoria de Campinas, aponta um esquema de direcionamento de pacientes no Ambulatório de Obesidade, com favorecimento a pessoas encaminhadas para cirurgias bariátricas pela empresa investigada.

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Segundo o promotor Daniel Zulian, os acusados, pai e filho, teriam criado um fluxo paralelo de atendimento, à margem do sistema oficial de regulação do SUS (Sistema Único de Saúde).

De acordo com a investigação, a empresa, da qual um dos médicos é sócio-administrador, prestava serviços a municípios da região e preparava pacientes para encaminhamento direto ao ambulatório, sem passar pela Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde.

Na ação, o MP solicitou à Justiça a indisponibilidade de bens no valor de R$ 1,428 milhão, montante apontado como resultado de enriquecimento ilícito.

Em caso de condenação, o Ministério Público pede a aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa, como perda de bens, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e pagamento de multa.

Esquema investigado

As investigações indicam que os médicos teriam utilizado seus cargos para facilitar o acesso de pacientes ligados à empresa privada, criando uma fila paralela que burlava critérios de transparência e igualdade no SUS.

A prática, segundo o MP, teria gerado vantagem econômica indevida e beneficiado a empresa em contratos com prefeituras.

Um dos contratos, firmado com a Prefeitura de Indaiatuba, previa pagamento mensal de R$ 11,8 mil por seis meses, totalizando R$ 70,8 mil, posteriormente prorrogado. Outro acordo estabeleceu R$ 12 mil mensais por 12 meses, somando R$ 144 mil.

O caso segue em tramitação na Justiça.

Posicionamentos

A Unicamp disse que instaurou dois processos administrativos disciplinares para apurar as supostas irregularidades. Um dos profissionais foi suspenso por 10 dias e o outro absolvido.

A defesa dos suspeitos afirmou que ainda não tem conhecimento da denúncia, mas negou prioridade em encaminhamentos.

A Prefeitura de Indaiatuba informou que não mantém mais contrato com a empresa e destacou que, durante a vigência contratual, não foram identificadas irregularidades.

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