Acusado de pedofilia e flagrado com mais de 7.600 arquivos ilegais, um professor universitário continua dando aulas no Vale do Paraíba, mesmo após condenação definitiva pela Justiça.
Alunos da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG), ligada à Unesp, protestaram nesta quinta-feira (26) contra a permanência do professor de 43 anos, condenado por crimes relacionados à pedofilia, que segue lecionando na instituição.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
O caso ganhou repercussão no campus após estudantes denunciarem que o docente continua dando aulas de forma on-line, mesmo após ter sido condenado por armazenar e compartilhar milhares de arquivos com conteúdo envolvendo exploração sexual de crianças e adolescentes.
Condenação envolve mais de 7.600 arquivos
De acordo com a sentença da 1ª Vara Federal de Guaratinguetá, o professor foi condenado por armazenar e transmitir mais de 7.600 arquivos com conteúdo pornográfico envolvendo menores. Ao todo, foram identificados 7.678 arquivos armazenados em dispositivos eletrônicos, incluindo um computador vinculado à própria universidade.
Os crimes teriam ocorrido entre 2014 e 2017. A condenação foi definida em agosto de 2022 e transitou em julgado em fevereiro de 2025, sem possibilidade de recurso.
A pena estabelecida foi de seis anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, cumprido em unidade prisional de Tremembé.
Alunos pedem afastamento imediato
A permanência do professor no quadro de docentes provocou indignação entre alunos, que organizaram protestos dentro da universidade. “Não existe nada que justifique ele continuar lecionando, ainda mais em um campus que tem colégio técnico e creche”, afirmou um estudante, sob condição de anonimato.
Segundo relatos, o professor teria feito ameaças durante aulas virtuais a alunos que comentassem sobre o caso, o que ampliou ainda mais a pressão por medidas da universidade.
Investigação começou com sistema internacional
As investigações tiveram início após alerta do sistema CETS (Child Exploitation Tracking System), ferramenta internacional de monitoramento de exploração infantil na internet.
A partir do rastreamento digital, investigadores identificaram o computador utilizado para armazenamento e compartilhamento dos arquivos. Durante as buscas, o material foi apreendido e passou por perícia técnica.
Defesa alegou ‘estresse’ e negou intenção
Durante o interrogatório, o professor afirmou que baixava conteúdos pornográficos como “válvula de escape” em um período de estresse, alegando sofrer de depressão. Ele também disse que não tinha intenção de acessar material ilegal e que deletava arquivos desse tipo.
A Justiça, no entanto, rejeitou a versão, destacando que a quantidade de arquivos e os nomes associados ao conteúdo indicavam plena consciência da natureza do material.
Pedido de insanidade mental está em análise
Em março de 2026, a defesa solicitou à Justiça a realização de avaliação de insanidade mental, alegando que o professor apresenta quadro de transtorno depressivo maior.
O pedido ainda não foi analisado.
Unesp se manifesta
A Unesp enviou uma nota a OVALE sobre a situação do professor. A universidade disse que, em 2019, portanto antes da condenação por pedofilia, docente vinculado à Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá da Unesp foi alvo de um Processo Administrativo, aberto pela Reitoria, em função do uso indevido de um equipamento da Universidade.
O processo se iniciou a pedido do Ministério Público Federal e se encerrou em 12 de março de 2020, com uma punição de 30 dias de suspensão por ser a máxima possível para um docente em regime de trabalho CLT, ressalvada a pena máxima de demissão.
"Parte da denúncia não pôde ser considerada durante o referido processo administrativo, por força do direito constitucional de presunção de inocência enquanto tramitava o processo apuratório naquele órgão ministerial. Até o momento não recebemos informações, quer do Ministério Público Federal, quer da Justiça Federal, quanto aos desdobramentos daquela investigação, sendo que o processo ainda está sob segredo de justiça", disse a Unesp.
"Na quinta-feira, 26 de março de 2026, a congregação da FEG apreciou um recurso do mesmo docente em função de nova punição de 30 dias de suspensão após a instauração de devido processo administrativo relativo a outra questão acadêmica. Por ocasião da reunião do órgão colegiado, vieram à tona, em função de informações não oficiais, denúncias relacionadas ao processo crime instaurado em 2020. Considerando-se que a questão surgiu por ocasião da reunião da congregação, a Assessoria Jurídica da Unesp está empenhada na obtenção das informações oficiais sobre o caso", completou a universidade.