OPINIÃO

Uma porta ou um túnel?


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Ao longo dos 25 anos de profissão atendendo pessoas e suas demandas com relação à saúde, eu aprendi muito sobre o próprio processo terapêutico. Segundo esse aprendizado prático, que não foi me transmitido em sala de aula, acredito que as pessoas procuram meu trabalho para obterem uma transformação.

Algumas delas, contudo, não sabem bem disso. Têm um problema que as incomoda, passando por exames na busca por alívio. Frequentemente passaram por vários tratamentos e usaram muitas medicações, sem, contudo, encontrarem o que os satisfaça.

Penso que desejam aquela condição anterior ao conhecimento da doença, antes de saberem que tem “algo errado com eles” e que precisa ser “consertado” ou “expulso” da própria vida. Quando me procuram é porque as soluções mais simples e imediatas para isso não surtiram efeito.

Apareço eu, então, a fim de resolver o imbróglio que o paciente “se meteu” explicando que o sintoma da queixa normalmente se relaciona com algum hábito de vida e, enquanto ele perdurar, o sintoma também será uma presença constante.

Pode ser um hábito como fumar. Pode ser a falta do hábito de se exercitar, a que chamamos sedentarismo. Podem ser poucas horas de sono. Pode ser uma dieta ruim, uma ansiedade desmedida, preocupações com o intangível... pode ser tudo isso junto, inclusive, associado à um relacionamento tóxico, por exemplo.

Parece até que o sintoma é um alarme avisando do risco de viver em certas condições, mesmo que isso não seja muito claro para o paciente, a princípio. Outras vezes ele se assemelha a uma encruzilhada, onde uma decisão é demandada e ficar sem uma resposta é muito prejudicial.

Como, então, uma pessoa se transforma para seguir em frente?

A transformação não ocorre como quem atravessa uma porta e instantaneamente começa a experimentar um ambiente totalmente diferente do que estava, sem muito esforço e em um instante.

Na minha prática, a mudança mais consistente se parece mais com um avanço através de um túnel, passando um bom tempo em um processo de transição que não é nem o ambiente que se deixou e muito menos aquele para onde se deseja ir. Esse tempo é variável e tão mais longo quanto a transformação é mais intensa e profunda.

O caminho dentro deste túnel costuma ser escuro (e por isso gera um desconforto: não existe a certeza do que se irá encontrar do outro lado) e com um ambiente mais “pobre de elementos” e desinteressante se comparado com o lugar de onde partimos. Por conta disso é que muita gente desiste, retornando para o início do processo, já que a travessia é mais longa e penosa do que a energia que estão dispostas em investir na mudança.

Acupuntura, osteopatia e as técnicas sistêmicas que possuo podem ajudar equilibrar a pessoa para que ela faça a transição mais suave, contudo, parte fundamental do meu trabalho está em dar suporte para o meu paciente, garantindo que no fim do túnel, por mais longo que seja, existe uma luz à espera dele.

Dr. Alexandre Martin é médico, especialista em acupuntura e com formação em fitoterapia chinesa e osteopatia. 

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