OPINIÃO

Supercentenários do Brasil


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O Brasil vive uma transformação silenciosa. A população está envelhecendo rapidamente e, junto com esse fenômeno, surge um grupo raro que desperta interesse da ciência e da sociedade: os supercentenários, pessoas que ultrapassam os 110 anos de idade.

Ainda são poucos, mas o número cresce gradualmente. Cada pessoa que alcança essa marca representa não apenas uma curiosidade estatística, mas também um retrato das mudanças que o país começa a enfrentar com o aumento da longevidade.

Entre os exemplos mais impressionantes está a brasileira Inah Canabarro Lucas, reconhecida internacionalmente como a pessoa mais velha do mundo em registros recentes. Religiosa gaúcha, ela atravessou mais de um século de história, vivendo transformações profundas na sociedade, na tecnologia e na medicina.

Casos como o dela despertam uma pergunta frequente: o que explica viver tanto?

Pesquisadores apontam que a longevidade extrema geralmente é resultado de uma combinação de fatores. Genética favorável, alimentação simples, rotina equilibrada, vínculos sociais fortes e grande capacidade de adaptação parecem ser características comuns entre muitos supercentenários.

Mas viver muito também traz desafios importantes.

Para as famílias, cuidar de alguém com mais de 100 anos exige atenção constante. Mesmo quando a lucidez é preservada, limitações físicas são comuns, como mobilidade reduzida, maior risco de quedas, fragilidade óssea e perda auditiva.

Não é raro que filhos já idosos ou até netos assumam a função de cuidadores, criando uma realidade cada vez mais presente: idosos cuidando de idosos. Essa rotina pode exigir dedicação intensa, adaptações na casa, acompanhamento médico frequente e apoio emocional.

Para a sociedade, o crescimento da população extremamente idosa também impõe mudanças. Sistemas de saúde, políticas públicas e cidades precisam se adaptar para atender uma população que vive cada vez mais.

A medicina tem papel central nesse cenário. Avanços no tratamento de doenças cardiovasculares, no controle do diabetes, na oncologia e na medicina preventiva ajudaram a ampliar a expectativa de vida. Hoje, além de viver mais, busca-se viver melhor.

Pesquisas sobre envelhecimento celular, imunidade e inflamação crônica também abrem novas possibilidades para prolongar a saúde ao longo dos anos.

Os supercentenários não são apenas histórias curiosas. Eles representam um sinal claro do futuro. Um futuro em que viver mais de cem anos pode deixar de ser exceção e passar a fazer parte da realidade de muitas famílias brasileiras.

Edvaldo de Toledo é Empresário, Enfermeiro, especialista em Cuidados Domiciliares, Apresentador do IssoPodAjudar, Criador da Cuidare Home Care (@edvaldo.toledo)

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