OSCAR 2026

Cinema brasileiro vive momento de prestígio internacional

Por REDAÇÃO | AGÊNCIA BRASIL
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O público poderá conferir a premiação neste domingo, tendo Wagner Moura como um dos destaques para ganhar a estatuetao prêmio
O público poderá conferir a premiação neste domingo, tendo Wagner Moura como um dos destaques para ganhar a estatuetao prêmio

Às vésperas de mais uma cerimônia do Oscar, o cinema brasileiro volta aos holofotes internacionais. Depois da vitória histórica de "Ainda Estou Aqui" como melhor filme internacional na edição do ano passado, o país chega novamente à disputa com "O Agente Secreto", indicado em quatro categorias.

Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, "Ainda Estou Aqui" ultrapassou 5,8 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, tornando-se um dos maiores públicos da história do cinema nacional.

Já "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Wagner Moura, também alcançou grande repercussão nas salas de exibição e ultrapassou a marca de 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil, consolidando-se entre os maiores sucessos nacionais recentes e impulsionando o debate sobre o espaço do cinema brasileiro no mercado.

O sucesso dos dois longas nas premiações e nas bilheterias cria a impressão de um momento de expansão do audiovisual brasileiro. No entanto, apesar dos bons resultados desses títulos, especialistas apontam que o desempenho do cinema brasileiro nas salas de exibição ainda revela um cenário desigual.

Dados da Agência Nacional do Cinema mostram que o audiovisual brasileiro vive um momento de forte expansão na produção.

Em 2025, o setor registrou R$ 1,41 bilhão em recursos públicos desembolsados, o maior volume da série histórica. O montante representa crescimento de 29% em relação a 2024 e de 179% na comparação com 2021.

Atualmente, 1.556 projetos audiovisuais estão em execução com apoio direto da agência, enquanto outros 3.697 encontram-se em fase de captação ou contratação de recursos.

O país também registrou 3.981 obras audiovisuais não publicitárias em 2025, um novo recorde.

Grande parte desse impulso vem do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal mecanismo de financiamento do setor, responsável por apoiar filmes, séries, infraestrutura e formação profissional.

Apenas na modalidade de investimento direto, o fundo contratou R$ 564 milhões, em 2025.

O aumento do financiamento público contribuiu para ampliar a produção e gerar empregos, além de fortalecer a presença internacional do audiovisual brasileiro.

Público

Mesmo com o crescimento da produção, os números de público indicam que grande parte dos filmes nacionais ainda enfrenta dificuldades para chegar aos espectadores.

Segundo levantamento do portal especializado Filme B, o público total das produções brasileiras exibidas nos cinemas em 2025 foi de 11,9 milhões de espectadores. No entanto, quase metade desse número veio de filmes lançados no ano anterior.

Entre os 203 títulos brasileiros lançados em 2025, apenas sete concentraram 73% de todo o público registrado. Ao mesmo tempo, 111 filmes, mais da metade do total, não chegaram a mil espectadores nas salas de cinema.

A média de público por filme foi de apenas 719 espectadores. Para analistas do setor, o contraste evidencia um dos principais desafios da cadeia audiovisual brasileira: a distância entre produção e distribuição.

“Os recursos investidos na realização de filmes não são acompanhados por investimentos proporcionais na comercialização e lançamento dessas obras”, aponta o exibidor e consultor de mercado Rodrigo Saturnino Braga, em análise publicada no portal Filme B.

Segundo ele, políticas públicas de fomento precisam olhar para toda a cadeia produtiva do audiovisual – da produção à circulação nas salas e em outras plataformas.

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