FORÇA LOCAL

RMJ tem de 621 mil eleitores e pode garantir eleição de deputados

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
RMJ é uma região financeiramente forte, mas politicamente enfraquecida
RMJ é uma região financeiramente forte, mas politicamente enfraquecida

Com 621.716 eleitores aptos a votar, a Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) reúne um eleitorado capaz de influenciar diretamente o resultado das próximas eleições estaduais e federais. A quantidade, segundo cientistas e analistas políticos, é o suficiente para garantir que a região volte a ter representantes nas esferas estadual e federal, algo que não acontece desde 2018.

Os dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados em 1º de março de 2026, mostram que a maior parte do eleitorado da região está concentrada em Jundiaí, com 330.293 votantes. Em seguida aparecem Várzea Paulista (83.783), Campo Limpo Paulista (58.817), Itupeva (47.702), Louveira (38.907), Cabreúva (35.957) e Jarinu (26.257).

Para o analista político Oswaldo Fernandes, o potencial eleitoral da região é relevante e o volume de eleitores é suficiente para garantir representação política local, mesmo com perdas causadas por abstenções, votos brancos, nulos ou direcionados a candidatos de outras regiões,  desde que haja estratégia e articulação entre lideranças regionais. “A RMJ tem capacidade de fazer, pelos números, pelo menos um deputado estadual e um federal, desde que a campanha seja bem feita e os votos fiquem aqui dentro”, explica.

“É fundamental que os candidatos explorem toda a região, façam articulações e busquem apoio de prefeitos bem avaliados e líderes políticos das cidades. Aqueles com maior poderio financeiro e nomes mais consolidados devem ainda buscar votos fora da RMJ”, avalia.  

Oswaldo alerta para o desequilíbrio entre o peso econômico da região e sua influência política. “A RMJ é uma região muito forte financeiramente, mas a força política infelizmente não acompanha. Há tempos estamos sem representantes na Assembleia Legislativa do Estado e no Congresso. Precisamos entender os motivos disso e buscar maneiras de resolver”, analisa.

Estratégia eleitoral

Para o cientista social e historiador André Ramos, a estratégia eleitoral na região deve levar em conta o perfil diversificado do eleitorado. Segundo ele, Jundiaí, principal colégio eleitoral da RMJ, tem características que exigem campanhas bem estruturadas.

“Jundiaí é uma cidade desafiadora, porque tem muita gente que mora e trabalha aqui. Uma campanha forte no município pode ser decisiva para qualquer candidatura regional”, afirma.

Ele também aponta que o posicionamento político dos candidatos pode influenciar na estratégia territorial. “Candidatos mais conservadores podem buscar mais apoio no interior da região, enquanto os mais progressistas tendem a se aproximar de áreas com maior influência da capital”, explica.

Entre os temas que devem dominar o debate eleitoral, o especialista cita segurança pública, combate à corrupção e questões relacionadas à qualidade de vida. “Assuntos como preço da gasolina, imposto de renda e segurança pública costumam mobilizar o eleitorado e podem fazer diferença na decisão do voto”, diz.

Comparação regional

Mesmo sendo uma região economicamente relevante, a RMJ possui um eleitorado menor em comparação com outras regiões metropolitanas do interior paulista. A Região Metropolitana de Campinas, por exemplo, tem cerca de 2,3 milhões de eleitores, enquanto a Região Metropolitana de Sorocaba ultrapassa 1,6 milhão.

Outras regiões, como a Região Metropolitana da Baixada Santista e a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, também possuem eleitorados superiores a um milhão de pessoas.

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