LIDERANÇA FEMININA

Mulheres ganham protagonismo na política jundiaiense

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação
Luciane Mosca tem mais de 20 anos de experiência na área
Luciane Mosca tem mais de 20 anos de experiência na área

Em um cenário historicamente dominado pelos homens, as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço e protagonismo na política de Jundiaí. Seja à frente de secretarias municipais ou ocupando cadeiras no Legislativo, a representatividade feminina está em alta e alia competência, sensibilidade e visão estratégica para construir políticas públicas e potencializar a qualidade do município.

Atualmente, 10 das 18 secretarias municipais são comandadas por mulheres. À frente de áreas estratégicas, essas lideranças mostram que a presença feminina traz novas perspectivas para uma gestão. Para a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciane Mosca, ocupar um espaço de liderança na gestão pública significa enfrentar desafios, mas também abrir caminhos.

“Ser mulher na linha de frente da administração pública é, antes de tudo, um ato de coragem e compromisso. Ainda enfrentamos desafios históricos, como a necessidade constante de provar nossa capacidade técnica e ocupar espaços que, por muito tempo, não foram pensados para nós”, afirma. Segundo ela, a presença feminina na gestão contribui diretamente para políticas públicas mais inclusivas. “Quando mulheres ocupam espaços de decisão, as políticas tendem a ser mais humanas e conectadas com a realidade da população. A presença feminina na administração não é apenas representatividade, é transformação. É a construção de uma cidade mais justa, equilibrada e preparada para as próximas gerações”

Kelly Galbieri comanda uma secretaria pela primeira vez

Na Secretaria de Habitação, Kelly Galbieri vive pela primeira vez a experiência de comandar uma pasta. Ela destaca que assumir o cargo representa uma grande honra, especialmente em uma área que historicamente teve poucas mulheres na liderança. “É um desafio muito grande, porque muitas pessoas precisam de habitação e queremos deixar um legado atendendo essas famílias”, diz. Kelly conta que, em alguns momentos, ainda enfrenta questionamentos por ser mulher à frente da pasta. “Sempre penso que assumimos um cargo importante pela nossa capacidade. Desde os 15 anos eu trabalho e sempre busquei fazer o meu melhor em cada função. É assim que mostramos nossa competência.” Para ela, a presença feminina também traz uma forma diferente de lidar com as demandas da população. Ela destaca que as mulheres têm mais empatia e acolhimento com as famílias.

Marcela Moro destaca o papel da mulher na pluralidade

À frente da Secretaria de Agronegócio, Abastecimento e Turismo, Marcela Moro também destaca o papel transformador da participação feminina na gestão pública. “É um exercício diário de resiliência. Muitas vezes ainda precisamos provar nossa competência em dobro em espaços historicamente ocupados por homens”, afirma. Para ela, a contribuição feminina está na capacidade de unir eficiência e sensibilidade. “Quando a mulher participa das decisões, a cidade ganha em pluralidade. Empatia, conhecimento técnico e liderança caminham juntos e resultam em desenvolvimento real, geração de oportunidades e qualidade de vida.”

Ana Paula lidera equipe de 240 pessoas

Na Secretaria de Mobilidade e Transporte, Ana Paula de Almeida lidera uma equipe de cerca de 240 pessoas, após mais de três décadas de atuação no serviço público. “Depois de 31 anos de trabalho, liderar uma equipe com a missão de construir uma mobilidade mais saudável e humana é certamente o maior desafio da minha vida profissional”, afirma. “Administrar uma secretaria é como cuidar de uma família: olhar o todo, mas com muita atenção aos detalhes. As mulheres têm esse olhar que vai além do macro, e isso acaba humanizando a relação com os munícipes e com as necessidades da cidade”, completa.

Mais mulheres também no Legislativo

O avanço da presença feminina também chegou ao Legislativo. Após muitos anos, a atual legislatura da Câmara Municipal voltou a contar com três vereadoras eleitas simultaneamente. Entre elas está Carla Basílio (PSD), que destaca que a política ainda é um ambiente majoritariamente masculino. “A mulher na política precisa provar sua competência o tempo todo”, afirma.

Além dos desafios do ambiente político, ela ressalta a necessidade de conciliar múltiplas responsabilidades. Para a vereadora, ampliar a participação feminina significa tornar a política mais representativa. “Nós somos mais da metade da sociedade e nossas pautas precisam estar nas mesas de decisão. Quando mulheres participam, temas como saúde da mulher, combate à violência, educação e políticas para as famílias ganham mais força.”

Carla Basílio é líder da bancada do PSD na Câmara

A vereadora Quézia de Lucca (PL) também acredita que a presença feminina contribui para decisões mais equilibradas. “A política ainda é um espaço majoritariamente masculino e precisamos provar nossa capacidade o tempo todo. Mesmo assim seguimos firmes, mostrando que competência, preparo e compromisso com a população não têm gênero”, afirma. Para ela, ter mais mulheres na política significa ampliar perspectivas e fortalecer a construção de políticas públicas. “As mulheres trazem novas experiências e uma sensibilidade importante para temas como saúde, educação, assistência social e proteção das famílias.”

Quézia acredita que a atual legislatura representa um avanço importante para a cidade. “Acredito que esse é apenas o começo e que veremos cada vez mais mulheres participando e ocupando espaços de decisão”, completa.

Quézia de Lucca é a vereadora mais bem votada da história de jundiaí

Para Mariana Janeiro (PT), uma mulher na política não basta ter boas ideias ou trabalhar duro, mas é necessário provar a competência o tempo todo. Os desafios ainda incluem conciliar a vida pública com as responsabilidades particulares e familiares, que acabam recaindo mais sobre as mulheres. “Mesmo assim, seguimos ocupando esses espaços porque sabemos que a política precisa refletir melhor a diversidade da sociedade”, garante.

Mariana Janeiro vive primeira legislatura

Segundo ela, ter mais mulheres na política é importante porque muda o olhar sobre os problemas da cidade. “Mulheres trazem para o centro do debate questões que impactam diretamente a vida das famílias, como o combate à violência contra mulheres e crianças, o acesso à saúde, a educação, a cultura e a construção de políticas públicas mais humanas. No meu mandato, por exemplo, temos trabalhado muito com temas ligados à proteção da infância, ao enfrentamento do racismo, ao fortalecimento da cultura e à valorização das mulheres nos espaços de poder”, afirma. “Quanto mais mulheres ocuparem a política, mais meninas e jovens passam a se enxergar nesses lugares também. E isso ajuda a construir uma cidade mais democrática”, completa. 

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