OPINIÃO

Vai continuar chovendo


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A invasão de uma nuvem tóxica sobre Buenos Aires, eliminando a população, é uma ficção do extremo. Devastadora e mortal que fulmina quem não estava protegido na série de ficção Argentina “O Eternauta”, com Ricardo Darín, mas tem obviamente uma advertência com relação às emergências climáticas.Para quem não viu, os que desabrigados e sem EPI (equipamento de proteção individual) morriam instantaneamente, acumulando milhares de mortos pelas ruas.

Isso comparado com as chuvas em Minas Gerais que, pelas ruas, arrastam e matam pessoas e que acompanhamos ao vivo pelos noticiários repetidamente em chamadas de jornais. As enxurradas deslizam encostas, desmoronam casas e matam mais gente ainda,uma grande similaridade e lembrança com o estado de ficção do filme.

O jornal O Estado de São Paulo noticiou: “O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para o acúmulo de chuvas na região da zona da Mata mineira. O alerta deve durar até a meia noite da sexta-feira, 27, e também é válido para o Rio de Janeiro, Espírito Santo e litoral paulista. O aviso indica a possibilidade de volumes superiores a 60 mm/h ou acima de 100 mm por dia. Há grande risco para deslizamentos, alagamentos, transbordamentos de rios, corte de energia e queda de árvores.”

Acontece que, como faremos pra andar nas ruas e calçadas com tanta chuva? Aqui, comerciantes lutam para salvar o comércio, mas e o prejuízo com as chuvas? Eles todos sabem quanto significa isso.

Enquanto isso, como nos filmes, o abrigo é o shopping e os lugares onde se pode circular a céu aberto em solução ficam aguardando a mudança de estação.

O volume de chuva é o grande vilão e, como em outros artigos que escrevi para esse jornal, sabemos que devido ao aquecimento global, os extremos estão aumentando. Já vimos isso com as chuvas que provocaram queda de árvores e falta de energia em São Paulo e com as temperaturas escaldantes no Rio. Agora, infelizmente, vemos em Juiz de Fora e Ubá, com mais de 60 mortes registradas na zona da Mata mineira.

Por aqui também sofremos com as chuvas. A avenida Nove de Julho se viu invadida de água de uma caixa de coleta pluvial que estourou e na avenida Antônio Frederico Ozanan o rio transbordou. Na Ponte São João e na Vila Rio branco o trânsito ficou caótico.

Somos a segunda cidade com maior volume de precipitação do Estado São Paulo e segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registramos o segundo maior acúmulo de chuva das últimas 24 horas, do último dia 24, no estado.

Ocorre em Jundiaí, definições claras para se preservar e ajustar marginais do Rio Jundiaí. Entre a Várzea e aqui o transbordamento, que atravessa a estrada, deve ser entendido como um dado para ser respeitado. Áreas de transbordo do rio podem ser delimitadas nesse momento. Promovendo a implantação de matas ciliares nesses lugares para que não virem mais manchete, mas um fenômeno, que mesmo inesperado possa acontecer previsivelmente. Correções no planejamento da cidade são esperadas, áreas vulneráveis são a urgência da gestão.

Eduardo Carlos Pereira é arquiteto e urbanista

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