O período de 12 meses, que engloba o fim de 2024 até o terceiro trimestre de 2025, foi de crescimento voraz no número de lançamentos imobiliários em Jundiaí. Na análise que compara o período aos 12 meses imediatamente anteriores, ou seja, do fim de 2023 até o terceiro trimestre de 2024, o volume de novos imóveis em Jundiaí saltou 170%. Por outro lado, as vendas, mesmo que crescentes, aumentaram 35%. Como resultado, há estoque de imóveis em Jundiaí.
Os dados são do vice-presidente de comercialização e inteligência de mercado imobiliário da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi), Eli Gonçalves Ferreira Junior, e também apontam o perfil deste estoque. Mais da metade dos imóveis lançados e não vendidos em Jundiaí custam mais de R$ 900 mil. Esse perfil de alto padrão também impulsiona preços gerais na cidade.
"A gente saiu, no terceiro trimestre de 2024, com 12 meses acumulados, de 1.070 unidades. No terceiro trimestre de 2025, com 12 meses acumulados, a gente foi para 2.893 unidades, ou seja, houve um aumento muito grande no volume de lançamentos", aponta o especialista. "Olhando esses mesmos horizontes de tempo, em vendas, a gente cresceu 35%. Claro que é bom crescer em vendas, até porque a gente já vinha de um volume de vendas alto do final de 2023 e começo de 2024. Então é bom, mas perceba que o que a gente cresceu em vendas, 35%, foi menos do que aqueles 170% de crescimento em lançamentos. Então, nós vamos ter um aumento no estoque", complementa.
Com isso, o estoque de imóveis cresceu 98% na cidade. Eram 788 unidades no terceiro trimestre de 2024 e, no mesmo período do ano passado, passou a ser de 1.124. "O empresário de Jundiaí deve agora ter um pouco mais de cautela no volume de lançamentos para que esse estoque não aumente em demasia", explica Eli Gonçalves.

Posição de Jundiaí frente a outros mercados
O especialista faz análises sobre o mercado com a empresa Saber Fazer Inteligência de Mercado Imobiliário e aponta que, em rankings do estado, na comparação com 41 cidades, Jundiaí ocupa a 15ª colocação em lançamentos imobiliários a cada mil habitantes, são 3,54 unidades a cada mil habitantes na cidade no terceiro trimestre de 2025. Já em relação a vendas a cada mil habitantes, a cidade fica em 21º lugar, com 2,46 unidades vendidas a cada mil habitantes no mesmo período. Segundo Eli, em relação a estoque, a cidade está em 21º também, com 2,94 unidades a cada mil habitantes.
Em relação a valor de lançamentos e vendas, Jundiaí sem dúvidas tem destaque, com imóveis subindo acima da inflação, de acordo com análise do terceiro trimestre de 2025. Em lançamentos, a cidade ocupa a 4ª colocação entre as 41 cidades analisadas, com tíquete médio de R$ 655,8 mil. Já em vendas, é a 3ª, com valor médio de R$ 607,4 mil. Isso mostra que são lançados mais imóveis de alto padrão, que elevam o valor médio, mas a busca da população que adquire imóveis é por opções mais acessíveis. "Os produtos de perfil Minha Casa, Minha Vida, os mais baratos, são esses que estão realmente com grande volume de vendas. Agora, a gente deve ter um cenário de estoque com mais concentração de unidades nos padrões mais altos", diz ele, lembrando que geralmente imóveis populares, como Minha Casa, Minha Vida, vão até R$ 350 mil.
"55% do estoque de Jundiaí é de imóvel de mais de R$ 900 mil. Em uma sequência, 32% são imóveis entre R$ 230 e R$ 500 mil, ou seja, vamos dizer que as faixas 2, 3 e 4, do Minha Casa, Minha Vida; 7% são imóveis de R$ 500 a R$ 750 mil e outros 7% são de imóveis entre R$ 750 a R$ 900 mil", explica Eli. Na oferta final de estoque até setembro do ano passado, 86% do estoque da cidade é de produtos de médio e alto padrões e apenas 14% do estoque abrange o Minha Casa, Minha Vida.
Para este ano, Eli lembra que a oferta e a procura precisam "conversar". "Sobre perspectiva para 2026 em Jundiaí, vai depender muito do perfil do imóvel que vai ser lançado daqui para frente. Se a gente continuar com uma grande participação dos produtos de médio e alto padrão, acredito que a gente deva ter uma certa desaceleração nas vendas, não que fique numa posição ruim, mas que a gente tenha uma certa redução na velocidade de vendas desses produtos de médio e alto padrão. Agora, se o empresário de Jundiaí começar a lançar mais produtos de Minha Casa, Minha Vida, a gente deve ter um 2026 com bom volume de vendas e uma posição de Jundiaí em destaque no cenário aqui do interior de São Paulo."
"Ainda temos uma demanda muito alta para atender dentro do Minha Casa, Minha Vida, em especial na faixa 2, que é a faixa com renda que vai até R$ 5 mil. Mas é aí que a gente tem dificuldade de encontrar imóveis para esse público. O terreno em Jundiaí continua com custo muito alto e as leis de zoneamento na cidade, em comparação com outras cidades, são leis que não são 'tão generosas' em termos de aproveitamento construtivo", conclui.